Publicidade
Manaus
INFRAESTRUTURA

População fecha ruas em protesto contra o grande número de buracos

Pelo menos duas ruas do Núcleo 16, no bairro Novo Aleixo, Zona Norte, estão fechadas com galhos de árvores e pedaços de madeira 15/05/2017 às 05:00 - Atualizado em 15/05/2017 às 08:35
Show buracos
Os moradores disseram que estão cansados e tomando essas atitudes para reivindicar providência das autoridades (Fotos: Aguilar Abecassis)
Silane Souza Manaus (AM)

Pelo menos duas ruas do Núcleo 16, no bairro Novo Aleixo, Zona Norte, estão fechadas com galhos de árvores e pedaços de madeira em protesto contra a falta de pavimentação e o grande número de buracos. Em outra via, daquela mesma região, mais de 10 bananeiras foram plantadas também por causa do seu péssimo estado de conservação. Os moradores disseram que estão cansados e tomando essas atitudes para reivindicar providência das autoridades.

A avenida Coronel Sávio Belota, na esquina com a rua João Câmara, foi fechada na última sexta-feira pelos próprios moradores depois que a chuva provocou alagamento em várias casas. E os buracos estão tão grandes que não dar para os veículos trafegarem sem jogar lama para dentro das residências. “Além disso, os carros estão acabando com as nossas calçadas porque eles passam por elas para desviar dos buracos”, disse a cabeleireira Vanessa Andrade, 44.

A rua Carlota Areas, ao lado da avenida Coronel Sávio Belota, é outra que também foi fechada em certo ponto pelos próprios moradores. O fato aconteceu no último sábado. “Nós decidimos fechar a rua para chamar a atenção. Não tem condições de carro passar por aqui. Do começo ao fim da rua é uma buraqueira só e não é de hoje. Denunciamos, mas nunca vieram tapar os buracos. Parece que para o prefeito os bairros não existem”, declarou a dona de casa Tammy Dabrielle, 30.

Na rua 7, também no sábado, os moradores plantaram uma fileira de bananeira nos buracos que ficam ao longo da via. De acordo com o servidor público Renato Tavares, 53, eles solicitaram serviços de tapa-buraco ao Distrito de Obra da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), na região, em seis ofícios, mas nenhum foi atendido. “Nunca nos atenderam e a dificuldade que temos de nos locomover é muito grande. O nosso direito de ir e vir está sendo vetado”, apontou.

Conforme ele, a população da área está revoltada, não aguenta mais tanto descaso e falta de comprometimento por parte da administração pública municipal. Contudo, ele destacou que não querem “maquiagem”, serviço sem qualidade que vem sendo feito nas ruas da cidade. “Queremos medidas efetivas, que nos der estabilidade. Nós pagamos IPTU, IPVA, e tudo o que compramos tem imposto embutida. O que queremos é respeito pelo dinheiro que a gente paga”, afirmou.

'Dentro do cronograma'

As vias do bairro Cidade Nova, na Zona Norte, estão programadas para receberem mutirão de infraestrutura no mês de junho, de acordo com a Seminf. Já as ruas do Núcleo 16 citadas pela reportagem, que agora fazem parte do bairro Novo Aleixo, estão na programação emergencial com cronograma de obras para a próxima sexta-feira.

População não confia em asfalto

Em torno de 77,9% da população de Manaus avalia o asfaltamento da cidade como ruim ou péssimo. Apenas 6,4 o consideram bom. O resultado é de uma pesquisa encomendada pelo jornal A CRÍTICA e realizada pela empresa Projeta no mês passado.

O asfalto também foi apontado como o terceiro problema mais grave da cidade pelos entrevistados: 24% apontaram os buracos nas vias, que só “perderam” para a saúde (33,4%) e a segurança (62,1%) no ranking geral.

O maior porcentual de queixas quanto à qualidade do asfaltamento está na Zona Centro-Oeste, onde 40% dos moradores reclamam deste problema. Na Zona Sul o índice é de 27%. E na Zona Norte, chega a 20%.

Os problemas de asfaltamento são tão frequentes que essa dor de cabeça é “democrática”, atingindo não apenas as áreas consideradas mais carentes da cidade, mas até mesmo bairros nobres e de classe média-alta, como o Vieiralves, na Zona Centro-Sul, ou de classe média, como o São Jorge, na Zona Oeste, como mostrou A CRÍTICA, no domingo.

Publicidade
Publicidade