Terça-feira, 23 de Abril de 2019
publicidade
1.jpg
publicidade
publicidade

Manaus

População que reside próxima às margens das APPs fala da convivência com jacarés

Especialistas alertam que, dependendo da espécie e de como a população lida com a sua presença, eles podem oferecer perigo


12/04/2015 às 18:42

A área urbana de Manaus se confunde com o habitat natural dos jacarés. Todos dias eles estão “ao lado” de famílias que se abrigam às margens dos igarapés que cortam a cidade e, dependendo da espécie e de como a população lida com a sua presença, eles podem oferecer perigo. 

O ataque de jacaré-açu ao menino Rogério Farias Vidal, 12, no Cacau Pirêra, ocorrido no meio da semana, lembrou que é necessário ter cuidado nas áreas alagadas por conta da cheia dos rios, que facilita a entrada desses animais nos lagos e igarapés mais próximos da cidade.

No ano passado, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) capturou 80 jacarés, das espécies Tinga e Coroa. Desse quantitativo, apenas um, era o jacaré-açu, considerado um dos mais perigosos para a população, segundo o gerente de fauna do órgão, Marcelo Garcia. 

Marcelo ressaltou que os jacarés Tinga e Coroa são as espécies que representam menos perigo para o homem, mas que ainda assim é preciso agir com cuidado. “Eles não são bravos, pelo contrário, se assustam e fogem, mas é melhor que a população não tente lidar com eles de qualquer jeito”, lembra. 

Esse ano, segundo Marcelo, 10 animais foram resgatados. Solicitar o resgate é a melhor solução, explica ele. “Tentamos atender todos os chamados. Os técnicos que vão até o local sabem lidar com a espécie, por isso é importante que sejam eles que vão mexer”, comentou.

Apesar de estarem sempre presentes, segundo Marcelo, no ano passado não foi registrado nenhum acidente com humanos e jacarés. Ele lembrou ainda, que nos igarapés da cidade, o jacaré-açu não é muito encontrado, devido a falta de alimentos, a sujeira e o próprio tamanho do animal, que pode ter mais de 5 metros.

“O único que resgatamos  no ano passado foi no São Raimundo, justamente uma área do Rio Negro”, disse ele ao explicar onde os jacarés-açus costumam se encontrar. De acordo com Marcelo, o açu oferece perigo por ser uma espécie mais territorialista e “desafiar” os seres humanos. 

Atração 

Na avenida G, Campo Dourado, Zona Norte, os moradores já se acostumaram com a presença dos bichos. Pela manhã é comum ver o réptil pelos bancos de areia no igarapé que corta a avenida. 

Segundo o comerciante Denis Silva, 36, o medo dos moradores é que as crianças, que atravessam o trecho, se misturem ao local. “Criança é danada. Muitas vezes ninguém controla e eles fazem o que querem. Já flagrei dois meninos querendo cutucar o bicho com uma pedaço de madeira. Eles não conseguiram porque o animal fugiu, mas ao invés de fugir ele podia ter atacado”, lembra.

Receio

No Dom Pedro, na rua Jufari, a reportagem de A CRÍTICA flagrou sete jacarés em uma manhã ensolarada. A babá Adriana Andrade, 20, conta que se assusta com a “reunião” diária no local. O medo é maior quando chove e o igarapé está cheio.

“Quando sobe muito a água eles passam para a rua, porque a água permite isso. Dá medo porque não sou acostumada, trabalho aqui perto há pouco tempo e toda vez que chove fico preocupada”, lembra.  O local é conhecido por sempre ter jacarés. “Vem criança de outro bairro brincar aqui só pra ver o bicho”, diz o comerciante Carlos Brito, 61.

publicidade
publicidade
População de Manaus aumentou em 1,6 milhão após criação da Zona Franca
Comerciante faz comedouro e bebedouro para animais de rua em Manaus
publicidade
publicidade
publicidade
publicidade

publicidade
publicidade

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.