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Por causa da seca do rio Negro, praia da Ponta Negra será interditada a partir de quarta (28)

O prefeito de Manaus Arthur Vírgilio Neto já assinou o decreto da interdição da praia na Zona Oeste de Manaus, que deve durar por pelo menos 45 dias 28/10/2015 às 16:25
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Praia da Ponta Negra deve ficar fechada por mais de um mês, até o nível do rio voltar a subir
Isabelle Valois Manaus (AM)

A partir de hoje está proibida a entrada de banhistas nas águas da praia da Ponta Negra, Zona Oeste. No auge do verão amazônico, quem quiser se refrescar vai ter que escolher outro lugar, à princípio, pelos próximos 45 dias.

De acordo com o prefeito de Manaus, Artur Neto (PSDB), a interdição tem como base o cumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em 2013, junto ao Ministério Público Estadual (MPE), que determina que, por medida de segurança, o balneário só pode ser aberto ao público quando o rio Negro estiver acima da cota de alerta da vazante, de 16,40 metros. Ontem, a cota do Negro estava em 15,95 metros.

A interdição do balneário foi anunciada pelo prefeito na manhã de ontem, na presença de todos os representantes das secretarias e instituições que participaram do TAC. “Este é o cumprimento da prefeitura com o que foi pedido no termo. Entre o desagradável, que é interditar a praia, e o desastroso, que é fingir que não está havendo problema e deixar gente morrer, prefiro adotar esta medida o quanto antes”, disse Artur.

Aterro

Os problemas com o aterro da praia da Ponta Negra - que foi revitalizada para ser uma praia perene - tiveram início após a conclusão da reforma da primeira etapa do balneário, que demandou um aterro, feito com areia. Entre a inauguração da primeira etapa e a assinatura do TAC 16 banhistas morreram afogados.

A interdição, portanto, segundo a prefeitura, pretende minimizar os riscos de afogamento enquanto o rio estiver na cota de alerta. Isso porque, com a vazante extrema, o trecho de água destinado aos banhistas fica mais próximo de buracos de mais de cinco metros, provocados pelo aterramento da praia.

Monitoramento

O presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Roberto Moita, informou que a cota de alerta foi atingida na última sexta-feira, quando o rio Negro chegou a 16,44 metros. Na segunda-feira, técnicos do instituto realizaram um monitoramento. “Após esse monitoramento, nos reunimos e decidimos pela interdição técnica do balneário”, completou.

Moita disse que o prazo mínimo para interdição do balneário é de 45 dias. O prefeito informou que, neste período, serão instalados chuveiros para aqueles que procuram a praia como lazer, esporte e diversão.

Perigo

O superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marco Antônio de Oliveira, reforçou que a vazante abaixo dos 16 metros coloca os banhistas mais próximos dos buracos e depressões, que continuam a existir na praia da Ponta Negra. “Acho a decisão muita acertada, e que continue até que atinja o nível seguro para aqueles que procuram a praia como balneário”, disse.

Marco informou que o período da vazante continua e espera que termine entre o final de outubro e início de novembro. Ele não soube dizer se os 45 dias de interdição serão suficientes para que o rio atinja uma cota “segura”.

“De todo modo, aconselhamos que o balneário só seja liberado novamente quando o rio Negro atingir a cota entre 19 a 20 metros, segura aos banhistas”, disse Marco.

Alerta

Para o geólogo do Departamento Nacional de Produção Mineração (DNPM), Frederico Cruz, o problema todo está no período certo no qual devia ser realizado a aterramento da areia. “Esse cordão de praia deveria ser realizado no período de cheia do rio, e não na vazante, como fizeram na primeira etapa e continuam realizando na segunda etapa. Como estão realizando o processo na vazante, um abismo é criado com o apanamento e vai ser sempre assim”, disse.

Cruz também informou que, por causa desse processo, e com o avanço da extração de terra no bairro do Tarumã, uma nova camada de solo está se formando a 150 metros da praia, criando um “banco de areia”. “É preciso termos cuidado com todo o trabalho realizado nas proximidades do rio. No caso do Tarumã, a terra está descendo e, por isso, surge essa nova praia. Tudo por causa da falta do cuidado”, alertou.

Segunda etapa será inaugurada

A previsão é que, nos próximos 45 dias, caso a cota do rio Negro esteja acima de 16 centímetros, a Prefeitura de Manaus também libere a segunda etapa do balneário.

De acordo com o presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Roberto Moita, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) está finalizando o aterro.

“A secretaria estava na espera de uma vazante abaixo de 16 metros para poder concluir a obra. Como nos dois últimos anos não ocorreu, foi preciso suspender e aguardar. Não adiantava fazer de qualquer forma e depois liberar para uso, seria um risco, principalmente ao usuários do balneário”, disse.

Processo

O rio Negro continua no período da vazante. Ontem, o rio atingiu a cota de 15,95 metros, após descer mais quatro centímetros. De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), o rio Solimões, desde o dia 5 de outubro começou a subir e deve influenciar no volume de água do rio Negro nos próximos 15 a 20 dias.

Em números

20mortes foram registrados no Instituto Médico Legal (IML), por afogamento na Praia da Ponta Negra, desde a reabertura da praia em 2011. Pelo menos 16 foram registrado antes da assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), em 2013.

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