Sexta-feira, 22 de Novembro de 2019
Manaus

Por causa da seca do rio Negro, praia da Ponta Negra será interditada a partir de quarta (28)

O prefeito de Manaus Arthur Vírgilio Neto já assinou o decreto da interdição da praia na Zona Oeste de Manaus, que deve durar por pelo menos 45 dias



1.jpg Praia da Ponta Negra deve ficar fechada por mais de um mês, até o nível do rio voltar a subir
28/10/2015 às 16:25

A partir de hoje está proibida a entrada de banhistas nas águas da praia da Ponta Negra, Zona Oeste. No auge do verão amazônico, quem quiser se refrescar vai ter que escolher outro lugar, à princípio, pelos próximos 45 dias.

De acordo com o prefeito de Manaus, Artur Neto (PSDB), a interdição tem como base o cumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em 2013, junto ao Ministério Público Estadual (MPE), que determina que, por medida de segurança, o balneário só pode ser aberto ao público quando o rio Negro estiver acima da cota de alerta da vazante, de 16,40 metros. Ontem, a cota do Negro estava em 15,95 metros.



A interdição do balneário foi anunciada pelo prefeito na manhã de ontem, na presença de todos os representantes das secretarias e instituições que participaram do TAC. “Este é o cumprimento da prefeitura com o que foi pedido no termo. Entre o desagradável, que é interditar a praia, e o desastroso, que é fingir que não está havendo problema e deixar gente morrer, prefiro adotar esta medida o quanto antes”, disse Artur.

Aterro

Os problemas com o aterro da praia da Ponta Negra - que foi revitalizada para ser uma praia perene - tiveram início após a conclusão da reforma da primeira etapa do balneário, que demandou um aterro, feito com areia. Entre a inauguração da primeira etapa e a assinatura do TAC 16 banhistas morreram afogados.

A interdição, portanto, segundo a prefeitura, pretende minimizar os riscos de afogamento enquanto o rio estiver na cota de alerta. Isso porque, com a vazante extrema, o trecho de água destinado aos banhistas fica mais próximo de buracos de mais de cinco metros, provocados pelo aterramento da praia.

Monitoramento

O presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Roberto Moita, informou que a cota de alerta foi atingida na última sexta-feira, quando o rio Negro chegou a 16,44 metros. Na segunda-feira, técnicos do instituto realizaram um monitoramento. “Após esse monitoramento, nos reunimos e decidimos pela interdição técnica do balneário”, completou.

Moita disse que o prazo mínimo para interdição do balneário é de 45 dias. O prefeito informou que, neste período, serão instalados chuveiros para aqueles que procuram a praia como lazer, esporte e diversão.

Perigo

O superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marco Antônio de Oliveira, reforçou que a vazante abaixo dos 16 metros coloca os banhistas mais próximos dos buracos e depressões, que continuam a existir na praia da Ponta Negra. “Acho a decisão muita acertada, e que continue até que atinja o nível seguro para aqueles que procuram a praia como balneário”, disse.

Marco informou que o período da vazante continua e espera que termine entre o final de outubro e início de novembro. Ele não soube dizer se os 45 dias de interdição serão suficientes para que o rio atinja uma cota “segura”.

“De todo modo, aconselhamos que o balneário só seja liberado novamente quando o rio Negro atingir a cota entre 19 a 20 metros, segura aos banhistas”, disse Marco.

Alerta

Para o geólogo do Departamento Nacional de Produção Mineração (DNPM), Frederico Cruz, o problema todo está no período certo no qual devia ser realizado a aterramento da areia. “Esse cordão de praia deveria ser realizado no período de cheia do rio, e não na vazante, como fizeram na primeira etapa e continuam realizando na segunda etapa. Como estão realizando o processo na vazante, um abismo é criado com o apanamento e vai ser sempre assim”, disse.

Cruz também informou que, por causa desse processo, e com o avanço da extração de terra no bairro do Tarumã, uma nova camada de solo está se formando a 150 metros da praia, criando um “banco de areia”. “É preciso termos cuidado com todo o trabalho realizado nas proximidades do rio. No caso do Tarumã, a terra está descendo e, por isso, surge essa nova praia. Tudo por causa da falta do cuidado”, alertou.

Segunda etapa será inaugurada

A previsão é que, nos próximos 45 dias, caso a cota do rio Negro esteja acima de 16 centímetros, a Prefeitura de Manaus também libere a segunda etapa do balneário.

De acordo com o presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Roberto Moita, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) está finalizando o aterro.

“A secretaria estava na espera de uma vazante abaixo de 16 metros para poder concluir a obra. Como nos dois últimos anos não ocorreu, foi preciso suspender e aguardar. Não adiantava fazer de qualquer forma e depois liberar para uso, seria um risco, principalmente ao usuários do balneário”, disse.

Processo

O rio Negro continua no período da vazante. Ontem, o rio atingiu a cota de 15,95 metros, após descer mais quatro centímetros. De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), o rio Solimões, desde o dia 5 de outubro começou a subir e deve influenciar no volume de água do rio Negro nos próximos 15 a 20 dias.

Em números

20mortes foram registrados no Instituto Médico Legal (IML), por afogamento na Praia da Ponta Negra, desde a reabertura da praia em 2011. Pelo menos 16 foram registrado antes da assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), em 2013.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.