Domingo, 15 de Setembro de 2019
SUCATEADO

Com guinada digital do celular e vandalismo crescente, ‘orelhões’ estão sucateados

Os telefones públicos estão ficando esquecidos e sem manutenção na cidade de Manaus, mas permanecem vivos na memória dos usuários



orelh_o.JPG Orelhão de 10 anos parou de funcionar há um ano (Foto: Winnetou Almeida)
24/07/2017 às 07:00

Com a popularização dos aparelhos celulares e o vandalismo crescente, os telefones públicos, conhecidos popularmente como “orelhões”, estão ficando esquecidos, sem manutenção e sucateados na cidade de Manaus, mas permanecem vivos na memória dos usuários.  

Conforme dados da Oi, o Amazonas possui cerca de 15 mil orelhões instalados em todo o Estado, sendo que 7.700 mil apenas na capital amazonense. Nos seis primeiros meses desse ano, 4% desses aparelhos foram danificados por vandalismo. 

Esse tipo de ato não prejudica apenas a empresa, mas usuários que ainda utilizam ou tentam utilizar esses aparelhos públicos. Até um ano atrás, um orelhão  instalado na rua 123, no bairro São José 4, na Zona Leste, era diariamente utilizado por moradores por idosos e outras pessoas que não possuem aparelhos celulares e nem fixo em casa. 

Segundo o comerciante Gerson Monteiro, 48, o orelhão que fica em frente ao comércio dele foi colocado no local há dez anos e funcionou por nove anos, mas há um ano apresentou problemas e foi esquecido pela empresa de telefonia. “Tinha dias que fazia fila, muitos idosos usavam, acho que porque não sabem mexer em celular e outras pessoas que não tem celular. Era muito utilizado, agora as pessoas precisam andar lá para fora (alameda Cosme Ferreira) para tentar encontrar um que funcione e é bem difícil porque vivem com defeito”, contou.

‘Trambolho’

Na alameda Cosme Ferreira, outro orelhão está sem funcionar há mais de quatro anos e se tornou apenas um “trambolho”  decorativo, segundo as pessoas que passam pelo local diariamente. “A última vez que esse telefone funcionou foi há quatro anos. Eu lembro bem que muitos moradores do bairro faziam ligações ou recebiam. Depois que deu defeito, nunca apareceu nenhum técnico para consertar”, relatou o estudante Kerllison Moraes, 26. 

O jovem contou que a avó, a aposentada Maria Lucia Moraes, 79, era uma usuária dos telefones públicos e foi praticamente obrigada a aprender utilizar os aparelhos celulares. “Temos família em outro Estado e ela fazia ligações para os filhos pelo menos uma vez na semana, mas há algum tempo esses aparelhos começaram a ser destruídos por marginais e abandonados pela Oi, minha avó teve que aprender a se virar na marra com o celular”, disse.

A CRÍTICA  fez testes em cinco orelhões nesta semana, para verificar se as ligações para telefones fixos  ainda estão liberadas de forma gratuita (veja no boxe ao lado),  mas não obteve sucesso; as ligações não eram completadas ou “caiam”.

Remanescentes

Segundo a operadora Oi, o Amazonas possui cerca de 15 mil orelhões instalados em todo o Estado, sendo que 7.700 mil apenas na capital amazonense. Dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mostram que, entre os anos de  2004 e 2014, o Brasil perdeu um terço dos aparelhos públicos. Em 2004 eram 1,3 milhão de orelhões. Em 2014 existiam pouco mais de 800 mil.

Ninguém encontra os cartões

Se é complicado para os usuários encontrar um orelhão funcionando na cidade, comprar cartões com créditos também virou missão quase impossível.  Há alguns anos os cartões eram encontrados facilmente em bancas de revistas, mercadinhos e lojas. 

A dona de casa Adriana Alves, 40, contou que percorreu vários estabelecimentos comerciais na Praça 14 de Janeiro, bairro onde ela mora e não conseguiu comprar o tal cartão. “Tive problemas e estou sem celular e às vezes a gente precisa fazer uma ou outra ligação. Eles me falaram que nem vendem mais”, lembrou. 

A Oi informou que os cartões telefônicos podem ser encontrados nos mais diversos locais como bancas de revistas, armarinhos, farmácias e papelarias. A CRÍTICA percorreu alguns comércios no bairro São José, Zumbi e Centro da cidade, mas não encontrou nenhum que ainda vendessem cartões. 

Ligações gratuitas para fixo

 Em 2015, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) determinou que as ligações feitas para telefones fixos em orelhões da Oi não poderiam ser cobrados em 15 estados, incluindo o Amazonas. A decisão foi tomada após a Oi não ter atingido o patamar mínimo de disponibilidade nesses  estados.

Segundo a regra, a disponibilidade de planta de orelhões deveria ser de no mínimo 90% em todos os estados e de no mínimo de 90% em regiões atendidas apenas por orelhões. A partir do dia 1º de abril do ano passado a gratuidade se estenderia para telefones móveis com o mesmo DDD e no mês de outubro para celulares com DDD diferente. As ligações seriam gratuitas até que esses patamares de disponibilidade fossem alcançados. 

A CRÍTICA questionou a  operadora se as ligações ainda deveriam estar gratuitas ou se esses patamares já foram alcançados no Amazonas. A empresa informou que cumpre as determinações da Anatel de conceder a gratuidade em chamadas locais e de longa distância nacional para telefones fixos, feitas a partir de sua rede de telefonia pública no Amazonas.  


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