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'Por dia, morrem mais de 237 pessoas no AM’, dispara Omar Aziz sobre saúde pública

Declaração foi dada pelo governador Omar Aziz, durante a leitura da Mensagem Governamental que abriu o ano legislativo de 2013, sobre a precariedade do sistema de saúde pública no interior do Estado 06/02/2013 às 08:55
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Governador Omar Aziz apresentou, na tribuna da ALE-AM, projetos de sua gestão, este ano, principalmente para o interior
kleiton renzo ---

Mesmo com orçamento anual de mais de R$ 2 bilhões, a saúde pública estadual, nas palavras do governador Omar Aziz (PSD), ainda deixa morrer, por falta de atendimento especializado, mais de 237 pessoas diariamente em todo o Amazonas.

“Eu não tenho noção, mas acredito que morra no Amazonas, diariamente, uma ‘Santa Maria’, por falta de assistência médica. Se lá morreram 237, infelizmente, no nosso Estado, morrem diariamente 237 pessoas ou mais por falta de assistência médica”, declarou Omar, nesta terça-feira (05), em discurso na Assembleia Legislativa (ALE-AM), durante a leitura da Mensagem Governamental que abriu o ano legislativo de 2013.

Os recursos financeiros destinados à Secretaria Estadual de Saúde (Susam) representam 15,68% dos quase R$ 13 bilhões estimados no orçamento do Estado do Amazonas para este ano. No entanto, segundo o titular da Susam, Wilson Alecrim, apenas 12 dos 62 municípios contam com hospital com equipe básica de atendimento: médicos, especialistas e enfermeiros. “Não mais do que 20% (dos municípios). Mas todos possuem pelo menos um clínico-geral”, garantiu Alecrim.

Mesmo com a formação de 462 médicos pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) nos últimos cinco anos, ainda são necessário mais da metade desse número de profissionais para deixar o interior do Estado tranquilo em atendimento médico. “O déficit de médicos no interior deve considerar as necessidades na esfera do governo estadual e dos municípios. Nas unidades do Estado, ultrapassa a 250 profissionais”, disse Alecrim, que revelou ainda, que além de especialistas em Pediatria, o interior carece de médicos cirurgiões, anestesistas, ginecologistas-obstetras. Na capital as maiores carências são dos especialistas em neurologistas, otorrinolaringologistas, intensivistas, dermatologistas, pediatria e oncologistas, esté último com mais necessidade.

Em seu discurso Omar Aziz prometeu que este ano o governo deverá investir em saúde no interior do Estado mais de

R$ 659 milhões em infraestrutura, mas reclamou da falta de médicos. “Nós temos hospitaismas não temos profissionais. E não se faz saúde sem profissionais especialistas para atender as pessoas. Porque senão elas morrem”, disse o governador.

Sobre a declaração de Omar, Wilson Alecrim disse que o governador não falou de caso concreto, mas em tese. “O governador falou em tese de um assunto que preocupa a todos os gestores, usou o exemplo de Santa Maria no sentido de que, da mesma forma como o País inteiro se dedicou ao assunto, também fizesse o mesmo em relação aos municípios que não possuem médicos para assistir as suas populações”, amenizou Alecrim.

Projeto facilita validação de diploma

De 1970 até 1999, o Brasil era signatário de um acordo de cooperação acadêmica que validava automaticamente diplomas de medicina expedidos por países latinos e caribenhos, a partir do ano de 2000 as validações passaram a ser feitas por universidades públicas brasileiras.

A partir de 2010, o Brasil instituiu o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeiras, o Revalida, que procurou padronizar essa validação no País, no entanto, o processo é considerado difícil entre os médicos. Estudo feito pelo Conselho Federal de Medicina, mostrou que dos 677 participantes em 2011, apenas 65 conseguiram aprovação.

Em busca de tornar o processo de validação dos diplomas mais brandos, tramitam no Senado dois projetos que tentam essa mudança. Um, do senador Roberto Requião (PMDB-PR), e outro da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). “Ele (o projeto) ainda está na Comissão de Assuntos Sociais, mas temos a promessa da presidente de regulamentá-lo. O nosso projeto não transforma a validação automática, e isso não foi entendido pelos médicos brasileiros”, disse Vanessa.

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