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Por trás da manifestação: moradores que fecharam avenida vivem de promessas no alagado

Manifestantes que paralisaram o trânsito na última quarta-feira (27), buscando inclusão em etapa do Prosamim, vivem no pior dos mundos e são vítimas de promessas não cumpridas 29/05/2015 às 21:33
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Moradores do bairro Presidente Vargas reclamam de condições da área - que pioraram com a cheia
oswaldo neto Manaus (AM)

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O protesto que deixou milhares de motoristas presos no congestionamento da avenida Constantino Nery na última quinta-feira foi motivado pelo “descaso”. Os manifestantes que bloquearam a via e promoveram um tumulto num horário de pico são moradores de uma área alagada do bairro Presidente Vargas, Zona Centro-Sul. Lá, a maioria das casas foi invadida pela água devido à cheia.

O cenário encontrado é de risco e insatisfação dos populares que, conforme relatam, é um sentimento que já dura meia década.   Parcialmente destruída, a residência da aposentada Maria das Dores da Silva, 66, é um dos piores exemplos da comunidade.

Com a água coberta de lixo invadindo vários cômodos e oferecendo riscos à saúde, ela vive com 12 cachorros e galinhas de estimação que, segundo ela, são “ameaçadas” por cobras que surgem pela água. Mas esse ainda não é o principal problema.

No local, a idosa  aguarda a descida do rio em uma estrutura com risco de desabamento. “Estou esperando há cinco anos o Prosamim me tirar daqui. Gostaria muito de receber a indenização pra comprar minha casa”, afirmou a aposentada.


Última alternativa

De acordo com um dos líderes da comunidade, Jucemir dos Santos Martins, mais de 300 famílias moram no local há muitos anos. Ele conta que a manifestação realizada nessa semana foi uma das últimas alternativas dos populares.

Conforme ele conta, todos estão cansados de receberem promessas para implantação do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim) na área.

“Estávamos cheios de tanta conversa. No mesmo dia (quarta-feira) tivemos uma reunião com o Prosamim e eles nos deram um prazo. Pedimos desculpas pelo transtorno,  mas a nossa intenção foi pedir  dos governantes que olhem com mais carinho essa comunidade, que sofre desde 2010”, declarou.


Medidas

De acordo com a coordenação da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), responsável pelo Prosamim, 272 famílias do bairro Presidente Vargas estão cadastradas para reassentamento. No local está programada uma intervenção com início de obras previsto para o segundo semestre de 2016.

Já a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) informou que realizou ainda ontem o cadastramento dos moradores da localidade, os quais passarão a receber o benefício do auxílio aluguel durante o período da cheia.   

Auxílio aluguel

Conforme o último balanço divulgado pela Semasdh, 984  famílias foram cadastradas para receber o auxílio aluguel da Prefeitura até o momento. Os moradores vivem nos bairros São Jorge, Tarumã, Mauazinho e Educandos, sendo este último o bairro com maior número de famílias atingidas. Somente lá, segundo a Semasdh, são 503 famílias que foram beneficiadas.


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