Quarta-feira, 16 de Outubro de 2019
Problema Água

Por uma gota de dignidade

Problema de abastecimento se arrasta por gerações há mais de 20 anos



1.jpg Moradores do Jorge Teixeira II, Zona Leste, protestam por falta d'água
19/04/2012 às 08:30

Pauta recorrente nas campanhas eleitorais, a carência no abastecimento de água prejudica mais de 500 mil moradores, principalmente nas zonas Norte e Leste de Manaus. Nos últimos dez anos, mais de R$ 585 milhões foram aplicados pelo poder público no sistema de captação e distribuição de água na cidade. A precariedade desse serviço imprescindível à qualidade de vida da população, contudo, permanece.

A cada disputa eleitoral, o problema assume status de principal item da agenda dos candidatos a prefeito do município, desde que a Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama) foi privatizada, em 2000, na gestão do então governador Amazonino Mendes. Na campanha pela Prefeitura de Manaus, que já está nas ruas e nas Casas Legislativas, o tema tem sido tratado como um cabo de guerra entre os porta-vozes de prefeituráveis que buscam, mais do que um conserto do problema para dar resposta à sociedade: buscam marcar posição diante dos holofotes da imprensa.



Esse contexto favoreceu a reedição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), na Câmara Municipal de Manaus (CMM) para investigar o que já foi investigado em 2005. O primeiro mês de atividade da CPI ficou marcado por um festival de desencontros. Se concluir os trabalhos (o que deve ocorrer até 12 de junho), o máximo que o grupo de vereadores que investiga se a Águas do Amazonas descumpriu metas do contrato firmado com a Prefeitura de Manaus poderá fazer, será sugerir ao prefeito Amazonino Mendes (PDT) o rompimento da concessão.

Poderá também encaminhar ao Ministério Público Estadual (MPE) documentos para que o caso seja denunciado à Justiça. Ocorre que essas medidas já foram tomadas em 2005. Todavia, nem o contrato foi rompido, acabou sendo repactuado, nem o problema do desabastecimento foi resolvido. Responsável pela repactuação, o ex-prefeito Serafim Corrêa (PSB) afirma que o rompimento traria mais problemas. E o município ainda teria, segundo ele, que devolver R$ 485 milhões à empresa.

 Enquanto, meio milhão de habitantes padecem com as mazelas do sistema de abastecimento, uma obra que consumiu R$ 365 milhões de recursos públicos ainda não levou uma única gota sequer de água às torneiras da periferia de Manaus. O Programa Águas de Manaus (Proama), bancado com verba do Governo Federal, foi vendido no governo de Eduardo Braga (PMDB) como solução para o problema. Segundo o governador Omar Aziz, ainda são necessários mais R$ 60 milhões para integrar o programa à rede de distribuição da cidade.


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