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OBSTÁCULOS

Portadores de nanismo de mobilizam e criam associação para lutar por seus direitos

Conforme com a Associação de Pessoas com Nanismo do Amazonas (Asnam), a cada 100 mil partos, uma criança nasce com nanismo no Brasil. No entanto, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não possui dados sobre a ocorrência de nanismo no País 22/05/2016 às 12:00 - Atualizado em 23/05/2016 às 11:23
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Januário e o filho Samuel, de 5 anos, possuem nanismo e têm dificuldade até para entrar no ônibus, que são altos (Foto: Antônio Lima)
Kelly Melo Manaus (AM)

O auxiliar administrativo Januário Rodrigues da Silva, 33, tem uma vida normal apesar dos seus 1,25 metro. Embora ele encontre diversas dificuldades em seu dia a dia, a baixa estatura não o impediu de trabalhar  ou mesmo construir uma família: empregado de carteira assinada, ele é casado e tem dois filhos (um deles também com nanismo).

Mas diferente de Januário, há pessoas com nanismo que enfrentam um pouco mais de dificuldade para se aceitar e ter qualidade de vida. Por esse motivo, um  grupo de “anões” está se articulando para criar a Associação de Pessoas com Nanismo do Amazonas (Asnam), em Manaus, seguindo o exemplo de outros Estados.

Um dos precursores da ideia é o produtor comercial Luiz Carvalho, 43. De acordo com ele,  a proposta surgiu depois de várias conversas com outros “anões e nanicos”  que enxergaram a necessidade de ampliar as discussões sobre o tema e reconhecem a necessidade de haver mais políticas públicas que amparem as pessoas com nanismo. “Geralmente as pessoas olham para nós e querem fazer uma ‘gracinha’ ou uma piada. Mas a verdade é que temos uma série de problemas, uma vez que a cidade não possui acessibilidade para pessoas como a gente”, relata ele.

Infraestrutura

No Brasil, o nanismo é classificado como deficiência física e, assim como pessoas com outras deficiências, as pessoas com nanismo também  reclamam da falta de aparelhamento na cidade que possam atendê-los. “Eu sempre tenho pedir ajuda para as pessoas, principalmente quando vou ao caixa eletrônico ou pagar uma conta. Até para subir as calçadas é complicado às vezes porque elas foram construídas altas demais ou desniveladas”, disse Carvalho, que além de medir 1,35 metro, também possui dificuldade para andar, devido um problema nos joelhos.

Reuniões

Na opinião de Luiz e Januário, a criação da Asnam vai possibilitar que pessoas com nanismo lutem por seus direito e busquem melhorias para eles.

Oficialmente, a associação ainda está em fase de criação e deve ganhar corpo jurídico até o fim do mês, mas as primeiras reuniões do grupo já estão sendo realizadas. Depois disso, o grupo deverá  realizar assembleias para escolher os representantes da instituição. A iniciativa está sendo apoiada pela Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc).

Nanismo tem mais de 200 causas

De acordo com especialistas, é considerada pessoa com nanismo o homem que mede menos de 1,45 metro na idade adulta e a mulher com menos de 1,40 metro.  Também considerada como deficiência física desde 2004, pelo Decreto 5.296 da Presidência da República, existem mais de 200 causas médicas catalogadas para o nanismo.

A deficiência pode ser classificada em dois grandes tipos morfológicos: o pituitário, que decorre de alterações hormonais, e o rizomélico, causado por mutações genéticas.

Conforme com a Associação de Pessoas com Nanismo do Amazonas (Asnam), a cada 100 mil partos, uma criança nasce com nanismo no Brasil. No entanto, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não possui dados sobre a ocorrência de nanismo no País.

No Senado, tramita um projeto de lei que pretende criar o  Dia Nacional do Combate ao Preconceito à Pessoa com Nanismo. A data escolhida é 25 de outubro, que já é reconhecida por outros 29 países.

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