Publicidade
Manaus
DST/Aids

Portadores do vírus HIV no Amazonas esperam ansiosos pela nova medicação

O medicamento Dolutegravir apresenta um nível de efeitos colaterais muito baixo e será oferecido pelo SUS para aproximadamente 100 mil pacientes portadores do vírus 07/10/2016 às 07:00
Show hiv
Com mais exames para detecção, AM assumiu o segundo lugar no ranking. Foto: Reprodução/AM
Luana Carvalho Manaus (AM)

Pacientes que vivem com HIV/Aids no Amazonas, Estado que ocupa a segunda posição do ranking nacional de casos de Aids, com  taxa de  29,2 casos por 100 mil habitantes, estão otimistas para a chegada do  medicamento antirretroviral Dolutegravir, considerado o mais indicado para tratamento por apresentar um nível de efeitos colaterais muito baixo, a partir de 2017.

O tratamento será oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para aproximadamente 100 mil pacientes portadores do vírus. De acordo com o presidente da Rede de Amizade das Pessoas com HIV/Aids,  Edson Gonçalves, os soropositivos estão contentes com novo medicamento de primeira linha.

“Será uma alternativa principalmente para pessoas que tem falha terapêutica (efeitos colaterais graves ou  falta de resposta sustentada à terapia antirretroviral), pessoas que não conseguem aderir a outro medicamento. De certa forma, é um medicamento com menos efeitos colaterais”.

Edson considera o novo medicamento uma vitória. “Antigamente as pessoas tomavam vários medicamentos e hoje em dia está reduzindo até a quantidade e o tamanho das pílulas”. Ele acredita que a triagem para uso do medicamento deverá ser feito pelo próprio infectologista. “Existe um exame, a genotipagem, que é o método de saber se o medicamento está realmente fazendo efeito. Com isso, é possível saber quem necessita do novo medicamento”.

Aquisição

De acordo com o Ministério da Saúde, a partir da negociação com a indústria farmacêutica GSK, a pasta conseguiu reduzir em 70% o preço do medicamento, de US$ 5,10 para US$ 1,50. Assim, a incorporação do Dolutegravir não altera o orçamento atual do Ministério da Saúde para a aquisição de antirretrovirais, que é de R$ 1,1 bilhão. Mantidas as negociações atuais para todos os tratamentos com antirretrovirais, a estimativa do Ministério da Saúde é de uma economia de R$ 5 milhões.

O novo medicamento apresenta um nível muito baixo de eventos adversos, o que é importante para os pacientes que devem tomar o medicamento todos os dias, para o resto da vida. Com menos eventos adversos, os pacientes terão melhor adesão e maior sucesso no tratamento.

Atualmente, o esquema de tratamento das pessoas na fase inicial é composto pelos medicamentos tenofovir, lamivudina e efavirenz, conhecido como 3 em 1. A partir de 2017, o dolutegravir associado ao 2 em 1 (tenofovir e lamivudina) será indicado no lugar do efavirenz para pacientes que iniciem tratamento e aqueles que apresentam resistência aos medicamentos mais antigos.

Epidemia desde 1980

Desde o começo da epidemia, o Brasil registrou 798,3 mil casos de Aids, acumulados no período de 1980 a junho de 2015. No período de 2010 a 2014, o País registrou 40,6 mil casos novos por ano, em média. Em 2015, o Amazonas assumiu a segunda posição do ranking nacional, ficando atrás somente do Rio Grande do Sul. Conforme o Ministério da Saúde, a taxa de detecção da doença no Amazonas foi de 29,2 casos por 100 mil habitantes, com 1.859 novos registros de Aids em 2015.

Publicidade
Publicidade