Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2020
LIDERANÇA CATÓLICA

Posse de novo arcebispo de Manaus entra em contagem regressiva

Leonardo Steiner irá substituir dom Sérgio Eduardo Castriani, que celebrou sua última missa enquanto administrador apostólico na Arquidiocese de Manaus, no domingo (26)



bispos2_43F479E8-E9CC-4128-9A95-F8A29C4A255A.JPG Foto: Euzivaldo Queiroz
29/01/2020 às 06:54

Na manhã de domingo, dia 26, o arcebispo dom Sérgio Eduardo Castriani, 65, celebrou sua última missa enquanto administrador apostólico na Arquidiocese de Manaus. Durante a homilia, proferida na Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, Centro da cidade, destacou que não se tratava de uma despedida e declarou sua vontade de continuar atuante. A mensagem emocionou o pároco da Catedral Metropolitana, Joaquim Hudson Ribeiro, que confessou ter feito certo esforço para segurar as lágrimas.

“Foi um rito de passagem que indicou a permanência dele”, definiu Ribeiro. Ele acredita que a chegada no novo arcebispo da capital, dom Leonardo Ulrich Steiner, 69, deve representar um seguimento do trabalho realizado por Castriani em quase sete anos no comando da arquidiocese, marcado pela criação de regiões episcopais e grupos de leigos e leigas.



“A inteligência dele marcante, e a experiência no interior serviu para aproximá-lo das pessoas da periferia de Manaus, onde nossa comunidade está presente”, ressaltou o padre. “A palavra ‘missão’ se destacou nesse período, de acordo com a orientação do papa Francisco, e as questões externas à igreja ganharam mais atenção”.

Em novembro do ano passado, Castriani solicitou a renúncia do cargo, já bastante debilitado pelo mal de Parkinson. O pedido foi aceito pelo papa Francisco, que escolheu dom Leonardo Steiner como sucessor. Apesar da dificuldade em conduzir as cerimônias, problema que se agravou nos últimos dois anos, Ribeiro afirma que evitou tratá-lo como um “pobre homem”. “Ele se mostrou disposto a reagir e prosseguir na missão de pastoreio”, lembra.

Hoje, Castriani exerce a função de administrador apostólico da arquidiocese. Após a posse de dom Leonardo, marcada para as 19h da próxima sexta-feira na Catedral Metropolitana, ele se tornará arcebispo emérito da capital amazonense. A igreja tem capacidade para 1.200 pessoas, mas Ribeiro estima que o número de fieis que participarão da cerimônia será maior; por isso, serão disponibilizadas cadeiras extras e dois telões na área externa da Matriz. Bispos da região norte também comparecerão à missa de posse.

Na opinião do pároco, dom Leonardo assume o posto em um momento favorável à igreja católica, tendo em conta o significado do Sínodo da Amazônia para a evolução da chamada “ecologia integral”. A expressão considera o aspecto humano tão importante quanto o ar, a água e demais elementos que compõem o meio-ambiente. Nesse sentido, a acolhida, o cuidado e a missão formam a tríade essencial de ações direcionadas às populações mais pobres.

“Essas palavras têm um significado mais amplo, de cunho pastoral e profético, para o tempo de hoje”, explica Ribeiro, que não poupa elogios ao citar o currículo do novo superior. “Ele veio da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e esteve à frente da prelazia de São Félix do Araguaia, na qual atuou também o bispo dom Pedro Casaldáliga, referência na luta indígena”.

Dom Leonardo Steiner era professor

Durante 27 anos, Aílton Francisco da Silva, 54, prestou assistência em eventos promovidos pela igreja católica no interior do Amazonas, como procissões de Corpus Christi, Pentecostes e festas de padroeiras.

Nas celebrações presididas por dom Sérgio Castriani, a acolhida aos fieis e as pregações cativavam a atenção de Francisco.

“Apesar dos problemas de saúde, ele tentou administrar a Arquidiocese da melhor forma possível”, avaliou. “Ainda não conheço o novo arcebispo, mas estamos prontos para auxiliá-lo nessa caminhada”, disse Francisco, autodenominado recepcionista da Catedral da Matriz, cuja tarefa é orientar os turistas que visitam o local.

Frequentador da Igreja da Matriz há seis anos, o aposentado José Flávio Freire, 74, admitiu que não conhecia a trajetória de dom Leonardo Steiner, mas lembrou que “a missão da Igreja sempre foi acolher e entregar à bondade de Deus”.

Dom Leonardo Ulrich Steiner é natural do Município de Forquilhinha (SC), onde nasceu em 5 de novembro de 1950. Aos 21 anos, ingressou na Ordem dos Frades Menores (OFM) e admitido no Noviciado desta Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil.

Entre 1973 e 1978, cursou Filosofia e Teologia em Petrópolis (RJ). Seu primo, o cardeal Paulo Evaristo Arns, importante figura de resistência à ditadura militar brasileira, ordenou Steiner como padre em 21 de janeiro de 1978, em sua cidade natal. Trabalhou como professor antes de concluir o curso de Pedagogia, em 1982, atuando como “mestre de noviços” de 1987 a 1994. Cursou mestrado e doutorado em Filosofia no Pontifício Ateneu Antoniano, em Roma, onde trabalhou como secretário geral.

Foi nomeado vigário da paróquia do Senhor Bom Jesus em Curitiba, onde também passou a lecionar na Faculdade de Filosofia São Boaventura. O Papa João Paulo II nomeou Steiner como bispo para a Prelazia de São Félix do Araguaia (MG) em 2 de fevereiro de 2005.

Steiner foi ordenado bispo em 16 de abril do mesmo ano, em Blumenau (SC), pelo cardeal Paulo Evaristo Arns.

No dia 20 de abril de 2015, foi reeleito secretário-geral da CNBB. Junto com outros eclesiásticos, dom Leonardo mobilizou toda a Igreja no Brasil para a reforma da sede nacional da CNBB, em Brasília. Seu mandato foi concluído no dia 10 de maio de 2019.

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Repórter de Cidades
Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Além de A Crítica, já atuou em uma variedade de assessorias de imprensa e jornais, com ênfase na cobertura de Cidades e Cultura.

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