Segunda-feira, 08 de Março de 2021
CUIDADO REDOBRADO

Possível surto de esporotricose preocupa donos de gatos em Manaus

Confirmação de quatro casos e suspeita de outros 22 da doença, na capital, faz com que tutores de felinos liguem sinal de alerta e tomem precauções. Especialista alerta para que donos evitem abandono dos felinos e busquem tratamento



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14/12/2020 às 15:49

A ocorrência de casos de esporotricose animal, em Manaus, tem chamado a atenção de tutores de gatos. Até esta segunda-feira (14), a Secretaria Municipal de Saúde da capital (Semsa) confirmou quatro casos da doença pelos bairros Glória e São Raimundo, na zona Oeste, além de Aparecida, na zona Sul. Outros vinte e dois casos suspeitos seguem sendo analisados pela equipe do Centro de Controle de Zoonoses da Semsa.

A pedagoga Bruna Souza, 30, por exemplo, já entrou em alerta, já que na casa onde mora há nove gatos. Quatro são de responsabilidade dela e os outros do restante dos familiares. Apenas uma gata costuma passear pelas ruas.



“A casa é murada, gradeada e telada, mas minha avó permite que uma das gatas vá para casa do meu tio, que fica ao lado da nossa.” explicou ela, que mora no bairro São Lázaro, zona Sul.  “Fico preocupada principalmente com essa que tem acesso a rua. Pode acabar se contaminando e trazendo para dentro de casa. Agora que minha irmã está vigiando para que minha avó não permita que ela saia”.

O professor de história, Thiago Rocha de Queiroz, 33, também tem o mesmo receio. Ele é dono de três gatos e mora no bairro Redenção, zona Centro-Oeste. “Vale qualquer alerta, pois a gente fica em contato constantemente com eles. São os meus parceiros no cotidiano”.

Atenção para cuidado

De acordo com a médica veterinária Patrícia de Paula Roberto, diretora do Centro de Controle de Zoonoses de Manaus, a atenção da equipe é maior pelas áreas da zona Oeste e Sul, onde há casos registrados da doença. No entanto, ela alerta toda a população a fim de evitar a contaminação em outras áreas da cidade.

“As recomendações que estou frisando muito é de que as pessoas tenham a consciência para não abandonar os animais nessa situação. A doença tem tratamento e precisa ser acompanhada pelo médico veterinário”, ressaltou. Segundo ela, os animais identificados já estão em tratamento pelo CCZ e a ideia é montar um espaço para o atendimento de animais com suspeita de lesão característica de esporotricose.

“Os animais residenciais, nós já estamos trabalhando com eles. Nós visitamos casa a casa, já foi feito a coleta de material e eles já começaram a ser tratados. Os animais de rua, nós estamos tentando o apoio com os protetores dos bairros para recolher esse animal a fim de avaliar e fazer o tratamento”, destacou.


População de animais de rua, especialmente gatos, é motivo de preocupação para equipe do CCZ. Foto: Junio Matos

“Vamos isolar uma área no Centro de Zoonoses para começar a receber os animais com suspeita aqui. Nós vamos tentar montar uma sala com veterinário para ela fazer a avaliação clínica desse animal, a gente aproveita para fazer a coleta no laboratório e já realizamos o tratamento. A gente pede que quem tem condições financeiras, leve a uma clínica veterinária mais próxima de casa para a rápida análise”.

No caso de óbito de animais doentes, é importante não jogá-los no lixo, rios ou enterrá-los, pois o fungo sobrevive na natureza. Os animais mortos devem ser cremados. Para isso, o proprietário deve entrar em contato com o Centro de Controle de Zoonoses que providenciará a remoção da carcaça.

É fundamental o uso de luvas ao manipular gatos doentes ou em tratamento, e que eles sejam isolados em local seguro, que deve ser higienizado com água sanitária. Vale lembrar que mesmo durante todo o tratamento, o animal poderá transmitir a doença ao proprietário. Caso a doença apareça em humanos, a recomendação da Semsa é que se dirija até uma Unidade Básica de Saúde mais próxima para início de tratamento.

Qualquer suspeita de lesão característica de esporotricose no animal, a população pode entrar em contato com o CCZ Manaus através do número: 0800-280-8280.

O que é esporotricose

A esporotricose é uma doença de origem infecciosa, transmitida por fungos, que vivem em solo, e pode afetar tanto animais quanto humanos. Nos gatos aparecem feridas profundas, geralmente no focinho e nos membros, que não cicatrizam, podendo progredir para o resto do corpo. Os sinais clínicos que podem ser observados incluem perda de peso, apatia e secreção nasal. Nos humanos acomete a pele e a parte profunda da pele, causando lesão única ou múltiplas, iniciando pelo local onde o fungo penetrou. Essas lesões iniciam com caroço, que pode se romper, formando uma ferida de difícil cicatrização.

O fungo da esporotricose pode ser transmitido ao gato e às pessoas pelo contato com materiais contaminados, como casca de árvores, palha, farpas, espinhos ou terra. O gato contaminado transmite a doença para outros gatos e para as pessoas, por meio de arranhões, mordidas ou contato direto com a pele lesionada. Após a inoculação na pele, há um período de incubação, que pode variar de poucos dias a 3 meses (média de 3 semanas), podendo chegar a 6 meses.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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