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Manaus
ADULTERADOS

Posto de combustíveis é interditado após vender gasolina com água em Manaus

Após mais de 10 clientes denunciarem o problema, a Agência Nacional de Petróleo constatou 60% de água nas amostras e lacrou as mangueiras. Um processo será aberto para investigar o caso 05/07/2016 às 15:13 - Atualizado em 05/07/2016 às 17:06
Oswaldo Neto Manaus (AM)

Um posto de combustíveis localizado na avenida Castelo Branco, bairro Cachoeirinha, Zona Sul, teve suas bombas lacradas na tarde desta terça-feira (5). A interdição foi realizada pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Naturais e Biocombustíveis (ANP), que constatou a existência de água na gasolina comum e etanol vendidos no posto.

A denúncia contra o estabelecimento foi feita por mais de 10 clientes que abasteceram no local durante a manhã de hoje Em todos os casos, os veículos que receberam gasolina comum ou álcool apresentaram defeito a poucos metros do posto de gasolina.

“Abasteci R$ 30, não andei 100 metros e o carro já falhou. Parou total e não funcionava. Voltei dessa distancia a pé. Cheguei aqui no posto e disseram que o problema não era a gasolina. Pedi R$ 5 reais de gasolina e vi na coloração do balde a água. E em seguida foi chegando muita gente”, disse a técnica em enfermagem Audinéia Pascoal, 44.

A funcionária pública Wilma Ribeiro, 52, também percebeu o problema logo após sair do posto. “Meu irmão trouxe um mecânico. Ele me mandou comprar um aditivo porque ele achava que era gasolina. Quando ele tirou (a gasolina) ele viu a garrafa cheia de água. Ele disse ‘vai ter que guinchar, ele não anda mais’”, relatou a servidora.

Funcionários falam em infiltração, ANP contesta

Após serem chamados ao local, os técnicos da ANP coletaram amostras em todas as bombas e constataram que tanto a gasolina comum vendida no local quanto o etanol apresentavam cerca de 60% de água.

“Essa mistura danifica o veículo. Não tem pra onde. Se tiver água no veículo ele causa todo esse problema”, afirmou o coordenador regional da ANP, Luciano Fernandes.

Funcionários do posto afirmaram que o problema pode ter sido causado por uma enxurrada trazida pela chuva, a qual teria infiltrado nos tanques de combustíveis no subsolo.

A versão foi contestada pelo coordenador da ANP. “É complexo dizer isso. Porque, por exemplo, a gasolina aditivada não estava (fora de especificação), então porque seletivamente a gasolina comum estava? Então não vejo muito sentido nessa afirmação, mas cabe ser analisado com mais cuidado. É prematuro a gente fazer qualquer juízo de valor”, disse ele.

O posto de combustível foi autuado e um processo administrativo será aberto no órgão. Três mangueiras de combustíveis foram lacradas. Ainda de acordo com o coordenador, o posto será notificado para remover o combustível restante do local. “Só então quando ele tiver normalmente limpo e acondicionado é que eles vão poder receber um combustível especificado para voltar a ser comercializado”, declarou.

Os proprietários do estabelecimento informaram que pagaram o conserto dos carros danificados. Ele também disseram que vão repor o combustível pago.

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