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Praças e parques de Manaus ainda são principais pontos para pichações e assaltos

Mesmo com a presença de policiais e guardas metropolitanos, o vandalismo nas praças da Saudade e dos Bilhares intimidam os frequentadores, enquanto que nas praças Jefferson Peres e Rio Negro as pessoas pedem passear com tranquilidade 07/06/2015 às 18:22
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Outro ponto bastante frequentado pela população de Manaus logo após a revitalização, mas que também virou alvo de vandalismo é a Praça da Saudade
Isabelle Valois Manaus (AM)

Nos últimos dez anos, milhões de reais foram investidos na construção, reforma e revitalização dos parques e praças da capital pelos governos estadual e municipal. Espaços que servem para o lazer, prática de atividades físicas e socialização, mas que, mesmo com a presença constante de guardas municipais e vigilantes terceirizados, continuam a ser alvos de vandalismo.

Um exemplo dessa triste realidade é o Parque dos Bilhares. Entregue à população no aniversário de Manaus, em 2006, o parque passou por uma reforma iniciada em 2013 e concluída em 2014. Mesmo após a revitalização e com a presença contínua dos guardas municipais, vândalos continuam a destruir um dos muito frequentado por quem vive na cidade.

O autônomo Ricardo Chagas frequenta o parque diariamente, acompanhado da esposa para a prática de atividade física. Ele contou que antes da reforma, chegou a ser abordado por dois homens na área do fundo do parque, que lhe roubaram o celular. “Desde o ocorrido, comecei a observar que outras pessoas também eram vítimas nesta área e informei a guarda municipal para que a vigilância pudesse ser constante”, explicou.

Depredados

Além dos assaltantes, os vândalos também são “inimigos” do lazer, destruindo as luminárias, grades das quadras, chuveiros e até os aparelhos de ginástica implantados na reforma. “O problema é que, além da guarda municipal, precisamos que a comunidade que frequenta o parque, no momento em que avistar algum ato de vandalismo, acione a guarda, para evitar a destruição de um espaço que é de todos”, lembrou Ricardo.

Só na saudade

Outro ponto bastante frequentado pela população de Manaus logo após a revitalização, mas que também virou alvo de vandalismo é a Praça 5 de Setembro, no Centro, mais conhecida como Praça da Saudade. Após décadas de abandono, ela foi reinaugurada em 2008 e sua estrutura passou por um resgate histórico. Mas, nos últimos anos, a população tem evitado frequentar o local por causa dos assaltos que vêm ocorrendo na região.

A proprietária da banca de revista da praça da Saudade, Conceição Sales, 47, que há 17 anos trabalha no logradouro, relatou que a falta de segurança na praça tem afastado visitantes e até a comunidade.

“Não se pode mais sentar no banco da praça sem que se seja vítima de um assalto. Minha venda caiu muito por causa desse problema, pois até os estudantes, quando passam pela praça, vão direto para a parada, com medo de serem a próxima vítima”, detalhou.

Dia e noite

Conceição disse que, no horário da noite, os vândalos aproveitam para pichar as muretas da praça. “Nem o monumento em homenagem ao Tenreiro Aranha escapou das ações dos vândalos”. E o problema continua de dia. “O pior é que, de dia, virou ponto estratégico de usuários de drogas. Isso afasta qualquer turista ou visitante”, reclamou.

Jefferson Peres e parque Rio Negro

O parque Senador Jefferson Peres, inaugurado em 2009 pelo governo do Amazonas, hoje é outra opção de lazer familiar. Usuários que frequentam o espaço elogiam o cuidado diário que o parque recebe e principalmente por haver um local destinado ao lazer, tanto para crianças quanto para os adultos.

O vigilante Edinaldo Ferreira da Silva, 47, todos os dias realiza suas atividades físicas no parque. Ele disse que considera todo o espaço do logradouro bem aproveitado. “Espero que Manaus possa ganhar outros parques semelhantes a este e que a população tenha consciência e colabore na preservação do espaço, como ocorre aqui no Jefferson Peres”, reforçou.

Novo parque

Inaugurado no dia 30 de abril deste ano, o parque Rio Negro, no bairro de São Raimundo, Zona Oeste, também se destina ao lazer, passeios, prática de esporte e incentivo à cultura. Mesmo com um problema final da execução do projeto, que tinha uma ciclovia central, porém recebeu uma placa proibindo a utilização dos ciclistas devido  a mudanças no projeto feito pela construtora Andrade Gutierrez, o parque é muito frequentado e apresenta  como “pano de fundo”, o rio Negro.

Para a dona de casa Maria Cordeiro Dourado, 53, que há 20 anos mora nas proximidades da orla do rio Negro, onde foi planejado o parque, relatou que antes o local era dominado pelo tráfico de drogas e considerado uma área perigosa. Agora, com o novo “point” de lazer, o clima de segurança retorna.

“Nem acredito que agora temos um parque agradável e um local maravilhoso para levar a minha neta para passear. Antigamente nem tínhamos como sair de casa e vivíamos ‘trancadas’. Pensei várias vezes em vender a casa e procurar algo melhor, mas na situação em que encontra esta área, ninguém se interessava pela casa, mas agora ganhamos uma vista maravilhosa e tranquilidade”, explicou a dona de casa.

O mestre de obras, José Peixoto, 57, mora no bairro Cachoeirinha, Zona Sul e  visitou pela primeira vez o parque há duas semanas. Por achar o parque familiar e bem cuidado, ele afirmou que voltará outras vezes com a sua família. “Pensava que em menos de uma semana o parque já estaria destruído, mas com a manutenção diária e a presença de guardas o

vandalismo não chegou por aqui. Espero que a população colabore na preservação do ambiente, se cada um fizer a sua parte, vamos longe”, disse.

O parque Rio Negro possui banheiros públicos para deficientes, pista para caminhadas, academia ao ar livre, quiosques para a comercialização de alimentos e bebidas, bancos para descanso e lazer.

Manutenção nos Bilhares e Saudade

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) informou que a reforma do parque Ponte dos Bilhares foi entregue em junho de 2014 com todos os equipamentos e serviços instalados, como playground, academia ao ar livre e mais de 200 postes de iluminação pública de LED.

Conforme a Semmas, a iluminação de LED tornou o parque, antes escuro, em um local bem iluminado e seguro. Para melhorar a segurança, a secretaria adicionou guaritas de segurança com rondas motorizadas da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana.

A secretaria contou que um muro de acesso clandestino foi fechado na reforma. Segundo a Semmas, este local colaborava na fuga dos vândalos.

Em menos de dois meses para completar um ano da revitalização, a secretaria retirou os três playgrounds (um na primeira e dois da segunda etapa) para substituir por novos parquinhos infantis, que foram instalados na semana passada.

Dos 14 equipamentos de ginástica e musculação da academia ao ar livre, a Semmas contou que apenas um deu problema e foi retirado para conserto.  Pelo regulamento de uso do parque, cães só adentram no local com guia e os seus proprietários com saquinhos para coleta das fezes, não tendo acesso às quadras.

Quanto à praça da Saudade, a Semmas informou que está programando uma ação de limpeza da pichação feita ao monumento central do logradouro, entretanto, o serviço só será realizado após  atividades comemorativas da semana do Meio Ambiente. “Lamentavelmente, o desrespeito ao patrimônio público leva a essas atitudes de vandalismo das quais os espaços urbanos são vítimas”, reforçou a secretaria por nota.

Em números, R$ 500 mil foi o valor investido na reforma do parque dos Bilhares,  de acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas). Os investimentos são de recursos oriundos de multas e processo de licenciamento ambiental do Fundo Municipal de Desenvolvimento e Meio Ambiente.

Abrigo na cabine

Nem mesmo as cabines telefônicas das praças escaparam do mau uso. É que, de acordo com frequentadores da praça, elas viraram “abrigo” para moradores de rua. A Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) iniciou um trabalho de acolhimento com essas pessoas, porém, depois de um período, eles acabaram retornando para o abrigo.

Sujeira

Quem frequenta a praça da Saudade reclama ainda dos transtornos provocados pelos moradores de rua que se “instalaram” no local. “Além de sujar e destruir a cabine do telefone público, eles sujam toda a praça, jogam resto de comida no chão e deixam roupas sobre as plantas”, reclamou uma frequentadora.


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