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Manaus
Perigo

Praia da Ponta Negra não tem salva-vidas suficiente para atender a população

Apesar do Termo de Ajustamento de Conduta que exige uma estrutura mínima de segurança, único balneário público de Manaus tinha apenas um profissional no último domingo e, em alguns dias da semana, eles são raros 25/09/2016 às 15:28 - Atualizado em 25/09/2016 às 19:01
Alik Menezes Manaus (AM)

Considerada uma das poucas opções de lazer gratuita na capital amazonense, a praia da Ponta Negra, na Zona Oeste, não tem salva-vidas suficiente para atender toda a extensão da praia. Banhistas temem que o passeio no cartão-postal da cidade possa acabar em tragédia pela falta de segurança. Vale lembrar que mais de 15 pessoas morreram afogadas no balneário desde a reabertura dele após a reforma, em junho de 2012.

A situação se agravou após a liberação de mais um trecho da praia. No domingo passado, a equipe do A CRÍTICA constatou que o número de salva-vidas presentes no balneário era insuficiente: em pleno domingo, dia de maior movimento no balneário, apenas dois monitoravam a faixa de praia em um quadriciclo e, nas cabines de observação não havia ninguém. Durante a semana a cena se repetiu.

O auxiliar de expedição Fernando Silva, 37, disse que a praia da Ponta Negra é um ótimo local para o lazer, mas que oferece riscos e deixa a desejar quando o assunto é segurança. “A praia é muito bonita, um lugar bacana para trazer a família, mas a gente fica até pensativo... e se tiver um afogamento? A gente não tem como prever ou explicar, mas sabemos que não tem é salva-vidas. É complicado”, disse.

Segundo a desempregada Hannyelly Cardoso, 20, uma tragédia pode acontecer a qualquer momento e a população não pode contar com a ajuda de salva-vidas no único balneário público da cidade. “Você está vendo algum? Estou aqui desde 8 da manhã e só vi um, depois ele sumiu. Se acontecer algo, até um deles chegar aqui a pessoa já morreu”, disse.

Para a jovem, a situação ficou ainda mais grave após a liberação de mais um trecho da praia, que não tem cabines e nem placas de orientação. A nova área, que vai do anfiteatro ao mirante e foi liberada no último fim de semana, não tem sequer cabines de observação para salva-vidas. “Do início da praia até o anfiteatro tem essas cabines aí, mas não tem nenhum salva-vidas lá, agora nessa nova área não tem é nada, nem cabine, nem sinalização e muito menos salva vidas. A gente fica esquecido aqui”, contou.

Bombeiros garantem que efetivo no final de semana chega a 30 profissionais

Apesar dos relatos de banhistas e da constatação da equipe de A CRÍTICA, o tenente do Corpo de Bombeiros João Filho garante que o efetivo na praia da Ponta Negra, nos finais de semana, varia de 20 a 30 profissionais.

Segundo o tenente, o efetivo trabalha do início da praia (próximo do Tropical Hotel) ao mirante, que é a área da praia liberada para os banhistas. Contudo, Filho disse que muitos banhistas ultrapassam a área permitida e vão para um parte que é conhecida como “prainha”. “Eles não podem ir para lá, não está liberada para banho, é uma área que oferece riscos porque tem muitas pedras. É perigoso”, disse.

Segundo o tenente, o efetivo de salva-vidas da Ponta Negra não pode atuar na “prainha”, mas os banhistas são orientados a não ultrapassarem os limites e há placas alertando para isso. “Sempre que algum banhista quer ultrapassar esse limite ele é orientado, mas não temos como ter alguém ali, proibindo toda hora. É uma escolha dos banhistas, eles sabem que não podem ir para a prainha, é proibido, tem sinalização alertando para isso”, disse.

TAC exige estrutura de segurança para balneário

Em 2013, após mais de 15 mortes por afogamento na Ponta Negra, órgãos como o Ministério Público Estadual (MPE), Implurb e o Corpo de Bombeiros assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que regulamentou a liberação da praia para banhistas.

Entre as medidas de segurança adotadas estão o monitoramento do nível do rio e colocação de bóias separando uma área segura para banhistas pelo Corpo de Bombeiros; monitoramento bimestral do leito dos rios e possíveis depressões por empresas contratadas pela prefeitura; e a instalação de ponto fixo de apoio com equipe permante.

O acordo diz ainda que seria criado um corpo permanente de segurança, com salva vidas, paramédicos, dois guarda vidas de quadriciclo e dois de moto aquática nos dias de maior fluxo de banhistas (quinta a domingo e feriados, das 8h às 18h). No entanto, essa estrutura não foi encontrada pela reportagem no balneário, esta semana ou mesmo no último domingo.

O MPE informou que as ações do TAC têm validade apenas para a área que foi aterrada e que, na época, oferecia riscos em algumas áreas, que é justamente a área liberada para banhistas hoje.

Mortes após reforma

As mortes por afogamento na praia da Ponta Negra começaram a acontecer após a revitalização do balneário, reaberto em junho de 2012. Por conta das mortes de banhistas, a praia foi interditada a pedido do MPE e um TAC foi firmado entre prefeitura e Corpo de Bombeiros.

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