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Manaus
IMPACTO

Preço da batata sobe 133,3% em feiras de Manaus com a greve dos caminhoneiros

A batata foi o produto que mais sofreu alteração no preço diante da paralisação nacional. A cebola ficou até 95% mais cara nas feiras e supermercados da capital 30/05/2018 às 07:29
Show batata
Preço da batata foi o que apresentou maior variação em função da greve dos caminhoneiros. O valor mais que dobrou nas feiras e mercados de Manaus. Foto: Alessandra Reis
Rebeca Beatriz Manaus (AM)

A greve dos caminhoneiros, iniciada na semana passada, já impacta diretamente no bolso do consumidor. Os preços de alguns alimentos mais que dobraram nas feiras e supermercados de Manaus. Hortifrutegranjeiros como cebola, batata e tomate são alguns produtos afetados. Com a alta nos preços, restaurantes de Manaus acumulam prejuízos. Além disso, a falta de milho e soja ameaça a produção de ovos e suínos no Estado.

A batata foi o produto que mais sofreu alteração no preço, subindo de R$ 3 para até R$ 7, uma variação de 133,3%. A cebola ficou até 95% mais cara: o preço saltou de R$ 4 para R$ 7,80. O tomate, cujo quilo era vendido antes da greve a R$ 4,50, agora chega a custar R$ 7,50.

Segundo a feirante Louise Bezerra, a alta nos preços não significa mais lucro para a categoria. Pelo contrário, assustados com os valores, muitos preferem não comprar. “Compramos mais caro dos nossos fornecedores, mas não podemos aumentar exageradamente o valor de nossos produtos, senão o povo não compra. É melhor ter pouco lucro do que ficar no prejuízo” diz.


Foto: Alessandra Reis

Faea

Diante dos efeitos da greve no abastecimento do mercado local, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea), Muni Lourenço, informa que foi criado um comitê de crise para tratar medidas emergenciais. “Queremos garantir escolta policial e militar para os caminhões que sairão do Mato Grosso para o Amazonas. Queremos garantir a segurança”, afirma. 

Os alimentos que sofreram alteração no valor são transportados dos Estados das regiões Sul e Sudeste para Manaus. Por enquanto, os efeitos negativos não alcançaram a banana, que não teve o preço alterado: continua sendo vendida entre R$ 10 e R$ 20, dependendo do tipo.

Para o consumidor, os reflexos são significativos. O técnico em contabilidade, Lenilson Souza, diz que o movimento grevista é necessário, mas lamenta que os impactos sejam no bolso dos brasileiros. 
“Sem o movimento, não há mudança. Mas as consequências são absurdas. Os produtos estão mais caros. Os preços da cebola, da batata e do tomate subiram muito”, lamenta.

Especialistas afirmam que a alta nos preços se explica pela escassez dos produtos, mas é preciso coibir preços abusivos. O economista Rogério dos Anjos destaca a necessidade de fiscalização por parte das autoridades.

Supermercados se ajustam

Os impactos da greve dos caminhoneiros chegaram até as prateleiras dos supermercados. A Rede Carrefour em todo o Brasil começou a limitar a saída de produtos das prateleiras. Segundo um funcionário da empresa que preferiu não se identificar, em Manaus, o cliente só pode levar para casa 3 unidades de cada produto, isso vale para alimentos e itens de limpeza. De acordo com informações da assessoria de imprensa da empresa, a medida foi tomada para adiar o fim dos estoques e atender o maior número possível de clientes.

O gerente do Páteo Gourmet, Marcus Pompeu, conta que, por enquanto, a rede não sofre com falta de produtos, mas teme pela continuidade da greve. “Se continuar a greve, vamos ter problemas, pois tínhamos produtos de estoque e em viagem”, afirmou.

Ele informa que a empresa sempre trouxe produtos de fora do Estado, mantendo uma logística que garante o abastecimento, mas que chegando ao limite. “Temos todos os produtos. Nossa política é contra o preço abusivo. Prefiro não ter o produto do que cobrar o preço abusivo”, explica.

Restaurantes acumulam prejuízos

“Não falta nada, mas o prejuízo está grande”, afirmou a presidente da  presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) do Amazonas, Zeina Russo, sobre os efeitos no comércio do ramo alimentício em Manaus, da  greve de caminhoneiros.

Os estabelecimentos da capital amazonense, ao menos os 300 representados pela associação, seguem com a operacionalidade regulada. Mas esbarram, por exemplo, na falta de produtos  como hortaliças, legumes e verduras, que dependem do transporte e afetam diretamente o custo para atender a demanda de cada restaurante.

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