Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
OBRA INACABADA

Prédio na Japurá começa a ser demolido após vinte anos de invasão

Muita sujeira, objetos pessoais e domésticos abandonados. Esse é o cenário nas dependências do prédio localizado no bairro Praça 14



pr_dio_36E11608-1DC8-4F7A-9560-24EE0F8EB13B.JPG Foto: Jair Araújo
17/06/2019 às 08:40

Muita sujeira, objetos pessoais e domésticos abandonados. É esse o cenário que ficou dentro das dependências de um prédio localizado na rua Japurá, bairro Praça 14 de Janeiro, Zona Sul de Manaus, após a saída das famílias do local. A construção inacabada, que está sendo demolida por correr risco de desabar, já foi palco de muitos conflitos desde a sua ocupação, há cerca de 20 anos.

No último sábado, a equipe de A CRÍTICA teve acesso à área, hoje rodeada de tapumes e que deve ser mantida assim até a demolição  total e limpeza, prevista para ser concluída em trinta dias (contados desde a última sexta-feira, dia 14). No local, foi possível ver as rachaduras, infiltrações, construções improvisadas de paredes, tubulações de água e esgoto e um emaranhado de fios que levava a energia elétrica para dentro dos cômodos e apartamentos do prédio.

Um cenário precário que por anos foi o lar de centenas de pessoas. Em uma localização privilegiada da capital, o prédio símbolo, assim com as invasões das áreas periférica, é um símbolo do chamado “déficit habitacional”, que é o estoque de habitações inexistentes ou inadequadas. Segundo dados da mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad/Contínua), pelo menos 128 mil famílias não têm casa própria na cidade.

No entorno da área da construção, alguns moradores disseram que a retirada das famílias foi pacífica e que centenas delas moravam por ali há muitos anos. “Já teve muita confusão aí. Tinha quem precisava de um local e outros que se aproveitavam. Eu não sei como conseguiam ficar ali dentro. Tem muita sujeira. Mas, se era perigoso, o melhor a fazer foi isso mesmo (demolir). Aqui na vizinhança ninguém sabe para onde as pessoas foram levadas”, disse um morador da rua Japurá, vizinho do prédio, que preferiu não ser identificado. 

A parte de cima do prédio já começou a ser demolida, segundo informou a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra), e, quando for concluída, a área será entregue à Secretaria de Estado de Educação (Seduc). O que será feito no local ainda não foi divulgado. O prédio precisou ser demolido devido às condições precárias e por apresentar grave risco de desabamento, constatado por meio de laudos do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil do Amazonas.

Sobre a destinação atual do prédio e quantas famílias exatamente foram retiradas do local, a reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Comunicação (Secom), mas até o fechamento da edição as informações não foram enviadas.

O que foi divulgado até então é que a operação de demolição do prédio envolverá 25 trabalhadores, que executarão o serviço de retirada de paredes manualmente. As vigas e pilares serão retiradas com equipamentos mecânicos e hidráulicos e a demolição total tem previsão de execução em até 15  dias, sendo feita a limpeza total da área do terreno em 30 dias.

Decisão só veio após a prefeitura ser obrigada a fiscalizar

O prédio estava na lista de imóveis que deveriam ser vistoriados pela Prefeitura de Manaus com base em uma determinação judicial em maio de 2018. A sentença foi proferida na Ação Civil Pública (ACP) nº 0621190-23.2016.8.04.0001, ajuizada pela 63ª Promotoria de Justiça Especializada na Proteção e Defesa da Ordem Urbanística (63ª Prourb).

Pela decisão, na época, a 1ª Vara da Fazenda Pública Municipal e de Crimes contra a Ordem Tributária da Comarca de Manaus, condenou o Município de Manaus e o Instituto de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb) a fazer uma fiscalização e o levantamento de todos os imóveis não utilizados, subutilizados ou abandonados na capital.

Alguns desses imóveis eram ou do poder público municipal, estadual ou de propriedade particular. Alguns foram vistoriados ainda no ano passado e “condenados”, como foi o caso do prédio da Praça 14, pertencente ao Estado.  

Carandiru, o apelido

Popularmente chamado de “Carandiru”, o prédio apresenta infiltrações generalizadas, com problemas severos na sua estrutura de concreto, como oxidações nos componentes da armação, conforme laudos técnicos realizados pelo Implurb e a Defesa Civil de Manaus.

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Repórter de A Crítica

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