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Manaus
Corredor exclusivo

Prefeitura arrecadou mais de R$ 2 milhões em multas durante três meses de Faixa Azul

Foram 11.409 multas aplicadas pelos agentes de trânsito, uma média de 3.803 multas por mês, quase 130 multas por dia nos corredores exclusivos de ônibus em funcionamento pleno 28/09/2016 às 05:00
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Os motoristas que ainda não foram informados sobre a suspensão da ‘faixa azul’ da Max Teixeira, temem autuação que atualmente equivale a R$ 191,57. (Foto: Evandro Seixas)
Luana Carvalho Manaus

A Prefeitura de Manaus arrecadou nos meses de maio, junho e julho um valor estimado de R$ 2.185 milhões decorrentes de multas aplicadas aos motoristas que trafegaram pelas faixas azuis das avenidas Constantino Nery, Mário Ipiranga e Umberto Calderaro. Foram 11.409  multas aplicadas pelos agentes de trânsito, uma média de 3.803 multas por mês, quase 130 multas por dia somente em três corredores exclusivos de ônibus em funcionamento pleno. Cada autuação rende  R$ 191,57 aos cofres públicos e sete pontos são acrescidos na CNH do condutor.

O  Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) foi questionado sobre o número total de multas aplicadas desde a implantação do corredor da avenida Constantino Nery, no início do ano passado, porém, só informou o número de maio, junho e julho deste ano.  

Confusão
Enquanto fatura com as multas aplicadas em quem anda nas faixas já implantadas, a suspensão do uso dela na  avenida Max Teixeira, que se estende até o Terminal de Integração 3, na Cidade Nova, Zona Norte, promovido no último domingo pela Prefeitura de Manaus, segue confundindo  os motoristas. Durante quase uma hora de observação do tráfego, ontem de  manhã, foi possível notar muitos automóveis trafegando fora  faixa da esquerda por pensarem que a fiscalização ainda está em vigor. “Eu não estava sabendo e continuava sendo imprensado pelos carros nas únicas duas faixas que nos sobraram”, conta o bancário  Raoni Chirano, 28. 

Para ele, que dirige moto e carro, a ‘faixa azul’ da Max Teixeira não é necessária. “Quando estava de moto, corria mais riscos, pois quase não sobrava corredores para os motoqueiros e não podemos ultrapassar pela direita. E de carro, era pior ainda porque perdia muito tempo no congestionamento nos horários de pico”, observa. 

O motorista Paulo Alencar, 60, soube da mudança e conta que ficou aliviado com a liberação do corredor exclusivo. “Tenho dois netos que estudam no Colégio da Polícia Militar. Antes eles acordavam 6h para chegar a tempo na aula. Com a faixa azul, tive que passar a acordá-los às 5h, isto porque eu ainda vinha cortando caminho pelo Novo Israel”, relatou. 

Medo de multas
Os motoristas que ainda não foram informados sobre a suspensão da ‘faixa azul’ da Max Teixeira, temem autuação que atualmente equivale a R$ 191,57. “Acho que deveriam vincular alguma peça publicitária ou pelos menos tirarem as placas de corredor exclusivo porque muitos motoristas ainda não sabem e ficam com medo de chegar multa em casa”, completou Paulo.

Prefeitura confima contrato de R$ 2 mil
A Prefeitura de Manaus confirmou, ontem, que firmou contrato de R$ 2 milhões com a empresa Vetec Engenharia a fim de obter estudos para a melhoria do sistema viário da capital. A administração municipal sustentou que os valores “não estão relacionados apenas ao projeto da Faixa Azul, mas sim com amplos serviços de assessoria no sistema viário da cidade”. 

“A Prefeitura informa que a empresa Vetec Engenharia foi contratada pelo Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), em abril de 2016, para prestar assessoria na elaboração de um projeto para melhoria do tráfego em vários corredores viários de Manaus. Entre esses estudos, está a análise das vias que hoje têm os corredores exclusivos de transporte coletivo, a “Faixa Azul”, cujo projeto começou em 2014”, diz a nota.
 
Conforme o contrato firmado pelo Manaustrans com a Vetec Engenharia, os estudos visam propor melhorias no tráfego das avenidas Camapuã, Noel Nutels, Max Teixeira e Constantino Nery. Após cinco meses em vigência, o poder público municipal informou que “a assessoria da empresa Vetec ainda está em desenvolvimento”. O estudo, conforme a nota, “deverá apontar soluções para problemas viários recorrentes como faltas de acesso, alargamento de avenidas, cruzamentos, entre outras áreas da cidade com menor fluidez do trânsito”. 

A administração municipal garante que vai apresentar os estudos à sociedade “tão logo o trabalho de assessoria da empresa seja concluído”. Conforme a Prefeitura, a suspensão da Faixa Azul na Max Teixeira e a realização de novos estudos têm como objetivo “preservar o bem-estar da população”. 

Voz das ruas - Qual sua avaliação sobre a faixa azul na Max Teixeira?
Raoni Chirano, 28, bancario  “Eu não estava sabendo e continuava sendo imprensado pelos carros nas únicas duas faixas que nos sobraram. Quando estava de moto, corria mais riscos, pois quase não sobrava corredores para os motoqueiros e não podemos ultrapassar pela direita. E de carro era pior ainda porque perdia muito tempo no congestionamento nos horários de pico”

Fábio Matheus, 49, autônomo  “A faixa azul deixou a Max Teixeira intrafegável. Moro no bairro Alvorada e antes gastava no máximo 20 minutos para chegar na Cidade nova. Quando implantaram a faixa, eu cheguei a passar mais de uma hora preso neste congestionamento

Ivanei Pereira, 35, motoqueiro  “Sem a faixa ficou muito melhor, pois acho que foi um tiro no pé terem colocado um corredor exclusivo numa avenida tão estreita. Só acho que deveriam informar melhor a população, que ainda está confusa no uso do corredor”

Paulo Alencar, 60, motorista “Tenho dois netos que estudam no Colégio da Polícia Militar. Antes eles acordavam 6h para chegar a tempo na aula. Com a faixa azul, tive que passar a acordá-los às 5h, isto porque eu ainda vinha cortando caminho pelo Novo Israel. Ficou horrível para os motoristas”.

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