Sexta-feira, 22 de Novembro de 2019
Manaus

Prefeitura gasta quase R$ 1 milhão por mês para recolher os lixos dos igarapés

A Semulsp informou que só no primeiro trimestre desse ano houve um aumento de 43,9% de lixo retirado dos igarapés. De janeiro a março, 2,1 toneladas de resíduos sólidos foram retiradas, enquanto que no mesmo período do ano passado foram 1,5 toneladas



1.png Apesar das ações da Semulsp, igarapé do 40 é destino dos dejetos e lixos das residências que margeiam o igarapé.
24/07/2015 às 21:42

Passear pela ponte dos Bilhares, na Zona Centro-Sul, poderia ser mais agradável se não fosse a quantidade de lixo que é descartada no igarapé do Mindu, um dos principais cursos d’água da capital. O mesmo acontece no igarapé do 40, entre as avenidas Rodrigo Otávio, no Japiim, e Silves, na Raiz, ambas na Zona Sul. Com a sujeira que se acumula nas margens, o odor incomoda quem passa ou trabalha nas redondezas.

Edson Soares, 57, conta que chegou a tomar banho no antigo balneário, conhecido como “banho do Parque 10”, mas hoje fica decepcionado ao ver tanta poluição no local. “Essa  área era muito bonita. Lembro que quando era criança, meu pai nos trazia para cá e passávamos o dia aqui. Infelizmente, hoje isso não é mais possível porque tem muito lixo”, afirma.



Quem passa pela rua que dá acesso a um shopping center, quanto pelas margens do 40, observa as inúmeras garrafas PET, embalagens de marmitas, restos de isopor e até carcaças de geladeira  que são depositadas nos igarapés, que também são esgotos a céu aberto. Os taxistas contam que os turistas  hospedados nos hoteis próximos se incomodam com o mau cheiro e com a sujeira, no entanto, até hoje, poucas ações são vistas, na tentativa de melhorar o ambiente, localizados em  áreas nobres da cidade.

 “É lamentável ver uma situação dessas. Acredito que falta mais interesse do poder público para limpar esta área. Isso não deveria ficar assim”, afirma a dona de casa Socorro Melo de Azevedo, 59.

Lixo: custo alto

De acordo com o subsecretário de operações da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), José Rebouças, grande parte do lixo que se acumula neste trecho do igarapé do Mindu, vem do bairro Cidade de Deus, na Zona Norte, onde estão localizadas as três nascentes do córrego.

Rebouças afirma ainda que diariamente equipes de limpeza da secretaria realizam trabalhos de retirada de resíduos sólidos em toda a extensão do Mindu e igarapé do 40, mas basta uma chuva para que o lixo doméstico volte a aparecer nos cursos d’água.

“As pessoas ainda não se conscientizaram de não jogar lixo nos igarapés, ou melhor, de fazer o acondicionamento correto do lixo para a coleta. Quando chove, esse lixo cai nos bueiros e, consequentemente, acabam parando nos igarapés da cidade”, explica.

Esse trabalho gera um custo mensal de quase R$ 1 milhão, para os cofres públicos, que na opinião de Rebouças, poderiam ser investidos em outras áreas.

Ações da Semulsp

Apenas as nascentes do igarapé do Mindu, localizadas no bairro Cidade de Deus, na Zona Norte, permanecem limpas. O igarapé do Mindu recorta toda a capital e desemboca no São Jorge, na Zona Oeste. Por mês, a Semulsp gasta aproximadamente R$ 950 mil na limpeza dos igarapés.

60 homem trabalham diariamente na limpeza dos córregos. A Semulsp conta com duas balsas, duas escavadeiras hidráulicas e 10 botes para realizar esse tipo serviço. O ideal é que a população procure fazer o acondicionamento correto do lixo doméstico e coleta seletiva.

Descarte

A Semulsp informou que só no primeiro trimestre desse ano houve um aumento de 43,9% de lixo retirado dos igarapés. De janeiro a março, 2,1 toneladas de resíduos sólidos foram retiradas, enquanto que no mesmo período do ano passado foram 1,5 toneladas. Durante a cheia, a Semulsp chega a retirar até 30 toneladas de lixo dos igarapés.



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