Quinta-feira, 25 de Abril de 2019
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Veículos municipais tiveram abundância de gasolina nos últimos quatro anos (Foto: Divulgação / PMM)
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OSTENTAÇÃO

Prefeitura gastou em combustível o suficiente para cinco voltas na Terra por dia

Em quatro anos, foram gastos R$ 107,9 milhões na compra de combustível, conforme documentos da própria administração municipal


09/04/2017 às 07:15

A administração do prefeito Artur Neto (PSDB) desembolsou em quatro anos de mandato R$ 107,9 milhões na compra de combustível. Considerando o preço do litro da gasolina em 2017 de R$ 3,50, o valor gasto pelo Executivo Municipal possibilita que um carro popular dê 5,2 voltas na Terra, por dia, nos 1.460 dias dos quatro anos, incluindo sábados, domingos e feriados.

O valor é referente a planilhas de consumo de combustível em litros dos veículos locados e oficiais da prefeitura sob o controle da Divisão de Controle de Veículos (DICV) do Departamento de Controle de Contas Públicas (DCCP) da Secretaria Municipal de Administração, Planejamento e Gestão (Semad) referentes aos anos de 2013 a 2016, que a reportagem de A CRÍTICA teve acesso. 

Sem considerar o aumento que o preço da gasolina sofreu nos últimos anos, e levando em conta apenas a média de preço deste ano, com o dinheiro gasto em quatro anos dá para comprar 30,8 milhões de litros de gasolina. Com esse volume, é possível rodar 308 milhões de quilômetros em um carro popular 1.0. Em quatro anos, que somam 1.460 dias, são 210,9 mil quilômetros rodados por dia. Calculando a circunferência da Terra – 40 mil quilômetros –, este carro poderia fazer 5,2 voltas por dia no planeta.

Dos quatro anos do mandato anterior do tucano, o que mais  registrou despesas com combustível foi o de 2016, período no qual Artur disputou a reeleição. Foram destinados R$ 30 milhões. Em 2015 a prefeitura desembolsou R$ 28,3 milhões. Um ano antes, essa despesa havia sido de R$ 28,4 milhões. E em 2013, primeiro ano de mandato de Artur, foram empregados R$ 21,2 milhões com o abastecimento de veículos.

A pasta que encabeça o consumo de gasolina e diesel é  Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf): R$ 59,1 milhões. No ano passado, a Seminf destinou R$ 16,6 milhões para esse item. Às vésperas da campanha eleitoral, a secretaria  registrou o maior gasto do ano com combustível. Em julho gastou R$ 2,1 milhões. No mesmo período do ano anterior, essa despesa foi de  R$ 1,4 milhão. 

A frota
Um veículo que trabalha com entrega (Correios e distribuidores de cerveja, por exemplo), roda em média 100 quilômetros/dia. A prefeitura precisaria de 2.109 carros rodando todo dia (inclusive sábados e domingos) para dar conta dessa quilometragem em quatro anos.
Segundo a Secretaria Municipal de Comunicação, a frota é de 1.130 veículos próprios, alugados e cedidos. Considerando os 30,8 milhões de litros que daria para comprar em quatro anos, toda essa frota teria que ter rodado 186 quilômetros por dia, incuindo sábados, domingos e feriados.

"O consumo é absurdo"

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As planilhas de gastos com combustíveis foram fornecidas pela Semad a pedido do vereador Chico Preto (PMN), que fez a solicitação amparado pela Lei da Tranparência e levou um susto ao ver os números. O objetivo da consulta, explica ele, era fundamentar uma proposta de utilização de gás natural na frota da prefeitura. “O gás é mais limpo e mais barato. É bom para o meio ambiente e para os cofres públicos. O foco do pedido era saber qual seria a diferença de gastos hoje se a prefeitura já tivesse nos seus carros o uso do gás. A PMM consumiu em quatro anos R$ 107 milhões e se tivesse usados o gás teria utilizado no máximo 50% desse valor. Acabei descobrindo que o consumo de combustível da prefeitura é um absurdo! A prefeitura não tem serviço instalado para rodar sábado, domingo e feriados, que justifique esses dados”.

Prefeitura não utiliza requisições

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Manaus informou em nota que utiliza cartão magnético para abastecimento e gerenciamento do uso de combustível. 

O cartão ValeCard, administrado pela empresa Trivale Administração Ltda, é usado, segundo o Poder Executivo Municipal, para abastecimento de veículos e máquinas com motor de combustão interna das unidades administrativas do município.
 
Cada veículo, segundo a nota, utiliza seu próprio cartão no momento do abastecimento, com registro de todos os dados do veículo, incluindo quilometragem e dados pessoais e matrícula do servidor responsável.

O sistema de gerenciamento de frota adotado pela Prefeitura de Manaus não utiliza requisições, sendo o processo todo on-line, com integração de sistemas, registro e detalhamento de todas as despesas, permitindo controle de todo o combustível empregado nos veículos.

Semed leva 'medalha de prata'

A Secretaria Municipal de Educação (Semed) ocupa o segundo lugar no ranking de abastecimentos de carros R$ 30,4 milhões. Em 2013, a pasta registrou  R$ 5,4 milhões de despesa com combustível. Nos três anos seguintes – 2014, 2015 e 2016, a secretaria passou a aparecer no “listão” da prefeitura com a seguinte discriminação: “Semed” e “Semed/Área Ribeirinha”. 

As despesas da secretaria também seguiram a mesma tendência  da pasta de infraestrutura inflando o consumo de  combustível no ano da campanha eleitoral. A Semed gastou pelo menos R$ 400 mil a mais em 2016 em comparação a 2015 com gasolina. De janeiro a dezembro de 2016, o mês que a Semed registrou o maior gasto com esse produto foi setembro – mês que antecedeu a eleição, com despesa de R$ 897,8 mil. Em todo o ano passado a Semed gastou  R$ 8,9 milhões enchendo os tanques dos carros. Em 2015 foram R$ 8,5 milhões e em 2014 R$ 7,4 milhões.
 

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