Sábado, 29 de Fevereiro de 2020
INDENIZAÇÃO

Moradores de casas embaixo da Ponte do Educandos serão retirados do local

Medida foi tomada após seis meses da interdição da via, que interliga o bairro de Educandos à região central da cidade. Prefeitura de Manaus diz que famílias serão indenizadas



casas_do_educandos_9B6AF9F9-8EAF-443E-BD38-5D8806AFE4BF.JPG No total, moram em casas nas imediações da estrutura metálica da ponte oito famílias, em 12 residências (Foto: Yasmin Feitosa/Free Lancer)
02/12/2018 às 15:51

Moradores de casas que ficam embaixo da Ponte do Educandos devem sair do local nos próximos dias. A medida foi tomada pela prefeitura após seis meses da interdição da via, que interliga o bairro de Educandos à região central da cidade. O bloqueio aconteceu após uma determinação judicial que inicialmente determinou a interdição da ponte e também a manutenção da estrutura da via, que um laudo apontou estar comprometida.

A decisão pela retirada dos moradores, assim como reparos iniciais já feitos, é baseada em um outro lado preliminar. Uma nova perícia, mais aprofundada, a ser concluída ainda neste mês, deve apontar se a ponte precisará ou não de intervenções mais intensas, como os obras em suas estruturas.



No total, moram em casas nas imediações da estrutura metálica da ponte oito famílias, em 12 residências. As casas ficam em um trecho dentro do Educandos. Três delas, segundo informações do subsecretário de Obras Públicas da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), Madson Lino, ficam bem embaixo da ponte. A retirada das casas, segundo ele, é uma forma de precaução para evitar possíveis tragédias e o comprometimento da estrutura.

“A gente identificou isso ao longo do processo que gerou essa parte de recuperação da ponte, onde nossos especialistas, em uma inspeção, analisaram a situação e viram que se acontecesse alguma coisa, como um incêndio, nessas residências, comprometeria a estrutura da ponte que está acima”, explicou.

Madson Lino disse ainda que as famílias vão ser indenizadas e que o processo para liberação das verbas  já está em trâmite na Procuradoria Geral do Município (PGM), que vai definir o valor exato a ser pago pela desapropriação.

Uma dessas casas é a dona de casa Rosilene Galucio de 35 anos. Ela vive com mais quatro pessoas na pequena casa de madeira há mais de 20 anos e, mesmo acostumada com a facilidade de estar perto de tudo, ela disse ser importante retirada para que acidentes maiores não aconteçam.

“Eles disseram que é arriscado e precisam analisar mais coisas nessa parte onde as casas ocupam. A previsão é a gente sair daqui o mais rápido possível. Lá pelo dia 15 acredito que já não estaremos mais aqui e no mês que vem outras pessoas vão também, porque vão começar primeiro em um ponto. O acertado foi indenizar a gente de acordo com o valor da moradia. Já fizemos o cadastro e muitos de nós, como eu, já estamos em busca de outra casa para morar”, contou.

Assim como ela, a aposentada Sebastiana de Oliveira, 67, disse não ser contra a retirada, mas ainda não sabe onde vai morar após sair da casa onde vive desde que nasceu. Ela disse que já sentiu sua casa tremer muitas vezes quando caminhões e carros maiores passavam em cima da ponte. “Só parou quando foi proibido e a gente mesmo assim ainda fica com medo. Só espero que de fato a gente seja indenizado e consiga ir para um lugar mais tranquilo”, disse.

Análise em três etapas

Em relação aos reparos iniciais, o subsecretário da Seminf disse que o órgão aproveitou o período da seca.  “A gente contratou especialistas para fazer três relatórios. Um preliminar, um intermediário e um conclusivo. Aí eles fizeram o preliminar com o rio cheio ainda, quando não tiveram acesso às fundações e concluíram nesse preliminar que não tinha risco de colapso eminente. Dependia a análise feita agora com o rio seco”, disse.

“Então, concluída a segunda parte do laudo, eles vão especificar quais esses serviços que vamos ter que executar, de forma preventiva e corretiva na estrutura da ponte. Até o fim do ano a gente vai ter concluído todo esse estudo e partir daí é que a gente vai proceder com mais detalhe, caso o laudo final aponte algo mais específico”, esclareceu Madson Lino.

Pedido de interdição

A interdição parcial da ponte se deu após o Ministério Publico (MP-AM) solicitar, na Justiça, que a prefeitura fizesse reparos na estrutura.  Isso porque, desde a sua construção em 1975,  e mesma não teria recebido a devida manutenção, mesmo vindo a público fragilidades na estrutura da construção.


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