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Manaus
Aumento de salários

‘Preguiça não ajuda em nada’, diz prefeito de Manaus ao defender reajustes de servidores

Criticado por secretário de Estado por conceder aumentos salariais em período de crise econômica, Artur Neto reagiu. “Você ter experiência e ser preguiçoso não ajuda em nada”, disse 14/06/2016 às 20:55 - Atualizado em 14/06/2016 às 23:05
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O prefeito afirmou durante coletiva de imprensa que a crise atinge a todos e que a experiência e a criatividade fazem a diferença nas dificuldades (Foto: Alex Pazuello/Divulgação)
Janaína Andrade Manaus (AM)

Em coletiva para falar dos reajustes concedidos às categorias da saúde, educação, transporte e trânsito, nesta terça-feira (14), o prefeito Artur Neto (PSDB) inaugurou a fala criticando o presidente da Comissão Geral de Licitação do Governo do Estado (CGL), Epitácio de Alencar e Silva Neto, que usou as redes sociais para condenar o aumento salarial dos servidores municipais em meio ao cenário de crise econômica.

“Um cidadão que é chefe de licitação do Governo do Estado – Epitácio Neto, e que eu não sabia que era uma pessoa tão versada em economia, quem sabe à altura de Adam Smith, e que eu não sei bem se dentro da função dele, que é fazer licitação limpa, honesta, sem cartas marcadas, me surpreendeu dizendo que é um absurdo nós estarmos dando reajuste salarial em época de crise. Eu considero algo horrível, alguém que cuida de licitação, falando de orçamento”, disse Artur.

O presidente da CGL escreveu pela manhã, no Facebook, que “reajuste salarial para o setor público é difícil de entender”, no contexto de desemprego do País. “Reajuste acima da inflação, então, é incompreensível. Escrevo com sangue, minha remuneração sofreu um corte nominal de 10%”, declarou Epitácio que, segundo o Portal da Transparência do Estado - www.transparencia.am.gov.br, recebeu no mês de maio um salário de R$ 13,5 mil.

Desde que a relação com o governador José Melo (Pros) azedou, primeiramente com o atraso do Executivo Estadual em repassar sua parte dos subsídios que a prefeitura deve às empresas de transporte público, e em seguida com o fechamento de unidades de saúde do Estado na capital, esse foi o segundo episódio em que o tucano abriu coletivas à imprensa criticando o staff do governador.

No dia 16 de maio, após o secretário Afonso Lobo ter declarado que a solução dos problemas do prefeito com o transporte público de Manaus não se esgotariam com a quitação da dívida do Estado com as empresas, Artur, em coletiva, disse que, em vez de resolver o problema, o titular da Sefaz ficava fazendo comentários infelizes sobre o tema.

“Se (Afonso) entende tanto de transporte assim, eu poderia ter indicado ele para o Ministério das Cidades. Espero que o secretário leve em conta que o dever dele é pagar isso”, declarou o prefeito na ocasião.

Artur disse ainda que “a crise que bate em Chico bate em Francisco”. “O que pode acontecer é do Chico administrar com mais experiência, criatividade, gestão, com mais trabalho que Francisco. Agora, você ter experiência e ser preguiçoso não ajuda nada”, afirmou. A coletiva ocorreu na sede da Prefeitura de Manaus, localizada na avenida Brasil, bairro Compensa.

Aumentos com média superior a 9%

Os reajustes, com média superior a 9%, dados aos servidores da saúde, educação, transporte e trânsito, custará aos cofres municipais, até dezembro, aproximadamente R$ 38 milhões. Aos servidores da saúde foi concedido o reajuste de 9,9%; a educação de 9,28%; transporte e trânsito de 9,38%. O aumento será pago em duas parcelas para as quatro categorias.

A titular da Secretaria Municipal de Educação, Kátia Schweickardt, reforçou o discurso adotado pelo prefeito Artur Neto, de que “ a crise se derrota com trabalho”.

“A gente está conseguindo mostrar como é possível fazer mais, com menos. E, de fato, mostrando à população que algo feito com honradez e foco atende aos anseios da população”, disse durante a coletiva.

O secretário Municipal de Saúde (Semsa), Homero de Miranda Leão Neto, declarou que conceder um reajuste de 9,9% aos servidores da saúde em um momento em que estão “exonerando e fechando unidades de saúde” se deve ao espírito de liderança do prefeito Artur Neto.

Ulisses Tapajós, à frente da Secretaria Municipal de Finanças e Tecnologia (Semef), classificou o reajuste às quatro categorias como “mais uma missão cumprida” e descreveu a equipe de secretários municipais como “caveira”.

“A equipe do prefeito Artur Neto é guerreira, é caveira. Enquanto uns choram, nós chegamos com os lenços. É para frente que se anda, e Deus ajuda quem trabalha”, concluiu.

Entrevista com o prefeito Artur Neto

Em entrevista ao jornal A CRÍTICA, o prefeito Artur Neto (PSDB) voltou a afirmar que o último assunto que o preocupa no momento é reeleição e política. “Eu não sou candidato ainda”, disse. Artur afirmou que sua prioridade, por enquanto, é concentrar-se na administração da cidade e não confirma candidatura. Ele também falou da relação dele com o governador José Melo (Pros).

Na semana passada, o ex-governador Amazonino Mendes (PDT) fez algumas críticas a sua gestão e até mesmo pessoais. Como você interpreta esses ataques?

No meio de uma crise eu não governei bajulando o governo federal, não governo bajulando ninguém. Talvez essa lua de mel que existe entre mim e Manaus seja inesgotável, e em briga de marido e mulher ninguém mete a colher. E em relação ao referido cidadão, eu não tenho nada a dizer.

Como está a sua relação com o governador José Melo (Pros) após o reordenamento na saúde?

Olha, nunca mais falei com ele, não. O que é reordenamento? Dá para chamar o que ele fez de reordenamento? Não é reordenamento, não. Eu sou contra o que foi feito. Lamento não ter podido opinar e hoje ainda achei estranho um funcionário dele (Epitácio Neto) dizer que é um absurdo se dar reajuste em época de crise. De onde que se tira uma figura dessa, que aparece do nada. Cada um dá o que tem. Eu espero que o governador esteja gozando de saúde e espero que ele esteja muito feliz, pessoalmente, mas estou sem notícias.

O senhor já confirma que é candidato à reeleição para a Prefeitura de Manaus?

Não. Não posso pensar nisso. Agora seria uma leviandade. O que é mais importante? Eu ficar na futrica (intriga), recebendo presidentes de partidos, líderes comunitários que dizem que tem muito voto ou eu trabalhar como tenho trabalhado? Tenho que sair da fofoca, não posso ficar nessa.

O rompimento com o governador inviabiliza a chapa Artur/Josué (presidente da ALE-AM)?

Mas se não tem candidato aqui, como que vai ter vice? Eu não sou candidato ainda, vou ver isso na hora própria. Se eu resolver não pedir essa renovação de confiança, vou prestar conta dizendo que governei os quatro anos e vivendo numa conjuntura de crise, mantendo a cabeça erguida. Política está em quinto plano para mim, quinto plano mesmo. Pode parecer que é jogo, mas eu estou sendo muito sincero - eu não saberia governar Manaus numa crise dessa se eu fosse mais um candidato.

Vão ser implementadas as propostas de governo do Serafim que o senhor acatou para receber o apoio dele no 2° turno em 2012, como a tarifa domingueira e um computador por aluno?

 Domingueira não será possível agora, pois só tornaria mais precária a condição financeira do sistema de transporte, que não está numa posição tão confortável porque eles (empresários) vão jogar o conforto deles nas costas dos empregados e não posso aceitar uma coisa dessas. A domingueira foi uma sugestão muito bonita do prefeito Serafim Correa, mas as condições presentes não a fazem possível.

O senhor anunciou que fez uma série de solicitações de recursos do governo interino, como estão as negociações?

O Brasil está quebrado. Nós temos uma boa capacidade para tomar empréstimos, porque nós temos contratos com bancos internacionais que estão sendo pagos por nós, e isso tudo diminui a nossa capacidade de ingressar com mais empréstimos.

Esse ano, poderíamos R$ 480 milhões, no ano que vem podemos ingressar com um empréstimo de R$ 300 milhões junto ao Banco do Brasil. O importante é que Manaus está podendo ser administrada com a ajuda de recursos federais. Quanto aos projetos que estou solicitando recursos junto ao governo federal são bem pequenos, tipo de R$ 2 milhões, R$ 3 milhões para calçadas.

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