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Manaus
Day After

Prejuízos e dor de cabeça marcam dia seguinte da tempestade em Manaus

Na quinta-feira seguinte ao fenômeno que “varreu” Manaus o que se viu foi a contabilização dos prejuízos; Exército atuou na remoção de escombros do salão paroquial e moradores se irritam com falta de energia e água 26/08/2016 às 09:14
Paulo André Nunes Manaus (AM)

O dia seguinte à tempestade registrada em Manaus, na última quarta-feira, foi marcado pela recuperação de locais prejudicados e a dor de cabeça de quem estava sem energia elétrica nas suas residências. Tudo por conta da forte ventania, cuja máxima registrada foi de 70,4 quilômetros por hora, o bastante para provocar uma série de incômodos nos manauenses.

Uma das principais consequências foram a tensão e o medo causados com o destelhamento do salão paroquial da Igreja Nossa Senhora do Sameiro, que é mantida pelo Exército e está localizada na Estrada da Ponta Negra, Zona Oeste: levados pelo forte vento, os destroços acabaram atingindo a área externa e parte da fachada do shopping Ponta Negra, que fica ao lado do templo católico. 

Com a forte tempestade, o telhado e os objetos que estavam no salão paroquial foram arremessados contra as paredes do próprio shopping e na via localizada na área externa do shopping, com os veículos que estavam estacionados ficaram debaixo dos entulhos.

Na quinta-feira, cerca de 50 militares do Exército foram recrutados para recolher os escombros da igreja situada dentro da área militar. O cenário lembrava muito o de uma cidade arrasada pela guerra, com telhas de alumínio, barras de ferro e aço, placas metálicas e outros materiais espalhados pela via externa do shopping. Dois caminhões e um tratores daquela Força Armada estavam a postos para coletar o lixo que veio do salão paroquial.

A previsão de conclusão da retirada dos escombros era até o final da tarde de quinta, informou o major Enzo, que estava à frente da operação.

Uma equipe de agentes do Manaustrans esteve no local para orientar o trânsito em decorrência da entrada e saída de caminhões do Exército.

Pároco da igreja, o capelão José Ricardo esteve em reunião com seus comandantes para avaliar as consequências do destelhamento, mas o balanço das avarias não foi divulgado para a imprensa até o fechamento desta edição. Estimava-se, extra-oficialmente, que os prejuízos chegassem a aproximadamente R$ 200 mil.

“A tempestade arrancou o telhado do salão paroquial. Vamos ter que reconstruir. Mas esses danos com os carros não sei como vai ficar”, disse o pároco na última quarta-feira para a reportagem de A CRÍTICA. Ele não foi encontrado para dar mais informações.

Shopping Ponta Negra

Por meio de sua assessoria de comunicação, o Shopping Ponta Negra informou que os incidentes ocorridos nas imediações do empreendimento na tarde do último dia 24, "em decorrência dos fortes ventos e do temporal, não abalaram a estrutura do shopping, não provocaram vítimas nem destruição de patrimônio. O funcionamento do Ponta Negra não sofreu alterações."

Falta e energia e água
Os problemas decorrentes da forte tempestade também atingiram o fornecimento de energia de várias áreas de Manaus. Moradores de um condomínio próximo ao Shopping Ponta Negra estavam inconformados com a interrupção de energia e água causada pela ventania e o fechamento da única via que dá acesso a um dos conjuntos. É o caso de Ana Paula Pinheiro, síndica do residencial Reserva das Praias.

“O destelhamento atingiu a nossa rede elétrica, e ficamos sem e sem água desde por volta de 14h30 da tarde de quarta, horário do ocorrido. Sem energia, nosso abastecimento via bomba é cortado. Começaram a remover os entulhos, mas ainda estamos com problemas. Outro problema é que esses carros ficam estacionados sempre nessa via ao lado do shopping, atrapalhando nosso acesso ao conjunto. Hoje foi um telhado que caiu; amanhã pode ser com uma pessoa transitando por aqui”, disse a síndica. Segundo ela, os moradores podem até mesmo acionar a Justiça para ver de quem é a responsabilidade pelo caso.

No Centro da cidade, as lojas abriram para funcionamento, mas às escuras, com funcionários se valendo de velas ou a lanterna dos celulares para iluminar os produtos e vender aos clientes. Era o caso das avenidas Eduardo Ribeiro e ruas Dr. Moreira e Lobo D’Álmada. No dia do ocorrido, a maior preocupação de vendedores e lojistas era com assaltos dentro das lojas, daí os proprietários terem fechado as suas portas mais cedo.

No conjunto Morada do Sol, a energia oscilava desde as 14h de ontem, irritando quem residia na área da Zona Centro-Sul.

Opinião do Internauta

"Vi tudo do portal do estacionamento, parecia coisa de filme. Antes do evento destelhar a construção da igreja, eu estava olhando pro céu e vi cerca de 2 ou 3 telhados de alumínio voando bem alto mesmo, sabe? Em seguida ouvi explosões, e os fios de energia se rompendo. Foi quando vi algo bem pior: o telhado da construção sendo arrancado, como se fosse um lacre de algo enlatado vindo em direção ao shopping. Saí correndo, pois fiquei com muito medo. Não filmei porquê eu tremia muito. E o vento estava muito forte”.

Internauta Douglas Melo, em comentário no acritica.com

Áreas sem energia elétrica serão normalizadas até hoje, diz Eletrobras

Por meio de sua assessoria de comunicação, a Eletrobras Distribuição Amazonas informa que equipes de técnicos e eletricistas estão trabalhando desde a tarde da última quarta-feira (24) realizando manutenções na rede elétrica devido aos estragos causados pelos ventos de até 80 km/h que atingiram Manaus.

Houve ocorrências de queda de árvores e objetos arremessados nas redes de distribuição que causaram o rompimento de cabos e defeitos em transformadores, levando ao desligamento de 12 circuitos alimentadores, afetando diversos bairros da cidade, principalmente, Armando Mendes, Dom Pedro, Alvorada, Educandos, Redenção, Av Turismo, Distrito Industrial, BR 174, Centro, Adrianópolis, Cachoeirinha, Colônia Oliveira Machado, Aleixo, Japiim.

A concessionária informa que, neste momento não há ocorrência de grande proporção nos bairros citados e adjacências, mas há registro de casos menores que estão em mobilização. Foram restabelecidos até o momento 70% das ocorrências, e ao longo do dia seriam restabelecidos outros 20%. O residual de 10% dos consumidores será normalizado até esta sexta-feira, garante a Eletrobras Distribuição Amazonas.

A distribuidora destaca que “reforçou o número de equipes de atendimento emergencial  para reestabelecer o fornecimento de energia nas áreas afetadas no tempo mais breve possível”, e reitera o seu “compromisso com a população do Estado do Amazonas em oferecer energia segura e de qualidade, contribuindo para o bem estar de seus clientes e o desenvolvimento econômico da região”.

Sete Perguntas para o meteorologista Gustavo Ribeiro, do 1º Distrito de MeteorologiaAM/AC/RR

1 - O que realmente ocorreu ontem? Foi um tornado? Qual foi a causa?

O que ocorreu em Manaus, na última quarta-feira, foi uma tempestade causada por uma linha de instabilidade associada a um sistema frontal que está no litoral da Bahia.  Este sistema perturbou a atmosfera da região amazônica, que juntamente a umidade e o calor, comuns na região neste época do ano, provocaram a formação de nuvens de grande potencial para tempestades, estas geralmente acompanhadas de aguaceiros, rajadas de vento e descargas elétricas. Segundo os dados disponibilizados pela rede meteorológica da aeronáutica (Redemet), o aeroporto internacional Eduardo Gomes, a máxima rajada de vento registrada ontem (24), foi de 70,4 km/h às 15h10. Já na Base aérea de Manaus, a máxima foi de 63km/h às 15h. De acordo com os dados da estação automática do Inmet, no bairro Adrianópolis, a máxima rajada de vento foi de 56,7 km/h entre 14h e 15h.

2 - É um fenômeno natural da nossa região?

É uma fenômeno relativamente comum nesta época do ano na região amazônica.

3 - Há um período do ano específico para isso ocorrer?

Não há um período específico, porém, estatisticamente, a frequência de ocorrência é maior no período de agosto a novembro.

4 - Pode ocorrer novamente?

Sim.

5 - Quais foram as áreas mais afetadas da cidade?

Não sei a área mais afetada, mas, pela extensão desta linha de instabilidade, com certeza atingiu toda cidade.

6 - O interior também registrou essa tempestade?

As estações meteorológicas do Inmet registraram em Maués (42,5km/h), Itacoatiara (47,9km/h), Rio Urubu (Rio Preto da Eva, 64,1km/h) e Manacapuru (63,7km/h)

7 - O período de estiagem começou?

Sim: climatologicamente, o período seco (ou que menos chove) compreende os meses de julho a setembro.

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