Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
Manaus

Preparação para a Copa do Mundo de 2014 vai causar tumulto em Manaus

À população - recomendou o prefeito Artur Neto - resta paciência. “Vamos perturbar um pouco a vida da cidade sim”, diz ele



1.jpg Transtorno no trânsito será maior quando obras de infraestrutura na cidade começarem; prefeito pede paciência
04/05/2013 às 18:41

Com apenas um verão para realizar obras necessárias a fim de apresentar Manaus ao mundo, na Copa de 2014, a Prefeitura corre contra o tempo para executar um pacote de obras estimado em R$ 600 milhões. À população - recomendou o prefeito Artur Neto - resta paciência. “Vamos perturbar um pouco a vida da cidade sim”, diz ele. Mas não haveria alternativas para minimizar o impacto das obras no cotidiano da população? O próprio poder público, o comércio e organizações não governamentais dizem que sim.

Trânsito binário, estímulo ao uso de bicicletas, pistas exclusivas para ônibus coletivos, mudança de horário do comércio, sinais inteligentes e a abertura de novas vagas de estacionamento estão na lista de alternativas apresentadas tanto pelo setor privado quanto pela Prefeitura de Manaus.

De acordo com Pedro Carvalho, chefe do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) e da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), os dois órgãos estudam alternativas baratas para diminuir a perturbação que as obras irão causar, desde a proibição da circulação de veículos pesados durante o dia à mudança de horário de funcionamento do Centro.

Ele afirma que uma das propostas, que será discutida com a Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDLM) é o funcionamento das lojas do Centro no mesmo horário dos shoppings center. “O trânsito fluiria melhor”, sustenta. Atualmente, as lojas naquela região abrem às 8h e encerram as atividades às 18h. Já os shopping abrem às 10h e fecham às 22h.“Se a saída dos funcionários fosse depois das 19h já melhoraria o trânsito. Essa é uma das medidas mais viáveis para o momento”, afirma Pedro Carvalho.

Na lista de alternativas também estão, segundo a SMTU e o Manaustrans, a construção de baias nas principais vias da cidade para o estacionamento de coletivos em pontos de ônibus, a implantação do Zona Azul (estacionamento rotativo pago, em vias públicas), a execução de obras durante a madrugada, e até soluções mais arrojadas, como a possibilidade de transformar em mão única, em determinado horário do dia ou da noite, o trânsito em vias de grande circulação, como a Djalma Batista e a Constantino Nery. Na rua Epaminondas, no Centro, ônibus voltarão a circular em corredor exclusivo.

Para o presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Gaetano Antonácio, a correria para consertar a cidade em um semestre trará prejuízo à população.

“Vai ser uma desgraça na vida da gente. Vão trabalhar em toda a cidade. O Centro talvez seja o menos atingido nisso. Não dá para consertar tudo em seis meses”, opina Antonácio. Ele afirma que o comércio está disposto a colaborar para diminuir o transtorno, mas sugere que a Prefeitura tome soluções práticas, como, por exemplo, o rodízio de carros, com a restrição da circulação de veículos por placas.

“Vamos organizar um plano de ataque com início, meio e fim para causar o menor impacto possível no trânsito”, diz o secretário municipal de Infraestrutura, Hissa Abrahão, vice-prefeito de Manaus. De acordo com ele, as licitações para as obras nas principais vias da cidade serão feitas no mês de maio.

“Se fosse apenas uma pequena parte da cidade que precisasse de recapeamento seria mais fácil. Mas todas as principais vias de Manaus precisam de reforma”, comenta. “Vamos estudar a melhor forma e criar alternativas para reduzir os impactos. Isso envolve, por exemplo, um plano de mídia explicando novos trajetos”. Hissa e o prefeito Artur disseram que transformarão Manaus em um “canteiro de obras” nos próximos seis meses. O investimento é de R$ 600 milhões.

Aproximadamente 55 quilômetros de vias serão recuperados, além de calçadas e meio fio. De acordo com a Prefeitura, a execução do pacote dará “uma nova cara para a cidade”. O Poder Executivo Municipal informou que o recapeamento das principais avenidas de Manaus é a maior a principal prioridade.

O diretor do Manaustrans e da SMTU, Pedro Carvalho, diz que os órgãos estão estudando alternativas de melhorias no fluxo do trânsito, especialmente no período em que a cidade será tomada por reformas em vias públicas. “Vamos fazer as modificações no trânsito de acordo com cada obra”, comenta.

“A Prefeitura tem poucos recursos e precisamos trabalhar mais com a cabeça. Temos uma série de projetinhos eficientes, como a construção de baias”. Ele afirma que as soluções incluem o transporte de massa. “Toda grande cidade tem congestionamento, porque o número de carros é muito maior que o espaço que se pode construir. No mundo todo a tendência é o trânsito piorar. A saída é preparar a cidade para o transporte coletivo. Na Europa, as pessoas usam o carro para o lazer”, diz.

 

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