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Manaus
Mini-cidade, big-cidadania

Projeto que incentiva crianças a criarem uma cidade ideal chega a Manaus

Modelo, desenvolvido em 70 países, incentiva membros mais jovens da sociedade a desenvolverem sistemas políticos e sociais a constituição de uma cidade 04/05/2016 às 00:00 - Atualizado em 04/05/2016 às 14:46
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O projeto foi promovido pelo Big Tree Collective em parceria com o Instituto Amazônia (Fotos: Evandro Seixas)
Luana Carvalho Manaus (AM)

Depois de passar pela delegacia, clínica veterinária e biblioteca, a pequena Emilly Larissa Cunha, de 10 anos, resolveu que queria mesmo era trabalhar em um restaurante japonês, vendendo suhis por um preço bem acessível: 12 unidades por R$ 5 reais. A brincadeira foi levada tão a sério que, ao receber a equipe de A Crítica em seu “local de trabalho”, a gentil jovem ofereceu um jantar de cortesia.

Emilly foi uma das 36 crianças que ajudou a construir a “Mini-Manaus” ideal, utilizando papelão, tinta, garrafas PETs, entre outros materiais recicláveis. O projeto educativo já passou por 70 países e foi realizado no último sábado em Manaus, no espaço Casa do Frei, na rua Frei José dos Inocentes, Centro.

Crianças entre oito e 14 anos, que moram na comunidade ou estudam na Escola Estadual Ribeiro da Cunha, usaram e abusaram de suas imaginações para criarem uma cidade inclusiva, com habitantes que respeitam a constituição e ajudam a promover o desenvolvimento dos sistemas políticos e sociais de onde vivem, sem esperar apenas pelo poder público.

“Primeiro escolhi trabalhar na delegacia, mas não gostei muito da profissão. Então fui para a biblioteca, onde aprendi muita coisa com os livros. Mas eu me identifiquei mesmo foi com o restaurante. Acho legal preparar a comida e servir as pessoas”, contou Emilly, que mergulhou para valer na brincadeira.

A cidade tinha museu, biblioteca, delegacia, banco, mercado, loja de artesanato, clínica veterinária, hospital e farmácia. O pequeno Ítalo Antônio Spencer, 11, quis ser prefeito da mini-cidade. Ele parecia não entender muito sobre sua função administrativa, mas tinha uma certeza. “Escolhi ser prefeito para promover melhorias na minha cidade”, disse, enquanto brincava de despoluir os igarapés de Manaus.

‘Projeto mini-cidade’

Multiplicadora do projeto, Paloma Yañez Serrano, que já aplicou o conceito em países como Alemanha e Egito, explica que o projeto visa estimular a independência, pensamento crítico e respeito entre as crianças. “Assim que terminaram de construir a cidade, cada um com seu grupo de trabalho, eles ficaram um pouco perdidos sobre onde iam trabalhar. Queriam fazer de tudo. Mas, com a orientação dos facilitadores (estudantes voluntários de arquitetura e assistência social) eles perceberam o caos que estavam criando e começaram a se organizar e a se adaptar”, finalizou.

 

Escolhas feitas pelas crianças

A coordenadora de atividades do Instituto Amazônia, Mônica Bologna, contou que desde a constituição do projeto até a finalização da cidade, as crianças trabalharam em conjunto e justificaram suas escolhas. “Foi interessante ver a importância que eles deram para a biblioteca, por exemplo. Mas houve um caso que nos chamou atenção. Uma criança pediu para ser o traficante da cidade, alegando que ele poderia ganhar mais dinheiro traficando e mexendo com armas. Nesta hora, os facilitadores o orientaram e mostraram as diversas opções de profissões que ele poderia exercer em uma cidade”, relatou Mônica.

Depois de presenciar a cena, o estudante Leonardo Damasceno, 11, escolheu ser o capitão da polícia. “Minha primeira opção era ser médico, trabalhar no hospital, mas achei melhor trabalhar na delegacia para promover a paz na cidade”. Durante a brincadeira, ele chegou a prender um colega por dirigir com excesso de velocidade.

O condutor, vivido por Daniel Jorge, 11, no entanto, não aprovou a abordagem. “Ele me deu um pontapé”, reclamou.

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