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Manaus
DISPUTA ELEITORAL

Presidenciável Artur Virgílio Neto deu calote em marqueteiro da campanha de 2016

Responsável pela campanha vitoriosa de Artur Virgílio Neto no ano passado, Martinelli levou tucano à vitória, mas recebeu calote de R$ 780 mil 12/12/2017 às 05:34
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Arte: Thiago Rocha
André Alves Manaus (AM)

Peça-chave na campanha à reeleição do prefeito de Manaus Artur Virgílio Neto, pré-candidato do PSDB à Presidência da República,  o marqueteiro Marcos Martinelli (foto acima), proprietário da empresa Via Mercosul Consultoria e Marketing, levou um calote do tucano. Dos R$ 900 mil contratados em 2016 para a campanha de 1º e 2º turno, Martinelli recebeu apenas R$ 120 mil. Durante um ano ele tentou cobrar a dívida amigavelmente. Agora, decidiu levar o caso à Justiça. O processo tramita na 11ª Vara Cível.

Para realizar os conceitos e a estratégia da campanha de Artur Virgílio Neto no ano passado, a Via Mercosul Consultoria cobrou R$ 600 mil no primeiro turno da eleição e mais R$ 300 mil na segunda etapa da disputa. Passada a vitória do tucano, Marcos Martinelli não conseguiu receber um único centavo. “Para não deixar meus colegas sem receber, fiz empréstimos”, relatou o marqueteiro.

Em novembro de 2016, um mês antes da diplomação de Artur pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE/AM), e da aprovação de suas contas pelo juiz Gildo Alves, o marqueteiro foi procurado pelo PSDB Municipal, que  propôs parcelar a dívida  de R$ 900 mil em 15 vezes de R$ 60 mil. Martinelli afirma que se  viu obrigado a aceitar a forma de pagamento, sob pena de não receber valor algum.

A primeira parcela da renegociação deveria ser paga no dia 30 de janeiro de 2017. Até setembro deste ano a empresa do  marqueteiro não recebeu qualquer quantia, muito embora as cobranças continuassem sendo feitas por notificações extrajudiciais. Só em outubro Martinelli conseguiu receber R$ 120 mil. “Agora, nem o prefeito nem o partido conversam com a gente. Levamos um calote”, lamenta o marqueteiro. “A campanha foi um sucesso. O pagamento não foi. O prefeito não cumpriu com a sua palavra”.

A ação movida pela Via Mercosul Consultoria e Marketing tramita na Justiça Estadual desde a última sexta-feira (8) e cobra de Artur Virgílio Neto e do PSDB Municipal R$ 815.339,05, valor que já computa as correções pelo não pagamento das parcelas da dívida. Segundo a advogada do marqueteiro, Monalisa Gadelha, a dívida é cobrada tanto de Artur Neto quanto do PSDB porque, de acordo com o item 4º do “Termo de Aquiescência de Dívida”, elaborado para formalizar o parcelamento do débito de campanha, o candidato e o partido são  devedores solidários.

Na peça enviada à Justiça Estadual, que está nas mãos da juíza Lia Maria Guedes de Freitas, a advogada Monalisa Gadelha argumenta que restaram “infrutíferas” as tentativas de  solução amigável, razão que levou ao “remédio jurídico da execução forçada” para garantir os direitos do empresário. A defesa de Martinelli pede na ação que tanto Artur Virgílio Neto quanto o PSDB  tenham o prazo de três dias, após a citação judicial, para quitar toda a dívida. Do contrário, requer a penhora dos bens do tucano e do partido.

PSDB reconhece dívida

Em nota, o PSDB/AM admitiu que possui dívidas da campanha 2016 registradas no TRE/AM. “Entre estas dívidas há sim, conforme questionado, pendências junto ao marketing da campanha. Em relação a este credor, o PSDB/AM esclarece que foi feita uma renegociação da dívida em comum acordo”, informa a legenda, em referência ao parcelamento do débito com a empresa de Marcos Martinelli em 15 vezes.

“Algumas parcelas do acordo estão abertas, porém, como o partido mantém amplo diálogo com todos os seus fornecedores e colaboradores”, prossegue a nota do partido, “o credor responsável pelo marketing da campanha foi informado e está ciente que a atualização do acordo, com o pagamento de todas as parcelas vencidas, será feita neste mês de dezembro de 2017”. 

Consultado, Marcos Martinelli negou que tenha recebido a promessa de que o débito será sanado este mês. Procurado, Artur não quis falar.

Com histórico de vitórias

O marqueteiro Marcos Martinelli  também foi o responsável pelos conceitos da campanha vitoriosa de Amazonino Mendes (PDT) na eleição suplementar deste ano. Jornalista por formação,  ele possui um histórico de campanhas vitoriosas. De acordo com ele, em todas as campanhas que realizou os contratos de pagamento foram cumpridos. As exceções foram Lindberg Farias, em 2004, eleito prefeito de Nova Iguaçu, e Artur Virgílio Neto, em 2016. 

A carreira de Martinelli em eleições começou em 1989, quando atuou na campanha do tucano Mário Covas à Presidência da República. No mesmo pleito, ele trabalhou para o então metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, no segundo turno da eleição em que Fernando Collor de Melo foi eleito. 

Em 1993 integrou a “carava do Lula” e em 1994 fez a campanha vitoriosa de Antônio Brito, eleito à época governador do Rio Grande do Sul. Nos últimos anos, o marqueteiro atuou em seis campanhas vitoriosas na sequência. Em 2010, idealizou a campanha de José de Anchieta, eleito governador de Roraima. Em 2011, coordenou a campanha de Pedro Passos Coelho, em Portugal.

No ano de 2012, Martinelli coordenou a equipe de José Fortunati, que foi eleito prefeito de Porto Alegre. Em 2014, no,  Rio Grande do Sul, ele atuou na eleição de José Ivo Sartori para o governo do Estado. Já em 2016, o marqueteiro foi decisivo na reeleição de Artur Neto e, este ano, trabalhou para Amazonino Mendes.

Dívidas da campanha de Artur somam R$ 3 milhões

A campanha vitoriosa do prefeito de Manaus Artur Virgílio Neto acumula uma dívida de R$ 3.104.443,20 conforme registra o  site da Justiça Eleitoral. O total de despesas contratadas pela campanha de Artur Neto foi de R$ 7.273.254,38 e o total de despesas pagas R$ 4.168.811,18.  Só o gasto com pessoal consumiu R$ 1,5 milhão da campanha.

No dia 15 de dezembro do ano passado, as contas de campanha do tucano foram aprovadas com ressalvas pelo juiz Gildo Alves, apesar das irregularidades apontadas tanto por técnicos do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/AM) quanto pelo Ministério Público Eleitoral. Este ano, o plenário da Corte confirmou a decisão do magistrado e manteve a aprovação das contas. 

Mas, ao analisar os documentos apresentados pela equipe financeira do tucano, o Ministério Público Federal descobriu indícios de fraude em notas fiscais da campanha e por isso recorre da aprovação. Há suspeitas, por exemplo, sobre a comprovação dos gastos de Artur em um hotel de luxo da capital, onde ele se hospedou durante a eleição. A estada foi bancada com o dinheiro arrecadado na campanha eleitoral.

Um dos pontos da contestação assinada pelo procurador eleitoral Victor Riccely Santos diz haver três notas fiscais emitidas para justificar a hospedagem de Artur Neto no quarto 1214 do hotel, mas apenas uma foi apresentada à Justiça Eleitoral. As notas possuem  “coincidências temporais”, ou seja, repetem o período em que o tucano esteve no hotel, mas têm valores diferentes.

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