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Manaus
ELETROBRAS

Presidente da Amazonas Energia defende privatização para sanear empresa

Tarcísio Rosa cita como argumentos a melhoria na distribuição de energia no Estado e as chances de crescimento que os funcionários terão. Leilão da concessionária será no dia 10 de dezembro 25/11/2018 às 07:00
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Foto: Jander Robson
Geizyara Brandão e Suelen Gonçalves Manaus (AM)

A privatização da Eletrobras Amazonas Energia está em discussão há mais de um ano, e depois de ser adiada duas vezes foi transferida da próxima terça-feira (27) para o dia 10 dezembro. O contrato de operação de serviços da distribuidora vence no dia 31 de dezembro, e a empresa não poderá mais realizar o serviço de distribuição de energia elétrica. O presidente da companhia, Tarcísio Rosa, conversou com o Portal A Crítica sobre o futuro da companhia.

Tarcísio defende a privatização da concessionária e cita, dentre outros pontos, a melhoria na distribuição de energia no Estado e as chances de crescimento que os funcionários terão. Na entrevista abaixo, ele cita a experiência profissional e diz acreditar que privatizar a Amazonas Energia é o melhor caminho, tanto para o Estado - que não teria condição de arcar com os custos -, quanto para os clientes e empregados, que passariam a ser melhor atendidos se uma empresa privada assumir a concessionária.

Como será o processo do leilão da estatal?

A exemplo das outras quatro que já foram privatizadas, estou falando de Rondônia, Acre, Piauí e Roraima. A forma do leilão prevê um investimento inicial por quem adquirir, e prevê também que assuma as dívidas da empresa, da mesma forma que se propõe a dar algum desconto na tarifa vigente. Vence o leilão quem se dispor a dar o desconto maior, seja em empréstimo, pagando o empréstimo em vez de utilizar ou até mesmo na tarifa. Em suma, isso refletiria na tarifa praticada no Amazonas.

O senhor falou em investimentos. Tem algum valor que possa dar de quanto estaria valendo hoje?

Isso é da ordem de R$ 480 milhões, que o vencedor tem que aportar no momento em que assinar a compra da empresa. Quando se faz um leilão tem que ser submetido a todos os órgãos de verificação de documentação. Uma vez ajustado, tem um tempo pra que ele assuma. Isso leva de 70 a 90 dias.
 
Tem algum perfil das empresas que vão levantar esse leilão?

São empresas que já são distribuidoras, ou que se propõem a fazer isso. Se espera de quem estiver interessado, que se tenha a experiência, ou, no mínimo, conhecimento da área. Nós estamos falando do Amazonas, é um Estado inteiro, é uma única empresa, não é uma empresa para a capital e outra para o interior. É alcançar todas as residências que recebem energia, indústria e comércio, além de dar continuidade nos programas sociais, como o Luz para Todos.
 
Hoje todos os municípios já são abastecidos de energia? Como está a distribuição da rede?

A distribuidora é responsável pelo Estado inteiro. Existem localidades desenvolvidas e melhor atendidas, e existem localidades que são atendidas por programas de governo, como o Luz para Todos.

Como a empresa está se preparando para o leilão?

As pessoas que aqui trabalham sabem o que tem que fazer e o que tem que continuar fazendo. Eu costumo dizer que é como um aviação que está em pleno voo, e quem assumir não troca todo mundo naquela hora. Quem comprar, sabe a responsabilidade que é controlar uma empresa desse tamanho, então não acredito em nenhuma aventura. 

Como tem sido a receptividade dos funcionários diante de todo esse processo?

O novo proprietário, o novo controlador, tem a liberdade de substituir toda a diretoria e colocar quem for da confiança dele, mas isso a nível de diretoria. Não dá para imaginar que se vai substituir cada um dos funcionários, até porque são atividades que exigem conhecimentos específicos. Se você tem um frota de carros, em tese, você pode trocar todos os motoristas de uma hora pra outra, isso não acontece numa distribuidora de energia.

Então eles têm consciência de que não serão todos cortados? Porque tem se discutido isso quando se fala de privatizações?

Eu tenho conversado com as pessoas, com nossos colegas empregados e dito que, primeiro: é impossível demitir todo mundo; segundo: existe uma possibilidade melhor para quem se dedica mais, quem conhece mais, quem trabalha pela empresa com afinco. Eu já fui privatizado, continuei lá por dez anos. Quem ficou lá na empresa teve a oportunidade de crescer porque a empresa melhorou muito para os empregados. O fato mais importante é que do jeito que a empresa está, não faz mais sentido. Tudo tem sua época. Talvez se a gente pensar mais atrás no Amazonas, precisando da mão do governo, fosse fundamental que fosse estatal. Nos dias de hoje a experiência brasileira da privatização já está comprovada: 80% da população brasileira é atendida por empresas que já foram estatais e hoje são privadas. Pará, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais são todas privatizadas. Quem comprar a empresa vai querer que ela cresça. Se a empresa está bem, os funcionários também estão bem.

O senhor disse que a empresa não faz mais sentido. Ano passado, inclusive, disse que a privatização era irreversível. O senhor continua com o mesmo pensamento?

Continuo. Essa experiência de atraso de um ano na privatização só nos mostrou que é um risco aos empregados. Quando a empresa tem um dono, a gente sabe quem paga, quem atrasa e quem não atrasa. Nós não temos na história da empresa atraso de salário, por exemplo. Mas, se não houver a privatização existe um risco muito maior, que é a liquidação. Isso significa que ninguém sabe quem entra, quem faz o quê. A preocupação não deve ser com privatização, mas com a liquidação

A Câmara Municipal planeja fazer uma audiência pública para tratar da questão dos apagões. Por que há tantos apagões na cidade?

Eu prefiro não dizer apagões, porque a cidade é muito grande e quando falta energia, falta em alguns pontos específicos. O nosso problema mais sério em Manaus são as ocupações irregularidades. Outro dia vi uma reportagem em que a pessoa dizia que estava sem energia há 14 dias. Isso não existe, mas existe, sim, oscilações e desligamentos por ocupações e ligações irregulares. Se tem 35% da energia desviada e nós temos que produzir. Via de regra, as reclamações que mais aparecem são de ocupações irregulares. Se alguém mora num terreno que não é dele, que não foi regularizado pela Prefeitura, nós não podemos regularizar uma conta de energia. Então, a Câmara será atendida, como recebemos todos os vereadores aqui, da capital e do interior, sempre que querem vir, e nós vamos pedir apoio da Câmara no combate aos desvios de energia, que não é bom para ninguém e faz com que o consumidor regular pague mais.

Em relação à falta de água por conta da falta de energia. Como atuar nesse problema?

Não posso falar pela empresa de água, mas temos uma boa parceria. Sempre que possível avisamos que vai faltar energia em determinado lugar que é pra eles se programarem, mas eles têm uma dificuldade maior que a nossa porque se a energia faltar por 5 minutos, eles podem ter um problema que dura 30 minutos, e se for por 30 minutos - o que é muito raro -, eles vão ter problema talvez por um dia com água. Eu não falo pela Manaus Ambiental, mas sei que eles estão tomando medidas importantes na criação de reservatórios com geradores de emergência. É um processo em cadeia, que a gente procura atender da forma mais rápida possível. 

O senhor disse que a tendência é que a tarifa baixe e não tenha tantos reajustes com a privatização. Como isso é possível?

Toda compra demorada demais sai mais cara. A gente aposta que uma empresa privada trabalhe com mais agilidade e compre mais barato. Se você compra mais barato, vende mais barato. Se você compra mais caro, vende mais caro, e isso reflete na tarifa de energia. Eu já trabalhei em empresa privada, a agilidade é outra e os custos acabam reduzindo.

PERFIL

Nome: Tarcísio Estefano Rosa

Idade: 64 anos

Estudos: Formado em Eng. Elétrica pela Universidade Federal de Santa Catarina, com especialização em Qualidade e Produtividade.

Experiência:  Funcionário do setor elétrico há 39 anos passando pelas companhias Eletrosul, Engie TracteBel Energia, Cia de Geração Térmica de Energia Elétrica e Eletrobras Amazonas.

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