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Manaus
VERSÃO

Presidente do CDCC nega que homem tenha morrido após tomar choque em bebedouro

Ronildo Souza afirma que o ex-vice-presidente da Escola de Samba Mocidade Independente do Coroado, Raimundo Ferreira, não teria tomado choque elétrico em bebedouro do CDCC, antes de ser levado a um hospital e falecer 23/03/2018 às 21:45 - Atualizado em 23/03/2018 às 22:38
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Foto: Reprodução/TV A Crítica
acritica.com* Manaus (AM)

O presidente do Conselho de Desenvolvimento Comunitário do Coroado (CDCC), Ronildo Souza, nega que o ex-vice-presidente da Escola de Samba Mocidade Independente do Coroado, Raimundo Ferreira, 46, tenha morrido após ter tomado choque elétrico em um bebedouro do CDCC no último sábado (17). Raimundo faleceu nessa quarta-feira (22), no Hospital e Pronto Socorro Dr. João Lúcio Pereira Machado, na Zona Leste de Manaus.

Segundo amigos de Raimundo, ele teria sido encaminhado ao hospital após ter tomado choque em um bebedouro do CDCC, no bairro Corado, também na Zona Leste, informação contestada pelo presidente do Conselho.

Ronildo afirma que Raimundo estava no CDCC, na tarde do último sábado, acompanhando uma partida de vôlei, e que após utilizar um bebedouro do local, ele pediu ajuda, alegando que não estava se sentindo bem.

“Sempre ele me falava sobre a saúde dele, que ele era hipertenso. Então, quando ele veio beber água, algumas pessoas falam que ele atravessou passando mal já, chegou no bebedouro, bebeu a água, sentou e foi na hora que ele passou mal. Então, eu acho que tem que ser apurado para ver se é verdade”, afirma o presidente do CDCC, questionando a informação de que Raimundo havia recebido um choque no bebedouro.

“A verdade é que isso é uma tremenda mentira. O rapaz sempre teve problema de pressão, várias vezes ele passou mal aqui no Centro Comunitário. Sempre quando ele vinha aqui solicitar o espaço para trazer os amigos dele para jogar vôlei, às vezes, a pressão dele subia. Às vezes, ele sentava aqui na cadeira, conversava comigo que ele estava em tratamento médico, que ele estava até querendo parar”, afirma o presidente do CDCC.

Raimundo sofreu AVCH

Segundo amigos de Raimundo, antes de ser atendido no Hospital Dr. João Lúcio, ele foi levado ao Serviço de Pronto Atendimento (SPA) do Coroado, onde foi conduzido à unidade hospitalar.

De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), relatos davam conta de que Raimundo havia sofrido choque elétrico, mas ele deu entrada no Hospital Dr. João Lúcio em função de um Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico (AVCH). O AVCH se caracteriza pelo sangramento em uma parte do cérebro, em consequência do rompimento de um vaso sanguíneo.

Na Certidão de Óbito de Raimundo, consta como causa da morte Traumatismo Cranioencefálico.

Choque elétrico pode provocar AVCH

De acordo com o médico neurologista Marcus Vinicius Della Coletta, um choque elétrico pode provocar vários tipos de dano cerebral, inclusive um AVCH.

“Se o choque elétrico for muito potente, ele pode lesar o tecido cerebral e, nessa área que lesa, lesa os vasos, também as artérias, e você tem um sangramento. Mas não que vá ter só um AVCH. Em geral, o AVCH é um componente a mais da lesão que está ocorrendo em todo o tecido”, explica o especialista.

Ainda segundo Della Coletta, hipertensos que não tenham bom controle, idosos que não façam uso de medicação e acabam tendo rompimento de uma artéria do cérebro, além de pacientes mais jovens que sofrem o rompimento de um aneurisma cerebral, estão entre os envolvidos nos casos mais frequentes de AVCH.

Questionado sobre o fato de a causa da morte de Raimundo ter sido apontada como Traumatismo Cranioencefálico, o neurologista afirmou que, para uma análise, seria preciso avaliar qual o tipo de Acidente Vascular encontrado.

“Provavelmente, ela deve ter caído e batido a cabeça. Aí, teria que ver o tipo de AVC que foi encontrado. Existem AVCs próprios do trauma. Então ela pode, realmente, ter caído, batido a cabeça e o trauma ter causado o sangramento. A causa pode ter sido um traumatismo cranioencefálico”, avaliou o médico, afirmando que não seria errado supor isso.

*Com colaboração de Vitor Gavirati e da repórter da TV A Crítica, Amanda Amorim

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