Terça-feira, 23 de Julho de 2019
Manaus

Presidiários do AM trabalham em busca da liberdade no PIM

Empresas do PIM apostam em linhas de montagens formadas por presidiários dentro da penitenciária Anísio Jobim



1.jpg Salário e redução da pena estimulam presos a trabalharem no Polo Industrial de Manaus
10/03/2012 às 18:11

Presidiários do regime fechado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), localizado no km 8 da BR-174, estão reduzindo o tempo de suas penas fabricando medidores capazes de combater o furto de energia elétrica (o popular gato). Estimuladas pela mão de obra barata e pela possibilidade de prestar serviços sociais, empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) estão investindo em linhas de montagem nas dependências das penitenciárias.

Já são 34 presidiários - 24 homens na ala masculina e dez mulheres na Penitenciária Feminina, também no Compaj - que estão trabalhando em duas linhas de montagem da empresa Elo, construindo os medidores de energia, recebendo um salário mínimo e tendo a expectativa de serem contratados quando ganharem liberdade.

Eles trabalham oito horas por dia, e só não recebem férias, 13º salário, e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), porque as empresas não tem essa responsabilidade. Mas, para os internos, isso não têm muita importância. O que realmente vale para eles, além do salário, é que a cada três dias trabalhados eles tem um remido da pena.

Empolgação

O presidiário Berckson Cruz Mar, 36, condenado há oito anos por tráfico de droga, é o encarregado pela produção. Ele explica, empolgado, a tarefa diária na linha de produção. “Estamos montando 3 mil peças, por dia, de um medidor de energia, um antigato. São modelos novos que ainda não há no mercado”, diz. O detento se emocionou ao falar da importância  que o trabalho tem em sua vida. Berckson disse ter descoberto que é capaz de ganhar a vida trabalhando de forma legal, que está apaixonado por eletrônica e tem planos de cursar a faculdade de engenharia elétrica.

A dedicação ao trabalho já deu ao presidiário a promessa de uma possível contratação pela indústria Elo, assim que ganhar liberdade.

Para Berckson e seus colegas de linha de montagem, o trabalho no presídio representa a redução nos dias de cárcere e a pressa de ganhar a liberdade.

Segundo o secretário-executivo de Justiça e de Direitos Humanos (Sejus), Bernardo Encarnação, além da redução da pena, o trabalho dentro do presídio traz outros benefícios para os internos. Eles trabalham oito horas por dia e ficam menos tempo ociosos. Além disso, parte do salário que os presidiários recebem na unidade prisional vai para a família e a outra é destinada para o fundo penitenciário, uma espécie de poupança que o preso resgata assim que ganhar a liberdade.

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