Quinta-feira, 23 de Maio de 2019
DUPLO HOMICÍDIO

Preso por matar tia e sobrinho assassinou vítimas após negar sexo com vendedor

À polícia, Ângelo Leocadio Jr., 18, confessou o crime e disse que marcou por rede social um “encontro” com Alexsandro. Mas segundo ele, queria apenas ser “promovido” pelo vendedor como modelo



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Foto: Jander Robson
17/12/2018 às 10:32

Ângelo Ricardo da Silva Leocadio Júnior, de 18 anos, preso pela polícia por assassinar a idosa de 70 anos, Arlete Almeida, e o sobrinho dela, o vendedor Alexsandro Matheus Araújo de Lima, 31, matou as duas vítimas após negar sexo com Alexsandro. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (17) durante coletiva de imprensa em Manaus.

Segundo a Polícia Civil, Ângelo confessou o crime e disse que havia marcado pela rede social Facebook um “encontro” com Alexsandro. Porém, ao ser convidado a praticar ato sexual, Ângelo recusou e acabou travando luta corporal com Alexsandro, terminando por matar o vendedor e a tia dele. As vítimas foram achadas mortas brutalmente dentro de casa com as cabeças esmagadas. Ângelo disse à polícia que queria ser “promovido” pelo vendedor como modelo.

Ângelo disse também à polícia que conheceu Alexsandro pelo Facebook uma semana antes do crime. Eles marcaram o encontro na manhã do dia 3 de dezembro, por volta das 9h, na casa da vítima, na rua Dez do conjunto Hileia, bairro Planalto, Zona Centro-Oeste da cidade. Durante o desentendimento entre eles, o suspeito deu um golpe de jiu-jítsu no vendedor, derrubando-o no chão e fazendo-o desmaiar ao bater cabeça. 

Em seguida, conforme a polícia, o infrator executou Alexsandro. A aposentada de 70 anos, quem Alexsandro considerava como mãe, chegou em casa por volta das 12h e, ao se deparar com Ângelo, pediu socorro mas também foi morta da mesma maneira.

“A senhora, que era a tia, segundo o que se apurou, chegou em casa por volta das 12h, e foi para o seu quarto, como sempre fazia. Mas, pelo que apuramos, na hora que ele estava fugindo, saindo do quarto do Alexsandro, ele deu de cara com a tia. Ela gritou, pediu socorro e por conta disso ele matou a senhora da mesma forma, utilizando os mesmos meios, com o que matou o Alexsandro”, explicou o delegado Orlando Amaral, titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) e responsável pelas investigações.

Após o crime, Ângelo fugiu usando roupas, chapéu e sapatos da vítima, as mesmas que vestia durante a coletiva de imprensa. Além disso, ele também saiu da casa da vítima levando outros pertences, como outras peças de roupa, perfumes, notebook, videogame, mochila e dois óculos de realidade virtual.

O roubo dos objetos, segundo o delegado Orlando Amaral, foi feito para simular um latrocíniio. “O acusado (Ângelo) mesmo falou que a subtração dos objetos que recuperamos foi só para maquiar a cena do crime e colocar uma ideia de latrocínio, e com isso dificultar as investigações”, ressaltou o delegado.

Além de confessar o crime, Ângelo se disse arrependido e pediu desculpas aos familiares das vítimas, presentes na coletiva de imprensa. Ele foi indiciado por duplo homicídio qualificado e será encaminhado ao Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM), presídio que fica localizado no Km 8 da rodovia federal BR-174.

Entenda o caso

Arlete e Alexsandro foram achados mortos com as cabeças esmagadas no dia 4 de dezembro deste ano dentro da casa onde moravam, no Hileia. As duas vítimas estavam despidas e com violentas marcas de agressão no chão dos banheiros da residência. Um relatório do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops) que o Portal A Crítica teve acesso mostrou que dona Arlete além de ter tido a cabeça esmagada e esfaqueada várias vezes, levou uma tesourada na testa.

Ângelo acabou preso no último sábado (15) no município de Presidente Figueiredo, a 117 quilômetros de Manaus, após ter sido reconhecido por moradores através da imagem dele, que foi registrada por câmeras de segurança do Hileia e divulgada pela polícia.

Relação de mãe e filho

Além de vendedor, Alexsandro estudava na Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Ele era muito vaidoso e foi criado pela tia desde criança, quem considerava como mãe. Arlete era evangélica e muito conhecida no conjunto. “Eram queridos. Ele e minha tia eram doces, todos gostavam deles e não tinham como ter inimigos”, disse Rejane Araújo de Lima, 41, irmã de Alexsandro e sobrinha de Arlete durante o velório das vítimas. Segundo ela, Alexandro não estava em um relacionamento sério.

Esse foi o segundo crime macabro que aconteceu na casa. De acordo com outra irmã de Alexsandro, Marizete Araújo, no imóvel ocorreu o latrocínio do avô do vendedor, que foi degolado com um fio de ventilador. A casa é uma das poucas da rua Dez do Hileia que não possui monitoramento próprio.

*Colaborou Joana Queiroz e Márcia Monteiro


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