Quinta-feira, 20 de Junho de 2019
Manaus

Presos do Compaj reclamam de falta de água, luz e tratamento médico

As reclamações foram relatadas nesta quinta-feira à juíza Samira Heluy e ao desembargador Sabino Marques durante a visita técnica do mutirão carcerário



1.jpg Problemas como falta de água, luz e a desativação da enfermaria foram relatados às autoridades
26/09/2013 às 15:11

A equipe do mutirão carcerário do Amazonas esteve nesta quinta-feira (26), visitando as instalações do complexo penitenciário Anísio Jobim (Compaj), localizado no km 8 da BR 174, o único com regime fechado em Manaus. O local com capacidade para 454 detentos, abriga 1.108 presos, 645 a mais do que deveria.

Durante a visita, os magistrados tiveram acesso a informações importantes como a quantidade de presos com problemas de saúde. São 6 com tuberculose, 6 com HIV, 1 com hanseníase, 6 com diabetes, 22 com hipertensão, 1 com hepatite A.

Mesmo com vários casos que necessitam de atendimento médico constante, os presos relataram às autoridades, que a enfermaria da unidade foi desativada. Agora, quem precisa de atendimento médico deve ser removido para as unidades básicas de saúde próximas ou aos pronto-socorros de Manaus. Além disso, o acesso a medicamentos também é deficiente.

“A quantidade de presos vai aumenta e a estrutura do local não acompanha esse aumento. Ninguém quer luxo aqui dentro, o que nós queremos é trabalhar para diminuir nossa pena e ter o mínimo de dignidade para pagar o que devemos”, afirmou um preso que prefere não ser identificado.

Para o desembargador Sabino Marques, coordenador do grupo de monitoramento carcerário do Amazonas, a superpopulação é o ponto crucial do sistema prisional do Estado. Marques destaca ainda que está satisfeito com os resultados do mutirão que deve terminar a semana com quase mil processos analisados.

“Agora é trabalhar para que a justiça prevaleça. Quem merece progredir de regime ou ser solto por já ter cumprido a pena, será beneficiado", relatou o desembargador que ganhou notoriedade na mídia nacional e internacional ao sugerir que a Arena Amazônia sirva de cadeia provisória para os presos do Amazonas  após a copa.

Mosca e barata na comida

Questionados sobre a alimentação fornecida no presídio, os detentos informaram que ela tem melhorado e que sabem do empenho das autoridades em fornecer uma comida de qualidade. Mesmo assim, vez ou outra, ainda são surpreendidos com a presença de moscas e baratas no meio da alimentação.

A direção do presídio diz ter conhecimento do fato e informou que abre procedimento administrativo quando isso ocorre. A empresa que fornece alimentação no Compaj é notificada e punida inclusive com multa.

Já a coordenadora do mutirão, a juíza Samira Heluy, destacou que mesmo com as dificuldades, a situação do regime fechado do Compaj não é tão ruim quanto a da cadeia pública do centro de Manaus. “Porém, a super lotação inviabiliza qualquer projeto, potencializando rebeliões. Nosso trabalho só está começando, a partir da próxima semana nosso foco será apenas os presos do regime fechado e esperamos poder ajudar ao máximo.”

*Informações da Divisão de Imprensa e Divulgação do TJAM

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