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Privilégio diário: o laranja do pôr do sol invade a sala da família Pizzonia nos finais de tarde

Quem tem a oportunidade de contemplar a despedida do astro rei na capital amazonense, não se esquece jamais. Quem garante é a família Pizzonia, cujo patriarca saiu de São Carlos, interior de São Paulo, e viajou por todo o País vendendo livros até chegar em solo baré, aos 30 anos.  23/10/2015 às 16:12
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Da varanda do apartamento, a família contempla, todos os dias, o espétaculo do pôr do sol
Luana Carvalho Manaus (AM)

O pôr do sol de Manaus, com seus tons quentes de laranja, é, sem dúvida, um dos mais bonitos do Brasil. Quem tem a oportunidade de contemplar a despedida do astro rei na capital amazonense, não se esquece jamais. Quem garante é a família Pizzonia, cujo patriarca saiu de São Carlos, interior de São Paulo, e viajou por todo o País vendendo livros até chegar em solo baré, aos 30 anos. 

Aqui, Reginaldo Pizzonia, hoje com 70 anos, encontrou sua companheira para toda a vida. “Saí da minha cidade aos 11 anos para trabalhar em uma lanchonete em Campinas. Depois fui para Londrina, no Paraná, onde vivi até os 28 anos. Rodei por todo esse Brasil vendendo livros. Chegando em Manaus, por um acaso conheci uma mulher que pediu para viver comigo. Acreditei nela, e aqui estou”, conta, aos risos,  junto com Lucilene Pizzonia, 63, esposa e mãe de seus cinco filhos. 

De origem italiana humilde, mas rica em conceitos e caráter, como ele mesmo ressalta, Reginaldo morou em uma pequena pensão na avenida Joaquim Nabuco, no Centro da cidade. Quase 40 anos depois, ele e a família  desfrutam de uma paisagem incrível, com vista para o rio Negro, onde as cores do pôr do sol invadem as janelas da sala, deixando o clima ainda mais harmonioso.


Mas, para morar na Ponta Negra, Reginaldo trabalhou muito e, com muita humildade, agradece a Deus por ter vencido na vida. Proprietário da Coplast Indústria e Comércio de Resíduos, que emprega centenas de manauenses no Distrito Industrial, ele relembra como tudo começou. 

 “Depois de um tempo, cansei de vender livros em Manaus e abri uma empresa de doces. Trazia os doces do Sul e isso não deu muito certo. Então resolvi voltar a vender livros e, dois dias depois da minha decisão, passei por trás da Phillips, junto com a Lucilene, e vi um fumaceiro. Achei aquilo curioso e fomos ver do se tratava”.

O casal surpreendeu-se com a quantidade de lixo industrial queimado. “Era cobre, alumínio, plástico, tudo sendo queimado. Na mesma hora lembrei de quando eu era criança, que um homem passava numa carrocinha comprando esses materiais e pensei: ‘vou catar plástico’”.

Em uma época em que não se falava em descarte correto de resíduos, ele ia com Lucilene para a antiga lixeira de Novo Israel, na Zona Norte, recolher os materiais. “Arrumei um terreno, falei com os donos das fábricas, e eles passaram a despejar os materiais em nosso terreno. No Amazonas, nunca tinham ouvido falar em reciclagem. Tive a ajuda de Valdemar Didone, o primeiro reciclador do Brasil, para quem eu mandava o material, em São Paulo. Vi naqueles materiais queimados uma oportunidade. Para alguma coisa aquilo tinha que servir e, naquele momento, começou a nossa batalha”. 

Ele adquiriu o primeiro moinho, depois as máquinas de prensas, caminhões e, assim, se tornou pioneiro no Estado em reciclagem, contribuindo, principalmente, para o meio ambiente. “Tive fé, paciência e vontade. Isso tudo envolve a coragem, principalmente, de empreender, trabalhar e progredir sem ganância”. 

Pai do ‘Jungle Boy’

Durante a entrevista, Reginaldo foi cordial e modesto. Chegou até a comentar que não era conhecido na cidade. “Sou conhecido apenas no Distrito Industrial e por causa do meu filho”. Isto porque ele é o pai do piloto Antônio Pizzonia, que levou o nome do Amazonas, especialmente de Manaus, para mais de 200 países.
 Pizzonia estreou na Fórmula 1 em 2003 e correu  grandes prêmios.

Atualmente, ele compete na  Stock Car. “Essa cidade é tudo para mim. Primeiro, pelo meu enrosco desgraçado com minha esposa. Depois, porque Manaus levou o nome do meu filho para o mundo. É até irônico, mas ele é mais conhecido na Europa do que aqui. E quando ele está fora, não vê a hora de voltar. Todos nós amamos muito essa cidade”.

Questionado se trocaria a cidade por outro lugar, o empresário não pensou duas vezes. “Não troco Manaus por nada. Amamos esse rio, esse lugar onde estamos hoje. Aqui é a capital das oportunidades”. 

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