Sábado, 18 de Janeiro de 2020
Manaus

Procedimento em delegacia após prisão de empresários gera atrito entre polícias Civil e Militar

Após a delegada manter preso um suspeito de tráfico de drogas e liberar outros dois detidos por avaliar que seriam apenas usuários, tiveram início as trocas de acusações e desentendimento entre as polícias



1.jpg No 1º DIP, a delegada plantonista Magna Pires de Santana autuou Miguel por tráfico e associação para o tráfico de drogas e fez com que os empresários assinassem um TCO, pela posse de drogas para consumo
16/02/2015 às 18:16

Um procedimento policial realizado em uma delegacia de Manaus, que culminou com liberação de dois empresários capturados com grande quantidade de drogas, acabou gerando atrito e desentendimento entre as polícias Civil e Militar do Amazonas, após haver suspeita de favorecimento para livrar os dois homens, considerados de alto poder aquisitivo.

O Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Amazonas (Sindepol-AM) e a Associação dos Oficiais da Polícia e Bombeiro Militar do Amazonas (AOPBMAM) divulgaram, cada uma, notas contestando as informações repassadas pelo outro à imprensa sobre o caso, e gerando dúvidas a respeito do procedimento policial e da verdade dos fatos.



A suspeita começou após os empresários Carlos Eduardo Nogueira Back, 26, e Yuri Andrade Czovny, 25, serem liberados pela Polícia Civil do Amazonas mesmo após serem capturados em flagrante com o total de quatro quilos de drogas. Junto com eles estava Miguel Ângelo Lopes da Silva, 24, o único a ficar preso e ir para a cadeia.

Carlos e Yuri estavam junto de Miguel na noite da última sexta-feira (13) na rua Humaitá, bairro Cachoeirinha, Zona Sul de Manaus. A captura deles foi efetuada pela Força Tática (FT) da Polícia Militar.

Segundo o tenente Renato dos Santos Bentes, da FT, o objetivo da abordagem era prender Miguel, conhecido como “Olhão” e suspeito de ser traficante. Entretanto, ao chegarem ao local, os policiais encontraram os dois empresários em frente à casa de Miguel, dentro de um veículo S-10 preto, de placas OAC-9081, no momento em que negociariam a compra de entorpecentes, de acordo com o tenente.

Em vistoria, foram encontradas grandes e pequenas porções de maconha na S-10, embaixo do volante do automóvel e nas mochilas dos empresários, que disseram serem usuários e que Miguel seria o fornecedor. Entretanto, segundo Bentes, Miguel deu outra versão para a história e disse que os empresários também são traficantes e revendem drogas em festas.

“(Miguel) Confirmou que eles (empresários) são compradores assíduos, compram ‘fiado’ e em valores grandes para revender nas festinhas”, disse Bentes. A equipe da FT ainda encontrou isqueiros e dichavadores na S-10, o que indica uso, e mais drogas na casa de Miguel. 

Delegacia

Os três suspeitos foram levados ao 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e a delegada plantonista Magna O. Pires de Santana autuou Miguel por tráfico e associação para o tráfico de drogas e fez com que os empresários assinassem um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), pela posse de drogas para consumo e fossem, em seguida, liberados, já que não seriam traficantes.

Por telefone à reportagem, o tenente Bentes afirmou que ressaltou à delegada Magna a suspeita que todos os três teriam cometido o crime de tráfico de drogas devido às características e à quantidade de entorpecentes. Porém, mesmo assim, a autoridade, no uso das atribuições dela, verificou que apenas Miguel era traficante.

Por meio de nota, o Sindepol-AM jogou a culpa para a PM pela liberação dos empresários. “Tanto o tenente que conduziu a situação como o soldado que a testemunhou, declararam [...] que os dois empresários eram apenas usuários de droga, e que o terceiro elemento (Miguel) seria o dono de todo material entorpecente”, consta na nota.

Ainda conforme a nota, “os próprios empresários narraram terem ido [...] comprar a maconha, tendo os dois assumido (sic) que são usuários de entorpecente há um ano”. Miguel também “confessou ser sua toda a droga”, de acordo com o sindicado. Por essas razões, segundo o Sindepol-AM, a delegada Magna resolveu prender só Miguel.

Contestação

Logo depois, a AOPBMAM também lançou uma nota negando as informações dadas pelo Sindepol-AM. “Os fatos narrados pelo oficial da PM traziam a verdadeira versão dos fatos, [...] ou seja, os dois suspeitos tinham em sua posse um tablete de droga e algumas outras porções, totalizando mais de 1 kg”, consta na nota da PM.

“Destacamos que o Código de Processo Penal prevê que cabe ao delegado o poder de analisar cada caso e decidir pela tipificação mais adequada ao fato a ele apresentado. [...] Ressaltamos que se houve erro foi por parte da autoridade policial judiciária e não dos policiais que narraram a verdade”, diz outro trecho da nota da AOPBMAM.

Secretário

Por telefone, o secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes, defendeu que tanto a PM quanto a Polícia Civil tentaram fazer o que entenderam como correto. “Os dois estavam trabalhando achando que estavam fazendo o melhor procedimento. O Judiciário vai decidir se era tráfico ou não”, disse.

“Não tenho detalhes sobre o que ocorreu, vou esperar a posição da Corregedoria, que vai analisar se eles cumpriram as normas cabíveis. Há uma questão que atormenta todos os delgados, que é decidir isso no calor do momento. Vamos conversar com as a partes para eu não haja arrojo entre eles”, informou Sérgio Fontes.


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