Segunda-feira, 18 de Novembro de 2019
COMIDA MAIS SAUDÁVEL

Produção de comida é reforçada no Amazonas por meio de programas

Projetos da iniciativa privada e do Governo tentam aumentar a comercialização de alimentos produzidos localmente



capa_BC94B671-E2E4-43DB-BAE8-C00936FA7B4E.JPG Projeto “Produtores Regionais Nova Era” vem mudando a vida de 50 famílias que vivem da agricultura no Amazonas e cultivam berinjela, pimentão, melancia, tomate, abobrinha, couve e banana. Foto: Sara Rangel/Divulgação
20/10/2019 às 07:13

O setor primário representa ainda pouco mais de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) do Amazonas, segundo dados da Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Seplancti).

Mas o segmento vem ganhando espaço com iniciativas pioneiras  de agronegócio e de  produção familiar que já abastecem as redes de supermercado com produtos de qualidades diretamente da floresta. 



Dentre os destaques da  produção por tonelada do estado estão itens como a cana-de-açúcar (274 mil), a laranja (66 mil), a mandioca (1,3 milhões) e a banana (112 mil).

O crescimento desses números  está ligado a iniciativas de produtores, governos e empresários. Um exemplo é o programa Balcão do Agronegócio,  da Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS), órgão da Secretaria de Produção Rural que faz uma “ponte” para a  venda. 

O  presidente da agência, Flávio Antony Filho, revela que  entre  os principais compradores estão o Nova Era, o Big Amigão, o DB supermercados, o Carrefour e o Attack, além das feiras promovidas pela Agência e na Manaus Moderna. 

“Nós ligamos para os supermercados e para grandes atacadistas onde nós temos entrada e perguntamos se eles precisam, por exemplo, de macaxeira.  E, caso a resposta seja afirmativa, nós mostramos a eles quem pode vender esse produto”, explicou.

Com o Balcão de Agronegócios, a ADS procura resolver um problema frequente  entre  os pequenos produtores: a desvalorização da mercadoria, quando essa “ponte” é feita por intermédio dos chamados atravessadores. 

 “Temos aproximadamente quarenta  produtores credenciados no programa. Eles estão divididos entre individuais, associações e agroindústrias. E estão localizados principalmente nos municípios de Manacapuru, Careiro da Várzea, Anamã, Manaquiri e Presidente Figueiredo”, acrescentou Antony.

O  balcão fornece frutas e hortaliças em geral. E tem destaque para a comercialização de  macaxeira, mamão, jerimum e açaí. Além de ofertar queijo coalho, abacaxi e cupuaçu.

Alta do Açaí

Uma das produções que surpreenderam no mais recente balanço foi o açaí, que agora é o segundo produto mais importante para a agropecuária amazonense.

Ele obteve arrecadação equivalente a R$ 191 milhões em 2018, segundo o IBGE, ficando atrás somente da mandioca.

O  diretor da empresa Açaí Curumin, Rafael Mafra,  conta que apesar do crescimento a produção ainda é insuficiente. “No caso do Amazonas, o nosso açaí é o nativo e temos somente de dezembro a junho. Quando chega o mês de julho, somente o Pará comercializa, e segue até novembro. Lá eles têm um fruto proveniente de plantações”, comentou Rafael Mafra.

Produção de ovos

A produção de ovos é uma das poucas que atende com autossuficiência a demanda do Estado do Amazonas nos últimos anos. Segundo o último censo, o crescimento nesse setor chega a 137%.

Entre os maiores produtores locais está a Granja São Pedro, um negócio de família que começou há 33 anos com criação de frangos de corte e que em meados dos anos 90 migrou para produção de ovos, explicou Luiz Mário, diretor da empresa.

“Atualmente nós temos uma produção diária 720 mil ovos/dia. Nós atendemos hoje quase todos os estados do Amazonas e estamos em todos os supermercados”, diz.

Grandes redes

Uma alimentação mais  saudável, sustentável e acessível é uma das propostas para o consumidor da rede Carrefour, que em 2018 lançou em nível internacional o movimento Act For Food, que consiste na construção de uma transição alimentar para um futuro  cada vez mais saudável.

Essa iniciativa privilegia  o produtor local, que agora realiza um cadastro junto aos supermercados, como falou o head de sustentabilidade do Grupo Carrefour Brasil, Lucio Vicente.

“Uma das estratégias do nosso processo de produção é de também valorizar e promover a agricultura e a produção local. Nós temos o cadastramento de produtores, próximos as nossas lojas, valorizamos os produtos regionais e, assim, proporcionamos uma democracia de acesso a alimentos que estão restritos em algumas regiões”, explicou.

A aposta do Nova Era

Há quatro anos, o projeto Produtores Regionais Nova Era vem mudando a vida de 50 famílias que vivem da agricultura no Amazonas. A  iniciativa valoriza as pessoas que moram e cultivam alimentos nos estados onde o superatacado Nova Era está presente.

São mais de 100 toneladas de alimentos comprados, mensalmente, e que ajudam na geração de renda, incentivando a economia local e fomentando o empreendedorismo.

O projeto também contribui para promover a transformação social das comunidades, além de garantir a oferta de produtos de alta qualidade aos clientes Nova Era, pois são produzidos no próprio estado, sem precisar importar de localidades vizinhas.

Segundo o responsável pelo projeto, Itaúna de Souza, a iniciativa atua em três frentes: estimular o empoderamento dos produtores, dar assistência técnica e promover o acesso a uma cadeia de preço justo. Duas vezes por semana, os produtores contam com a logística dos caminhões do grupo, para escoar a produção.

“É uma forma de incentivar não apenas a produção local, como também dar uma chance de empreenderem de um jeito confiável”, ressaltou Itaúna.

 No Amazonas, as comunidades beneficiadas estão localizadas em Manaus (dentre elas, Ramal do Brasileirinho de Puraquequara) e nos municípios de Rio Preto da Eva, Iranduba, Manacapuru, Presidente Figueiredo e Novo Airão.

Um dos produtores envolvidos no projeto é Ekson Silva (38). Há quatro anos, ele destina boa parte da produção de couve que cultiva na comunidade Catalão, em Iranduba, a 40 quilômetros de Manaus, para as prateleiras do superatacado Nova Era.

 “A gente nasceu e se criou na agricultura. Graças a Deus o papai começou a ter outra visão, colocando a gente [ele e os irmãos] para estudar em colégio agrícola. Tudo o que aprendemos lá trouxemos para a propriedade. Eu tinha conhecimento na prática e a escola agregou com a teoria. Hoje, estamos aqui com essa produção de qualidade”, disse Ekson.

 Atualmente, Ekson sustenta a família através do lucro obtido pelo que vende ao Nova Era. Na comunidade Catalão, o couve é colhido de 4 a 5 vezes.

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