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Produtos antigos ainda são procurados e vendidos no Centro

Os artefatos refletem os costumes da sociedade e cuja a origem remontam a séculos anteriores, como zagaias e arpões de pesca 08/09/2013 às 11:33
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Zagai e arpões, instrumentos de pesca primitivos, ainda são encontrados no Centro de Manaus à venda
Steffanie Schmidt Manaus, AM

Tudo - ou quase tudo - o que se imagina ser difícil de encontrar nos dias de hoje pode ser achado no Centro. No “quadrilátero da beira do rio”, artigos datados do século 19 ainda são sucesso de vendas, segundo os comerciantes do entorno, e mais do que isso: refletem uma série de costumes ainda presentes na sociedade.

Exemplo disso é a ratoeira, que na travessa Tabelião Lessa, ao lado do mercadão Adolpho Lisboa, ainda sai aos montes. Segundo o ambulante Frank de Almeida Peres, a procura é muita por que “ainda tem muitos ratos pela cidade”. “Quem compra mora em bairros mais distantes. Tem também muita gente do interior, que vem dos barcos, que compra pra levar”, explicou. Trabalhando há 25 anos no local, ele afirma que já ensinou muita gente a mexer na armadilha, um invento de 1889. O gatilho, uma espécie de mola, é acionado assim que o sensor é pressionado, liberando a prensa. A ratoeira tradicional foi inventada pelo anglo-americano Hiram Maxim e, alguns modelos antigos, ainda originais, chegam a custar mais de R$ 1 mil na Internet. Na banca do Frank, ela pode ser comprada em dois tamanhos: o maior, por R$ 5, e o menor, que custa R$ 4.

Outro produto curioso encontrado não apenas na banca do Frank é a balança dinamométrica portátil, quando o peso da carga é equilibrado pela força elástica de molas metálicas. Trata-se de um gancho preso a uma mola que ao ter algo pendurado, desde a mola com um marcador até o limite de R$ 50 kg. Essa, custa R$ 5. As de até 12 kg custam em torno de R$ 3. Elas são geralmente compradas por mercadores ambulantes.

Usando o mesmo princípio, mas de forma digital, uma balança eletrônica registra o peso dependurado no gancho em um visor. Ela funciona à base de pilhas. No Comercial Beiradão, ela pode ser encontrada por R$ 26 e traz a utilidade grafada na caixa: “nunca mais pague excesso de bagagem”. Além disso, o pequeno aparelho fornece ainda a temperatura local, o que sempre ajuda um viajante.

Para os viajantes que chegam de longe, o Sebo de Holanda, feito a partir de gordura de carneiro e que é usado contra acne, é um dos artigos mais procurados, assim como os sabonetes ‘Veneno’ e ‘Enxofre’, que prometem ser a cura para caspa, piolho, lêndeas e afins.

Curiosos e inseguros

Facas e arpão de todos os tamanhos são encontrados com facilidade. Nas bancas, eles ficam expostos fincados em isopores, sem qualquer segurança contra possíveis roubos.

Nas lojas de ferragens da Barão de São Domingos e da Marquês de Santa Cruz, eles ficam mais escondidos, no fundo da loja. Serrotes, martelos e chaves de fenda também têm a exposição restrita.

Nos camelôs do entorno da praça da Matriz, entre objetos que representam perigo, os canivetes são os mais procurados. Um deles traz um funcionalidade extra: vira  um alicate.

Na última teça-feira, um adolescente foi preso no bairro Cidade de Deus, Zona Norte, com um revólver calibre 38. Em depoimento à polícia, disse ter adquirido o armamento no Centro.

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