Segunda-feira, 17 de Junho de 2019
Manaus

Produtos desenvolvidos pelo Inpa vêm ganhando fama e estão a um passo de conquistar clientes

Dois projetos desenvolvidos no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), já ganharam patentes e são “apostas” de pesquisadores para o comércio da região amazônica



1.jpg Gengibre amargo estudado pelo pesquisador Carlos Cleomir está a um passo de ser aprovado pela Anvisa. Com certificação, produtos criados a partir dele poderão ser vendidos como cosméticos ou combater doenças como diabetes e câncer
03/05/2015 às 11:03

Farinha de pupunha, cosméticos e remédios derivados de gengibre amargo. à princípio, o nome desses produtos pode soar estranho e o público, em sua a maioria, deve desconhecer a utilidade. Entretanto, esses dois projetos desenvolvidos no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), já ganharam patentes e são “apostas” de pesquisadores para o comércio da região amazônica.

“A farinha de pupunha é tão saborosa que dispensa qualquer produto agregado. Muita gente prefere consumir ela pura por conta da opção nutritiva”, explicou o proprietário da empresa Néctar Frutos da Amazônia, Márcio Navegantes. A invenção, desenvolvida pela pesquisadora Jerusa Andrade, consiste na hidratação do fruto sem casca e foi licenciado pela Néctar há três anos junto ao Instituto.

Segundo Márcio, atualmente a farinha vem sendo revendida a outros estabelecimentos pelo preço de R$ 25 por 500 g, que dá origem a outros produtos. “Temos conhecimento que a farinha é usada muito em bolos. Por isso, muitas panificadoras compram e churrascarias também. Dizemos que só não vende mais porque não tem matéria-prima. O processo de produção é muito grande e infelizmente ainda não conseguimos baixar o custo”, afirma.

Tecnologias

De acordo com o Inpa, quatro tecnologias criadas pelo Instituto já foram transferidas para empresas. São elas a farinha de pupunha integral, o purificador de água Ecolágua, o processo de obtenção da Zerumbona isolada dos óleos essenciais das raízes zingiber l. Smith e a composição farmacêutica do extrato de zingiber zerumbet, produzidas à base de gengibre amargo.

Os longos nomes dos produtos criados por meio do gengibre amargo são pronunciados facilmente pelo biotecnólogo Carlos Cleomir Pinheiro. Há cerca de 20 anos pesquisando as propriedades do gengibre amargo, o especialista chegou ao resultado final das duas tecnologias. A transferência das pesquisas chegaram à empresa Biozer da Amazônia Indústria e Comércio de Cosmético Ltda, que segundo ele, está a um passo de inserir os cosméticos e remédios no comércio da região.

“Apesar de esses produtos serem da flora internacional e também da farmacopeia brasileira, eles também tem que passar por uma certificação. É necessário que exista uma base científica para você poder colocá-los no mercado com qualidade, eficácia e segurança”, ressaltou o biotecnólogo.

Do gengibre amargo, a Biozer já criou unidades de sabonete antiacne, gel medicinal, cápsulas nutricionais e até iogurte terapêutico, este último desenvolvido por alunos de mestrado. Cleomir explica que todas as “mercadorias” precisam ser certificadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ele acredita que até outubro elas serão lançadas no mercado.

“Assim que nós tivermos uma parceria que resolva fazer o trabalho com a gente, provocaremos o desenvolvimento sustentável na região”.

Mais de 60 pedidos de patentes

O Inpa possui mais de 60 pesquisas que aguardam ser patenteadas. A informação é da Coordenadora de Extensão de Tecnologia e Inovação (Ceti) do Instituto, Rosângela Bentes. Segundo ela, a patente é um processo extremamente importante para resguardar a pesquisa. “É muito importante porque protege os resultados de pesquisa, além de não criar uma concorrência. Isso mostra também que a gente tem tecnologia, proteção, e pensa na industrialização desses produtos com segurança”, afirmou.

Conforme ela explica, um produto é patenteado a partir do momento em que o pedido é depositado junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), autarquia federal responsável pela concessão e garantia de direitos. “O comércio de tecnologias não é mais um mundo desconhecido. Já temos prática e experiência em fazer isso. Por isso estamos aqui para atender qualquer profissional que deseja desenvolver os seus métodos”.



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