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Professor da UEA cria equipamento que auxilia na comunicação de surdos e mudos

Quase 20 anos depois de criar o mouse-ocular, o professor Manuel Pinto Cardoso apresenta a “Mão que Fala”, equipamento para auxiliar a comunicação dos portadores de necessidades 17/05/2015 às 12:14
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Sensores de movimentos usados na indústria de jogos eletrônicos e um software baixado no telefone celular compõe o equipamento desenvolvido por Cardoso
Adália Marques ---

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Um software de computador que se pode baixar para o telefone celular e uma pulseira-sensor, usada na altura do cotovelo, registra mensagens de gestos criados por uma pessoa e traduz eles em sons da nossa língua em tempo real e de maneira clara. O invento é fruto do projeto Giullia, criado com o objetivo de melhorar a capacidade de comunicação entre pessoas com deficiência auditiva e da fala e que será lançado, nesta segunda feira, pelo Núcleo de Robótica e Automação da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), na Escola Superior de Tecnologia (EST).

O equipamento, batizado de “A Mão que Fala”, foi desenvolvido pelo professor Manuel Pinto Cardoso, o mesmo que criou o mouse-ocular nos anos 90. O nome do projeto, segundo o professor Cardoso, é uma homenagem à filha especial de um amigo, que lutou bravamente contra uma doença, mas não conseguiu vencê-la. Assim, em homenagem à menina, e como forma de agradecimento às homenagens que vem recebendo da UEA, Cardoso pensou em uma criação que pudesse ajudar pessoas que enfrentam dificuldade na comunicação por serem surdas ou mudas.

Inspirações

Manuel Cardoso observou nos Estados Unidos da América (EUA) a qualidade de sensores usados na indústria de games e deles tirou a inspiração para desenvolver o equipamento. Mas a vontade de ajudar este público especial não surgiu agora. Há 20 anos, Cardoso lançou projetos como o mouse ocular, também voltado para este grupo de pessoas. Ele, contudo, afirma que “a mão que fala” é, de todas as criações, a mais prática e acessível ao público ao qual se destina.

Para o projeto, que foi criado em um ano, o investimento foi em torno de R$ 2 milhões, com a patente já solicitada nos órgãos de registro. A ideia da equipe de Cardoso é disponibilizar no mercado comercialmente, mas espera-se firmar parcerias com projetos de cunho social, por meio do Governo do Estado, e com isto garantir acessibilidade às pessoas. Estes acordos, segundo Cardoso, ainda estão em processo de discussão e, portanto, não há como estimar os valores futuros do equipamento.

Resposta social

O coordenador do Grupo de Robótica e Automação da UEA, Marivan Gomes, explicou que ano passado foi criado um laboratório para o grupo e nele são prestados serviços técnicos e eletrônicos para as empresas do Pólo Industrial de Manaus. Parte dos recursos adquiridos com a venda dos serviços é direcionada para as pesquisas e desenvolvimento de tecnologias assistida.

“O retorno para a sociedade faz parte do próprio conceito de ser uma universidade, precisamos devolver um pouco do que adquirimos na academia para a sociedade”, afirmou Marivan. “Pesquisas em ciência e tecnologia partem da observação das carências da comunidade e hoje nós temos no grupo 40 alunos que entendem que este é um trabalho social”, observou o coordenador do grupo.

Análise: Iara Rodrigues, Professora de Libras

‘Linguagem acontece naturalmente’

Para a professora especialista em Libras e jornalista Iara Rodrigues, 37, independente de a pessoa ser surda ou muda, o processo de linguagem e aprendizagem acontece naturalmente, pois o cérebro encontra outras maneiras de se comunicar, da mesma forma que um sujeito ouvinte, segundo ela:

“Ainda há muito preconceito por falta de conhecimento, mas há a língua oficial, que é a de Sinais decretada pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, por meio da lei 10436, de 24 de abril de 2002. A Lei foi sancionada e transformou a Língua Brasileira de Sinais (Libras) numa linguagem oficial no Brasil, mas nem todos sabem a linguagem de sinais, porém esta é muito importante, é também uma grande conquista, agora, nem todos tem essa alfabetização, então, o projeto sem dúvida é uma grande iniciativa, pois a maior dificuldade do surdo é fazer com que o ouvinte o entenda”. Finalizou

Sensores, softwares e inteligência artificial

Os sensores captam sinais dos músculos e funcionam como roldanas, então quando a pessoa faz o movimento dos dedos e dos braços, ele capta os sinais e envia via Bluetooth para o celular. No celular foi desenvolvido logaritmos matemáticos, baseados em inteligência artificial, que envia as mensagens para as redes no chamado programa de computador. Por ter inteligência artificial, a rede reconhece os movimentos, associa com frases, letras, libras ou qualquer gesto, que a pessoa dê comando.

A dificuldade na comunicação gera uma barreira muito grande da socialização em si, e esta foi uma oportunidade de trazer a tecnologia como forma de solução definitiva pra isso.


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