Terça-feira, 23 de Julho de 2019
Manaus

Professora internada há quase oito meses espera por cirurgia em Manaus

A professora, que antes do primeiro infarto, em 2012, tinha uma vida feliz e saudável ao lado da família, hoje vive o drama da espera e a incerteza se suportará as dores e os infartos que, diariamente, abalam seu coração



1.jpg Aos 47 anos, Sidlene Gadelha sente falta da vida fora do hospital, especialmente da família e amigos, de quem esteve afastada nos últimos oito meses
29/10/2014 às 10:48

“Meu presente nesse final de ano seria passar o natal junto com a minha família novamente e ver o sorriso de todos por eu estar com saúde”. É esse desejo que tem feito a professora Sidlene Martins Gadelha, 47, suportar os oito meses de espera por uma cirurgia cardíaca, internada no hospital da Fundação do Coração Francisca Mendes. 

A professora, que antes do primeiro infarto, em 2012, tinha uma vida feliz e saudável ao lado da família, hoje vive o drama da espera e a incerteza se suportará as dores e os infartos que, diariamente, abalam o coração dela. Sem poder sair do hospital, Sidlene conta que sente falta de tomar sol, sentir o vento no rosto e brincar com os sobrinhos, que não podem visitá-la no hospital. “Eu choro todos os dias com saudade da minha família”, declarou, emocionada, a professora.

Sidlene diz que  entende quando a família não a visita porque todos estão ocupados e a vida não pode parar porque ela está hospitalizada.

A professora conta que, para passar o tempo, visita outros pacientes e conversa bastante com a equipe de profissionais do hospital, que se tornaram seus familiares durante todos os meses de internação. “Eu não tenho do que reclamar da equipe médica do hospital Francisca Mendes, mas ver pessoas voltando pra casa e eu continuar internada é muito doloroso”, afirma. “Além disso eu sei que, todas as vezes que vou para outros leitos, estou colocando a minha vida e de outras pessoas em risco porque posso pegar uma infecção e piorar ainda mais minha situação”, completa

Demora

De acordo com Sidlene,  foram realizadas três cirurgias para tentar resolver o  problema dela e a última indicação médica  é um procedimento chamado de simpatectomia por videotoracoscopia, feito por uma equipe do Hospital Getúlio Vargas (HUGV).

De acordo com Sidlene, o primeiro obstáculo foi imposto pelo HUGV, que  informou que não possuía material para realizar o procedimento, o que prontamente foi resolvido com a doação do que era necessário pela diretoria do Francisca Mendes. Porém, mesmo assim, a cirurgia não foi realizada. Agora o problema apontado pelo HUGV é o elevador que dá acesso à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), que apresentou problema e adiou novamente o procedimento. “Eu percebo uma má vontade em me ajudar e isso me desespera porque não sei quanto tempo vou aguentar”, disse Sidlene.

Espera pode estar perto do final

A espera de Sidlene Martins Gadelha, que, junto com a família,  estava pensando em iniciar uma luta na Justiça para conseguir realizar o procedimento cirúrgico, pode estar próximo do fim. A Secretaria Estadual de Saúde (Susam) informou que a direção da Fundação Francisca Mendes está ultimando, junto com a direção do HUGV, providências para que o procedimento de Sidlene ocorra dentro de uma semana. De acordo com a direção da Fundação do Coração Francisca Mendes, embora esteja internada na unidade desde o mês de março, para tratamento de intercorrências relacionados a problemas cardiovasculares, a paciente recebeu indicação de realizar o procedimento cirúrgico (simpatectomia por videotoracoscopia) há pouco mais de um mês.

Cronologia - Início e espera por cirurgia

set/2012 -  Sidlene teve o primeiro infarto e começou a apresentar problemas cardíacos frequentes, assim como vários familiares dela, que têm  doenças no coração.

jan/2013 Novo episódio de infarto. Segundo o laudo médico, desde então a paciente evoluiu para um quadro de “dor frequente no peito”.

jan/2014-  Devido aos frequentes episódios de dor, os médicos optaram por realizar um novo procedimento, dessa vez um cateterismo.

jan/2014 -  O local da cirurgia infeccionou, o que levou a paciente novamente ao centro cirurgíco, para realizar um procedimento no local afetado. 

mar/2014  Entrou na lista de espera para realizar uma nova cirurgia no HUGV.

Elevador

O HUGV informou que tem conhecimento da situação da paciente Sidlene Martins Gadelha, porém o elevador do hospital apresentou defeito, o que inviabiliza a realização de  cirurgias de alta complexidade que precisam de pós-operatório no CTI.

 Alternativa

O hospital informou ainda que o conserto do elevador está sendo providenciado, mas para agilizar a cirurgia, a direção do hospital estuda a possibilidade de ceder o cirurgião para realizar o procedimento no hospital Francisca Mendes, porém a data para que o procedimento seja realizado não foi definida.

Receba Novidades

* campo obrigatório

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.