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Sex shop em escola

Professora que denunciou venda de produtos eróticos em escola sofre represálias

Professora que denunciou a venda de produtos eróticos dentro da Escola Estadual Presidente Castelo Branco diz que está sendo coagida pela direção da unidade 31/08/2016 às 11:05 - Atualizado em 16/09/2016 às 20:13
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Segundo a professora, intimidações começaram depois que ela ‘denunciou’ a venda de produtos eróticos na escola (Foto: Reprodução/Internet)
Luana Carvalho

O clima na Escola Estadual Presidente Castelo Branco, no bairro São Jorge, Zona Oeste, é de tensão, após uma professora ter denunciado a venda de produtos eróticos durante um brechó realizado na última sexta-feira, na quadra da escola. Isto porque, segundo denúncias, a direção da unidade estaria intimidando a educadora que relatou o caso e a aluna que fez fotos dos produtos.

A direção da escola afirma que a quadra foi cedida para realização de um brechó a pedido da comunidade. À polícia, a gestora informou que o evento foi organizado por um professor de educação física, que não teve o nome divulgado. No entanto, de acordo com a professora que fez a denúncia e que preferiu não ter o nome divulgado, os demais educadores só ficaram sabendo do evento no dia e ficaram surpresos com o ‘stand’ da Sex Shop. “Cada expositor pagou R$ 30 para participar do brechó e ninguém sabe para onde foi esse dinheiro”, relatou.

Segundo ela, a direção da escola quer responsabilizá-la pelo ‘vazamento’ das fotografias, onde duas alunas aparecem segurando próteses penianas. “O evento foi realizado das 8h às 17h, em horário de aula, os alunos foram convidados”.

A professora esclareceu que tomou a atitude de denunciar por não concordar que esse tipo de material seja vendido dentro de uma instituição de ensino, principalmente para menores de idade. “Mesmo orientando nossos alunos, não acredito que os pais fiquem satisfeitos com este tipo de comércio dentro da escola. Existe uma portaria desde 2014 que diz que não é permitido ceder as dependências da escola para eventos privados. Agora, a direção quer jogar a culpa do que aconteceu nas pessoas que denunciaram em vez de esclarecer por quem este brechó foi organizado”.

Propaganda indevida

De acordo com denúncias de professores e dos próprios alunos, o evento foi realizado por um funcionário da coordenação da escola. No local, os panfletos da Sex Shop também estavam sendo distribuídos e, ainda de acordo com a professora, muitas alunas se interessaram em revender os produtos. No flyer, consta que as lojas ficam localizadas nos bairros Nova Cidade, Zona Norte, e São José, Zona Leste.

“Não quero dizer o que é certo ou errado, mas sei que este tipo de material não deveria estar sendo comercializado na escola. É um absurdo. Todos da direção sabiam”, completou a professora.

A aluna que tirou a foto das colegas segurando os produtos também disse que a direção da escola estava ciente do que os expositores estavam vendendo. Ela contou que está sendo pressionada por ter feito as fotografias e que só poderá entrar na escola, novamente, com a presença dos pais.

“Era um evento aberto a todos. Tinha uma mesa cheia desses produtos e algumas manequins com roupas íntimas, aquilo nos chamou atenção. Dizer que não sabiam daquilo é inadmissível porque na escola não podemos estar com calça diferente que não permitem a entrada do aluno, é proibido vender merenda, bombons e qualquer outro tipo de produto. Como que não sabiam que tinha um stand de uma Sex Shop?”, indagou.

Sinteam promete investigar denúncias

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Amazonas (Sinteam) em exercício, professor Cleber Ferreira, informou que o sindicato não ficou sabendo oficialmente sobre a possível intimidação aos professores que fizeram a denúncia. Mas, segundo ele, irá apurar. “O ato em si é um absurdo, por conta de terem usado a quadra da escola. A direção diz que alugou a quadra a terceiros e que não tomaram conta por isso. Mas o fato é que foi dentro de uma instituição de educação e esse tipo de atividade não tem nenhum cunho pedagógico”.

A delegada Juliana Tuma, titular da Delegacia Especializada em Proteção a Criança e ao Adolescentes (Depca), que está investigando o caso, informou que a gestora da escola foi ouvida ontem e que foi suscitado que a organização teria partido de um professor.

Procedimento administrativo

A Seduc informou que instaurou um procedimento administrativo para averiguar todos os aspectos envolvendo a realização do “brechó”. A pasta reitera que nem a Coordenadoria Educacional e nem a direção da escola foram informadas que haveria um stand de produtos adultos no local. A secretaria informou, também, que em nenhum momento intimidou e nem coagiu servidores, professores ou alunos da escola para obter informações sobre o caso.

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