Sábado, 29 de Fevereiro de 2020
GREVE

Professores em greve farão ‘aulão’ na Zona Leste e recomendam protetor solar e água

Objetivo da aula pública marcada para a manhã desta terça-feira (27) é explicar o movimento grevista à sociedade. Professores do Sinteam fizeram reunião no Largo São Sebastião nesta segunda (26)



WhatsApp_Image_2018-03-26_at_18.06.47.jpeg Professores ligados ao Sinteam realizaram reunião no Largo São Sebastião para a divulgação das atividades do movimento grevista. Foto: Antônio Lima
26/03/2018 às 19:41

Professores da rede estadual de ensino do comando grevista da Zona Leste de Manaus vão realizar um "aulão público" na Bola do Produtor na manhã desta terça-feira (27) para explicar o movimento grevista à sociedade. Nesta segunda-feira (26), às 13h, a greve do professores ligados ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam) iniciou oficialmente.

Segundo o professor Jonas Araújo, um dos organizadores do “aulão”, a atividade pode ser definida como uma “aula de cidadania”. A concentração para a atividade, na rotatória que fica em frente à Feira do Produtor, na Zona Leste de Manaus, inicia às 7h.



“O aulão é na perspectiva de explicar para a sociedade porque os professores estão em greve. O que é greve, como a classe trabalhadora se organiza para garantir seus direitos e as perdas salariais que os professores tiveram nos últimos quatro anos são algumas das questões que vamos colocar. Vamos explicar a importância da organização dos trabalhadores frente aos direitos que são básicos e, inclusive, ensinar como os alunos podem questionar a falta de estrutura nas escolas”, explica o Jonas.

Para encerrar a greve, os professores exigem reajuste salarial de 30% e mais 5% real de salário, totalizando um índice de 35%. Além disso, a categoria busca manutenção do plano de saúde, que foi cortado para parte deles, e vale alimentação.

De acordo com o professor Jonas, alunos das escolas da Zona Leste vão levar cartazes e a aula deve ser interativa e dinâmica, contando com a participação de quem marcar presença no ato. “Também temos como ideia, a partir dos alunos que participarem do aulão, organizar atividades que envolvam toda a comunidade escolar”, conta Jonas.

Como a aula irá acontecer em um espaço aberto, a recomendação do comando grevista é para que as pessoas que forem na aula levem sombrinhas, bonés, protetor solar e água para que possam se proteger do sol e se refrescar.

Panfletagens e passeata pela cidade

Panfletagens em diversos pontos da cidade e uma passeata pelo Centro com destino ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida, no bairro Aparecida, Zona Sul, são outras atividades que compõem a agenda do movimento grevista encabeçado pelos professores da rede estadual de ensino, em Manaus, para esta terça-feira (27).

Os professores ligados ao Sinteam realizaram, no final da tarde desta segunda-feira (26), uma reunião no Largo São Sebastião, Centro de Manaus. O objetivo, segundo o comando de greve, era passar a agenda dos Comandos zonais, instalados nas zonas geográficas de Manaus.

O Terminal de Ônibus 5, na Zona Leste, a Praça da Igreja São Bento, e as escolas da capital serão alguns dos pontos de panfletagem dos professores em greve ao longo desta terça-feira. A passeata pelo Centro, que inicia no Largo São Sebastião, acontece no final da tarde e deve terminar com uma panfletagem em frente ao Santuário de Nossa Senhora de Aparecida.

Ato na sede do Governo

Para a quarta-feira (27), às 15h, está prevista uma nova manifestação em frente à sede do Governo do Estado, no bairro Compensa. A expectativa da direção do Sinteam é que 3 mil professores participem do ato.

Apesar de a greve do Sinteam ter começado oficialmente na tarde desta segunda-feira, há duas semanas, os professores da rede estadual de ensino do Amazonas vêm promovendo paralisações e atos de protesto em escolas de Manaus e do interior do Estado.

Diante das manifestações dos professores, o Governo do Estado se propõe a pagar a data base de 2017 no percentual de 4,57%, o que foi rechaçado pela categoria. Também foi oferecido aumento em R$ 200 do vale-alimentação dos docentes em sala de aula, totalizando R$ 420; promoções verticais de 3.516 professores que concluíram títulos de graduação; extinção da taxa de 6% do vale-transporte; auxílio localidade de R$ 30 para R$ 200, e até R$ 1 mil dependendo da distância em casos de professores que trabalham em interiores.

O Sinteam protocolou um novo pedido para negociação junto à Secretaria de Estado de Educação (Seduc), mas até o final da tarde o sindicato não havia recebido resposta.

Além de Manaus, segundo o Sinteam, em outros 26 municípios do interior do Amazonas há comandos de greve instalados.

Asprom/Sindical continua em greve apesar de liminar que determina suspensão

Em paralelo ao movimento grevista do Sinteam, que é o sindicato que responde legalmente pela categoria dos professores, outra entidade lidera também um movimento grevista em Manaus e em cidades do interior do Estado. É o Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus (Asprom/Sindical), que mobilizou cerca de 12 mil professores nas ruas da capital na última quinta-feira (22) na deflagração da greve.

Na última sexta (23), com cerca de 70% das escolas estaduais paradas, o Governo do Estado conseguiu por meio de uma ação judicial a suspensão da greve liderada pela Asprom, sob multa de R$ 20 mil por dia, limitados a R$ 400 mil, em caso de descumprimento. A decisão, tomada pela desembargadora Socorro Guedes, entendeu que a Asprom não possuía legitimidade para representar os docentes, já que se limitava a atuar em Manaus, e também porque a desembargadora considerava a educação um “serviço público essencial".

Em assembleia nesta segunda-feira (26), os profissionais ligados à Asprom/Sindical decidiram continuar em greve mesmo com a liminar que determina a suspensão da greve estando em vigência. A Asprom/Sindical promete recorrer da decisão judicial.


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