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Manaus
PROTESTO

Professores manifestam no TJ-AM contra decisão que suspendeu greve da Asprom

Desembargadora mandou suspender a greve da categoria na última sexta (22). “Estamos com as faixas pretas nos olhos para mostrar que a nossa Justiça é cega”, disse um dos manifestantes 27/03/2018 às 10:36 - Atualizado em 27/03/2018 às 10:40
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Foto: Raine Luiz
Amanda Guimarães Manaus (AM)

Centenas de professores estaduais realizaram uma manifestação na manhã desta terça-feira (27) em frente à sede do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJ-AM), na avenida André Araújo, Zona Centro-Sul de Manaus. O grupo protestou contra a decisão da desembargadora Maria do Perpétuo Socorro Guedes Moura de suspender, em julgamento de ação civil pública, a greve deflagrada pela Associação dos Professores e Pedagogos de Manaus (Asprom) na última quinta-feira (22).

Os manifestantes estavam com faixas pretas e cartazes. Eles cantaram o hino do Amazonas com os olhos vendados. Segundo a coordenadora do Asprom-Sindical, Helma Sampaio, o ato é para mostrar à injustiça existente do país. “Estamos com as faixas pretas nos olhos para mostrar que a nossa Justiça é cega. A desembargadora cometeu uma injustiça suspendendo a greve. Cumprimos tudo conforme a lei, porque o movimento grevista foi deflagrado apenas depois de 72 horas. Essa liminar é cheia de vícios”, destacou.

A coordenadora do Asprom-Sindical também comentou que 70% dos profissionais do Amazonas continuam paralisados mesmo após a decisão da desembargadora. “O governador continua irredutível. Até agora não nos procurou. O Sinteam (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas) representa os professores do interior, mas estamos aqui representando os profissionais da capital. O governo não consegue entender isso. Não entendem que estamos defendendo estas pessoas que estão aqui na rua”, afirmou Helma.

Na decisão da desembargadora Socorro Guedes, tomada na última sexta-feira (23), a magistrada mandou suspender a greve promovida pela Asprom sob multa de R$ 20 mil por dia, limitados a R$ 400 mil, em caso de descumprimento da ordem. Guedes entendeu que a Asprom não possuía legitimidade para representar os docentes, já que se limitava a atuar em Manaus, e também porque a desembargadora considerava a educação um “serviço público essencial”.

Manifestação e outros atos

Uma viatura da Polícia Militar do Amazonas (PMAM) e agentes do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização de Trânsito (Manaustrans) acompanharam a manifestação em frente à sede do TJ-AM, considerada pacífica na manhã desta terça (27).

Segundo Helma, outros atos serão realizados nos próximos dias em Manaus. Um deles acontecerá a partir das 7h desta quarta (28), em frente à sede do governo, na avenida Brasil, no bairro Compensa, na Zona Oeste de Manaus. “Amanhã voltaremos para a sede do governo, com o objetivo de tentar chamar atenção novamente do governador Amazonino Mendes. Estamos na batalha”, completou.

Greve do Sinteam

Em paralelo ao movimento grevista da Asprom, o Sinteam, que é o sindicato que responde legalmente pela categoria, já deflagrou greve ontem (26), após esperar prazo legal de 72h desde a assembleia dos professores. Segundo o Sinteam, 80% dos mestres do Estado já estavam parados e as aulas. Os professores exigem reajuste salarial de 35%, manutenção do plano de saúde e vale-alimentação.

Como proposta, o Governo do Estado se prontificou a pagar a data base de 2017 no percentual de 4,57%, o que foi rechaçado pela categoria. Também foi oferecido aumento em R$ 200 do vale-alimentação dos docentes em sala de aula, totalizando R$ 420; promoções verticais de 3.516 professores que concluíram títulos de graduação; extinção da taxa de 6% do vale-transporte; e auxílio localidade de R$ 30 para R$ 200, e até R$ 1 mil dependendo da distância em casos de professores que trabalham em interiores.

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