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Professores reclamam de participação no mutirão de limpeza da Semed

Eles temem ser alvos de medidas arbitrárias caso não participem dos mutirões de limpeza organizados pela Semed, que envolvem professores em atividades que vão desde capinagem dos jardins até limpeza dos banheiros das escolas 01/12/2014 às 21:33
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Semed disse que participação no mutirão não é obrigatória
Lucas Jardim Manaus (AM)

Professores da rede municipal de ensino se manifestaram através de seu sindicato sobre o medo de represálias aos docentes que não participarem dos mutirões de limpeza organizados pela Secretaria Municipal de Educação (Semed), que envolvem profissionais da educação, pais e alunos em atividades que vão desde capinagem dos jardins até limpeza dos banheiros das escolas.

Segundo Marcus Libório, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam), ele vem recebendo denúncias de professores de escolas da Zona Oeste sobre os mutirões, que são comunicados de forma oficial aos trabalhadores da escola. “Isso é um absurdo. A Semed criou uma espécie de ISO às vezes para usar o professor, que já tem muitas atribuições, para fazer serviços de limpeza e conservação de infraestrutura”, disse ele.

Marcus prosseguiu, dizendo que os mutirões seriam uma forma incabível de corte de gastos. “Existe dinheiro para a infraestrutura escolar. Eu desafio a Semed a provar o contrário, que não tem dinheiro.  40% do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação [Fundeb] tem de ser investido em infraestrutura, pelas próprias normas do fundo, e sei que existe dinheiro além do Fundeb, que é federal”, comentou.

O presidente do Sinteam foi veemente na crítica à falta de investimento na educação e como a atual gestão municipal vem lidando com a pasta. “O prefeito até agora não mostrou a que veio em termos de educação. O atual secretário também não. Quanto à equipe da secretaria, parece que esse pessoal, me perdoe a expressão, parece que não tem o que fazer. Parece que, ao invés de serem pagos para ter ideias boas, são pagos para terem ideias ruins”, criticou.


Ele pede que qualquer professor que se sinta ameaçado por se recusar a participar dos mutirões deve formalizar a denúncia no sindicato, que pretende representar contra a medida no Ministério Público e pedir explicações da Prefeitura. “Não há previsão legal que os obrigue uma vez que no edital do concurso pelo qual eles ingressaram no serviço público não havia essa atribuição”, afimou.

Perguntada sobre a questão, a Semed informou que os mutirões são comuns, acontecem há mais de 10 anos, geralmente próximo ao final do ano letivo. Ela reforça que “a escola não é obrigada a participar da ação, nem muito menos os profissionais que nela atuam, [mas] contam com a participação voluntária de pais, alunos e professores, que organizam armários, salas e cuidam da fachada da escola, os demais serviços de limpeza são feitos por funcionários de serviços gerais das unidades escolares”.

Segundo o órgão, a atividade desenvolve um papel pedagógico e comunitário, ao mesmo tempo que instrui alunos e envolve a comunidade na vida escolar, através de palestras e atividades lúdicas, dentro e fora de sala de aula. Para a Semed, “o mutirão é desenvolvido como uma forma de sensibilização da comunidade escolar para o cuidado e preservação do patrimônio público”.

Marcus, no entanto, vê nesse discurso, “uma retórica, um proselitismo político”. “Há várias maneiras de se realizar esse trabalho de conscientização sem envolver os professores indo além de suas funções”, concluiu.


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