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Manaus
Saneamento básico

No Amazonas, 64,8% dos domicílios não têm acesso à rede de esgoto

Estudo divulgado pela Abes aponta avanços ainda insuficientes e mais de dois milhões de habitantes sem o serviço básico em todo o Estado 17/03/2017 às 09:18
Show saneamento b sico
Falta de infraestrutura das redes de água, esgoto e coleta de lixo é determinante (Aguilar Abecassis)
Isabelle Valois Manaus (AM)

A região Norte continua a ter a menor cobertura de rede de esgoto do País. É o que aponta o estudo da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), feito com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2015, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Durante esta semana, a Abes apresentou os dados do Amazonas e da capital, Manaus, em um ciclo de palestras realizado para marcar os 10 anos da lei de saneamento básico, a lei 11.445. A ideia do encontro é debater o cenário atual do saneamento básico no Brasil e nos Estados. No Amazonas, os dados apontam que 64,8% dos domicílios ainda não têm acesso à rede coletora de esgoto.

Para o presidente da Abes, Roberval Tavares de Souza, os estudos apontam avanços tímidos em investimentos na área. Ele faz um alerta para o governo estadual e as prefeituras, no sentido de elegerem o saneamento como prioridade na gestão. “Saneamento deve ser prioridade de Estado, e não de governo”, declarou.

Saneamento e enchente

Preocupante. Essa foi a palavra usada pelo presidente da Abes para descrever a realidade de Manaus, quando o assunto é saneamento básico. “Durante esses últimos 10 anos não tivemos nenhum avanço no saneamento básico. De toda a cidade, só 6% são assistidos como deveria ser. E esses 6% são provenientes de empresas particulares, que são forçadas a implantar o sistema. Nas áreas públicas não temos mais nada”, afirmou Ferreira.

Para o engenheiro ambiental, a situação é tão crítica que os reflexos da falta de saneamento básico ficam mais evidentes a cada cheia. “Quando chove presenciamos as alagações, pois não temos um sistema de drenagem, assim também ocorre quando estamos vivendo uma enchente”, explicou.

Segundo ele, das 17 estações de tratamento de Manaus, apenas duas estão em operação. “Precisamos que o poder público cobre a concessionária para avançamos com esse sistema. Sem saneamento básico, a situação da cidade só tende a piorar”.

ProsamimFerreira afirmou ainda que o Programa Social e Ambiental dos igarapés de Manaus (Prosamim) promoveu avanços sociais na capital, mas do ponto de vista ambiental não houve nenhuma mudança. “Acreditávamos que o Prosamim teria algum sistema destinado ao saneamento básico ou despoluição de igarapés, mas a única mudança prevista foi no social. Não temos nenhum sistema de saneamento destinado a essas áreas que fazem parte do programa”, criticou.

Amazonas é o 3° em rede de água

Os estudos apontaram que a Região Norte contou com um aumento de 3% nos domicílios abastecidos por rede de água, atingindo uma cobertura de 60,2%. Nesse indicador, o Amazonas passou de 72,9% para 74,1%, ocupando o 3º lugar em cobertura na região, após a incorporação de 18 mil domicílios. No Brasil, a cobertura é de 85,4%.

A cobertura de esgoto da Região Norte é a mais baixa do País (22,6%), frente a uma média nacional de 65,3%. O Amazonas tem apenas 35,2% dos domicílios conectados à rede coletora, isso significa que mais de 2 milhões de pessoas não têm acesso ao serviço e permanecem esgotando via fossa séptica não conectada à rede, fossa rudimentar ou outros meios.

Em 2015, a coleta de lixo no Estado apresentou um aumento relativo de 0,7%, mantendo a mesma cobertura de 2014 - 84,8%. Quanto aos filtros de água, mais de 240 mil domicílios utilizavam o equipamento em 2015.

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