Segunda-feira, 14 de Junho de 2021
ALFABETIZAÇÃO AUDIOVISUAL

Projeto amazonense leva a crianças carentes o primeiro contato com o audiovisual

O 'Cine Bodó' já levou alfabetização audiovisual para mais de 300 pessoas na capital amazonense, fazendo com que crianças carentes tenham o primeiro contato com a arte da filmagem



16/05/2021 às 06:33

Ferramenta de comunicação, reflexão, fomentação de arte e conhecimento, o audiovisual não é apenas entretenimento. Apesar de o contato com a câmera, a filmagem e a fotografia ser uma realidade distante para crianças e adultos moradores de áreas periféricas de Manaus e do Brasil, um grupo de mulheres amazonenses vem fazendo o possível para contornar essa realidade. O projeto "Cine Bodó" transforma vidas manauara desde 2015, levando a alfabetização audiovisual para comunidades carentes da cidade.

Para se ter uma ideia da defasagem da cultura do cinema no país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente 11% das 5,5 mil cidades brasileiras possuem salas de cinema, sendo a maioria em capitais e grandes centros urbanos do país. Contudo, muitas pessoas que podem ter acesso ao cinema na cidade, não têm, por viveram em situação de vulnerabilidade social. Nesse contexto, o Cine Bodó proporciona uma maior democratização do cinema.



Somente em 2021, a Mostra Itinerante de Audiovisual do Cine Bodó chegou às comunidades João Paulo, Quilombo Urbano de São Bendito e Monte das Oliveiras. O projeto também é responsável por capacitar jovens com oficinas de audiovisual gratuitamente. A ação está em sua 5º edição, foi criada pelo grupo Picolé da Massa e já atingiu mais de 300 pessoas, passou por mais de 16 comunidades, produziu mais 20 curtas-metragens, e o trabalho já formou mais de 80 jovens nas oficinas de audiovisual.

Primeiro contato com a câmera

O Cine Bodó, durante o mês de abril passou por três comunidades da cidade de Manaus, entre elas o Monte das Oliveiras, Quilombo Urbano de São Bendito, finalizando em João Paulo. O último bairro a receber o projeto teve como sede a Associação Diamante Lapidado, que ampara crianças e adolescentes.

A diretora da Associação, Juliete Maciel, ao ser convidada para participar da ação, aceitou prontamente. "Esse projeto é muito importante, estou podendo perceber e analisá-lo. Está beneficiando essas crianças, e através delas muitas famílias também", completou.

Além da produção de filmes, no qual fazem parte das oficinas realizadas nas comunidades com os jovens, contava também, com rodas de conversas com narrativas 'periféricas' e trocas de vivências. Porém com a pandemia causada pelo coronavírus, o formato do projeto passou por mudanças, acontecendo de forma híbrida, com as oficinas de audiovisual ocorrendo de duas formas, remotamente através do Whatsapp e Google Meet, com o objetivo de evitar aglomerações e, presencialmente, em cada comunidade.

De acordo com a diretora de cinema Dheik Praia, juntamente com os curtas-metragens nacionais, é levado vivência, experiência de formação que tem o audiovisual como linguagem e expressão, sendo adaptados à realidade atual.

"Estamos apenas com a formação, com poucos alunos em um tempo reduzido, antes passávamos o dia inteiro na comunidade. Agora estamos com um formato menor, mas ainda conseguimos cumprir nosso papel,  levando informações básicas acerca do audiovisual e, de que modo os jovens podem recortar sua sociedade a partir daquelas ferramentas ensinadas", disse.

A exibição dos curtas-metragens produzidos pelos alunos, neste ano, foram suspendidos de forma presencial, sendo disponibilizados aos alunos e ao público geral através do youtube do grupo Picolé da Massa.

Realidade das comunidades

Por meio da adaptação, o projeto acontece de forma remota e presencial, porém moradores da periferia de Manaus, muitas vezes não possuem acesso adequado a  internet. Dheik relata, que essa realidade é enfrentada por muitas famílias amazonenses, sendo de extrema importância o contato presencial, respeitando todas as medidas de distanciamento social.

Dentro da oficina é ensinado como produzir um roteiro, as práticas da fotografia e dicas de atuação. Todo o universo cinematográfico é explorado pelas crianças e adolescentes. Até mesmo, por aquelas que nunca tiveram acesso a esse mundo, caso da menina de 15 anos, Vitoria dos Santos, no qual teve o primeiro contato com o audiovisual através do Cine Bodó.

“Eu aprendi sobre fotografia, o que antes não havia me interessado. Tudo isso, está sendo muito legal, pois estou aprendendo coisas novas. Posso começar a gravar e fazer um filme, algo que não passava pela minha cabeça", disse.  

Em sua 5ª edição, o projeto possui membros que acompanham todo o desenvolvimento do trabalho desde o início, um desses personagens é o fotógrafo Alaisson Junior, no qual ao longo desse período presenciou diversidade em cada região que o Cine Bodó passou, onde sempre percebeu o interesse pelo cinema nas crianças.

"Eles assumem de fato a função que estão ocupando. Isso é muito importante ao meu ver, pois acabam protagonizando uma ação dentro de um espaço, dentro de um filme e de um cenário audiovisual, o que é o mais importante desse trabalho" afirmou.

Repórter de A Crítica

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