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Projeto apresentado na CMM propõe abrir faixas azuis para o uso de motocicletas

O PL 198 /2015 prevê a utilização das faixas exclusivas e corredores de ônibus por motociclistas entre às 10h e 17h 01/07/2015 às 09:18
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Em Londres, na Inglaterra, motociclistas podem usar a mesma faixa destinada ao uso do transporte coletivo. É essa ideia que inspira o projeto de lei apresentado pelo verador na Câmara Municipal
luana carvalho ---

Mais uma alternativa envolvendo a ‘faixa azul’ está dividindo opiniões em Manaus. Isto porque o vereador Francisco da Jornada (PDT) apresentou um projeto de lei autorizando o uso da faixa exclusiva por motociclistas fora dos horários de pico. Segundo ele, “os motociclistas sofrem com a falta de segurança no trânsito e o número de acidentes é alarmante, sendo mais de uma morte por dia”.

O PL 198 /2015 prevê a utilização das faixas exclusivas e corredores de ônibus por motociclistas entre às 10h e 17h. “É demanda constante dos motociclistas por mais espaço para o seu deslocamento nas faixas de rolamento, uma vez que, em geral, estes têm de se aventurar perigosamente por entre os automóveis”, justifica.

O projeto, apresentado no dia 17 de junho, exalta exemplos de outros países que liberaram o uso das faixas exclusivas de transporte público para motocicletas, obtendo “ redução dos índices de congestionamento e do número de acidentes”. Os países citados são da Europa, como Portugal, Escócia, França, Alemanha e Inglaterra.

“O caso de maior visibilidade é o de Londres (Inglaterra), onde estudos apontam uma redução de 40% no número de acidentes envolvendo motocicletas durante os primeiros 18 meses após a permissão aos motociclistas para circular pela faixa ‘BUS’, onde somente o transporte público e bicicletas eram permitidos”, afirma o vereador.

Mas para o universitário Thiago Correa, 27, que utiliza um veículo de passeio como meio de transporte, a faixa compartilhada representa um perigo a mais no trânsito. “Seria tão perigoso para o motociclistas quanto se eles tivessem fora da faixa. Se um ônibus circular com uma velocidade média de 50 km/h e ele ao menos encostam em um motoqueiro, é morte na certa. Poderia até melhorar o trânsito, mas como é uma novidade, qualquer acidente viraria um fato bem divulgado em relação essa decisão”, opinou.

A vendedora Naira Coelho Silva, 29, que depende do ônibus para chegar no trabalho todos os dias, também não gostou da ideia. “Tudo bem que é fora do horário de pico, mas ninguém garante que eles vão respeitar. Já pensou aquele ‘monte de moto’ usando a mesma faixa que foi criada para facilitar a vida de quem usa o transporte público? Íamos voltar para a estaca zero”.

Sindicato

O advogado do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), Fernando Borges, acredita que a medida precisa ser estudada. “Deve ser precedido um estudo e pesquisas de fluxo para avaliar a necessidade e eficiência”.

Em números

141.613 é a frota de motocicletas na cidade de Manaus, de acordo com o Departamento Nacional de Trânsito. Além destas, existem mais 13.879 mil ‘motonetas’. A frota total de veículos incluindo automóveis, caminhões e ônibus é de 636.548 mil.

Análise: Pedro Carvalho, Diretor da SMTU
“Nós não somos a favor desta medida. Não podemos tomar como parâmetro o que acontece na Europa porque aqui nós vivemos outra realidade, onde trafegam veículos pesados na ‘faixa azul’. Se pormos motocicletas nas faixas, podem acontecer acidentes terríveis porque o motociclista não vai querer ficar parado atrás do ônibus a cada embarque e desembarque. Não tem lógica. Não vejo isso como uma solução e não posso analisar e avaliar apenas o ponto de vista da categoria. Como técnico da área de transporte e trânsito, eu discordo do projeto. A tendência é que a faixa seja exclusiva para ônibus. Atualmente outros modais ainda trafegam porque estamos vivendo uma adaptação. Mas quando agregarmos o BRT ou outra tecnologias, somente o transporte coletivo será permitido. Um ônibus articulado leva 170 pessoas, um convencional transporta 80. Depois da faixa azul, eles reduziram em até 40 minutos o tempo de viagem. Não podemos botar mais modais e correr o risco de prejudicar essa melhoria que tivemos”.

Motociclistas apoiam ideia

Dados do Ministério da Saúde apontam que, em 2013, os acidentes com motos resultaram em 12.040 óbitos no País, o que corresponde a 28% dos mortos no transporte terrestre. No Amazonas, foram 137 mortes em 2013, ocupando a 25ª posição no ranking de mortes.

Enquanto os usuários do transporte coletivo e outros motoristas não apoiam o projeto de lei, os amantes de duas rodas estão esperançosos com a medida. Eles contam que sofrem, diariamente, risco de morte por falta de educação no trânsito.

“Muitos motoristas não respeitam os motociclistas. ‘Nos fecham’ propositalmente. Não olham o retrovisor. Falam ao celular e colocam nossas vidas em risco. Aqui em Manaus não existe corredor para motos, disse o mototaxista Leandro Tavares, 29.

Walter Rodrigues é integrante de um motoclube e acredita que a solução seria mais educação no trânsito. “Acredito que reduziria sensivelmente os acidentes, pelo fato de o motociclista evitar andar entre os carros e caminhões. Estou morando no Paraná e aqui não é diferente de Manaus, tirando uma educação um pouco melhor no trânsito e a infraestrutura bem avançada que ajuda no fluxo”, ressaltou. 


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