Sexta-feira, 24 de Maio de 2019
EDUCAÇÃO

'Aula Digital' apresenta primeiros resultados e chegará a mais escolas neste ano

Projeto executado em Manaus pela Fundação Vitória Amazônica insere a tecnologia no dia a dia da sala de aula



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Plataforma terá exercícios, testes e simulações de provas adaptados à realidade dos alunos (fotos: Junio Matos)
23/04/2019 às 16:48

O alvoroço de repente toma conta de uma pequena sala de aula da Escola Municipal Professor Ricardo Pereira, no bairro São José I, na Zona Leste de Manaus. São crianças do 3° ano do ensino fundamental. Nas mesas, cada uma delas com quatro cadeiras, tablets e fones de ouvido a postos. O motivo? “É dia de aula digital”, responde entusiasmada a pequena Ivânia Lima, de 9 anos. “Você gosta dessa aula?”, pergunto ao Pedro Braga, de 8, que aparentava ser tímido no começo, mas logo se soltou. “Sim! Muito! Fico até ansioso quando chega o dia”, disse. “O que você já aprendeu nessa aula?”, pergunto ao amigo dele, José Ryan, também de 8. “Já aprendi muito sobre fábulas, cidadania, meio ambiente e matemática”, enumera.

Há um ano, os cerca de 600 alunos do 1° ao 5° ano daquela escola fazem parte do projeto “ProFuturo Aula Digital”, uma iniciativa da Fundação Telefônica, da Espanha, e da Fundação Bancária La Caixa, e desenvolvida no Brasil pela Fundação Telefônica Vivo. Executada desde 2017 pela Fundação Vitória Amazônica (FVA), em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (Semed), o projeto tem o objetivo de, por meio de ferramentas digitais, facilitar o acesso à educação de qualidade para crianças em situação de vulnerabilidade social.

Oportunidade

Para a gestora da escola, France Mara Santos, o projeto é uma oportunidade para muitas crianças de terem acesso à tecnologia. “E o impacto da inserção de ‘gadgets’ em sala de aula no desempenho acadêmico dos alunos é perceptível”, contou ela, ao falar sobre o entusiasmo dos estudantes com os aparelhos eletrônicos, que os incentiva a aprender mais e mais.

“A aula digital é um momento de grande expectativa das crianças, pois eles têm a oportunidade de ver o conteúdo em sala de aula ‘teletransportado’ para a tecnologia. Para os alunos é como uma viagem para um universo que eles não têm acesso no dia a dia. Tem sido positivo para nós pensar a educação além do papel, do livro e do quadro branco. A educação enriquecida pela tecnologia só tem feito que nossos resultados na escola sejam cada vez melhores”, destacou a diretora da escola.

Ano passado, A CRÍTICA esteve em Nairóbi, capital do Quênia, para acompanhar os resultados do projeto no local, à convite da Fundação Telefônica Vivo.

Conteúdos serão regionalizados

Manaus foi a primeira cidade brasileira a receber o projeto “ProFuturo Aula Digital”, que atualmente atende 210 escolas de ensino fundamental das zonas urbana, rural e ribeirinha. Ainda esse ano, mais 55 escolas receberão o projeto. Contudo, antes, os professores, gestores, pedagogos e técnicos da escola passam por um treinamento continuado para usarem a tecnologia em sala.

Após isso, a escola recebe o kit tecnológico, que na realidade é uma grande maleta contendo 34 tablets, um notebook, um roteador, um data-show, uma tela para projeção, entre outros equipamentos que irão auxiliar os professores na aplicação de conteúdos lúdicos e interativos em sete eixos temáticos: língua portuguesa, matemática, ciências, cidadania e convivência para a paz, tecnologia, maneiras de pensar e agir e vida saudável.

Pelo menos uma vez por mês a FVA tem acesso ao desempenho de todas as 210 escolas alcançadas pelo programa. Como veio com uma série de conteúdos já programados, a primeira etapa teve como foco apresentar a tecnologia às escolas. Na segunda etapa, a ser implementada ainda esse ano, a fundação dará início à regionalização dos conteúdos disponibilizados na plataforma.

Na prática, os professores serão mais ativos na criação pedagógica ao invés de apenas aplicar os exercícios que já vieram prontos e traduzidos, como vem ocorrendo até hoje. Assim, será possível elaborar exercícios, testes e simulações de provas com um conteúdo totalmente adaptado à realidade dos alunos. E o melhor: esse conteúdo regional poderá ser compartilhado entre as escolas que fazem parte do programa.

De acordo com o coordenador pedagógico da FVA, Odiel Brindeiro, essa novidade será muito proveitosa nas instituições localizadas na zona ribeirinha, onde quatro escolas indígenas fazem parte do projeto. “Com a possibilidade de regionalização do conteúdo será possível, inclusive, ter aulas digitais em línguas indígenas”, afirma ele.

Turmas ‘misturadas’ são comuns

Nas escolas fora da área urbana é comum que haja, numa mesma sala de aula, alunos de diferentes séries e idades. “É comum nessas escolas ribeirinhas que as classes sejam multisseriadas. O ponto positivo é que a plataforma possibilita que o professor faça uma configuração em que cada aluno acesse um conteúdo diferente no seu tablet, como se fossem várias estações”, disse a assistente tecnológica e pedagógica da FVA, Adriana Rodrigues.

Além de Manaus, o projeto “ProFuturo Aula Digital”’ está sendo desenvolvido em Viamão (RS), Goiânia (GO) e em outros 28 municípios de Sergipe. “O projeto visa facilitar o acesso à educação de qualidade para crianças da rede pública de ensino, baseado em quatro pilares: inspirar (formação continuada de professores); experimentar (formação em serviço de educadores); personalizar (equipamentos, plataforma e conteúdos digitais) e ir além”, explica o diretor presidente da Fundação Telefônica Vivo, Americo Mattar.

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Repórter do caderno de Cidades - Jornal A Crítica

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