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Manaus
ARTE SOCIAL

Projeto 'Caminhos do Frei' promete levar arte e educação à Comunidade São Vicente

A rua Frei José dos Inocentes, no Centro da cidade, agora abriga o projeto sociocultural, que tem no espaço "Casa do Frei" a sua sede. Ele promoverá oficinas de audiovisual, costura, dança, artesanato, pintura e manipulação de alimentos, curso de alfabetização para adultos e aulas de reforço para crianças 09/04/2016 às 05:00 - Atualizado em 09/04/2016 às 14:50
Luana Carvalho Manaus (AM)

Pouco conhecida pela população manauense, a rua Frei José dos Inocentes, no Centro, agora abriga o projeto sociocultural ‘Caminhos do Frei’, que oferecerá cultura e arte à comunidade. O espaço ‘Casa do Frei’, inaugurado nesta sexta-feira (8), será a sede do projeto, que promete movimentar e ocupar o Centro histórico de Manaus.

“A Casa do Frei trouxe mais vida e ânimo para a comunidade. Por muitos anos, fomos esquecidos, visitados apenas por políticos em época de eleição. Com jeitinho, os professores do projeto estão conquistando a confiança e participação dos moradores. Foi uma coisa muito boa que nos aconteceu”, conta a dona de casa Cristina Spencer, 38, que mora a vida toda na Comunidade São Vicente.

Ela e as duas filhas, de 11 e 15 anos, já garantiram vaga na maioria das oficinas que o projeto oferece. Idealizado pelo Instituto Amazônia, que ganhou o edital municipal para ocupação de espaços públicos em junho do ano passado, o projeto restaurou dois prédios históricos onde os cursos acontecerão e também buscou parceiros e apoio de instituições privadas para fazer o sonho acontecer.

“Em tempos de crise, não podemos esperar apenas pelo poder público. Os caminhos diversos do Frei, como a saúde, cultura, educação, meio ambiente e artesanato, só serão possíveis graças aos parceiros do Instituto e com a participação da comunidade. Nossa proposta é  fazer uma requalificação do espaço urbano, dando um apoio socioeconomico e recuperando a autoestima das pessoas que vivem em uma área tão bonita e pouco conhecida”, explicou o presidente do Instituto, Paulo Henrique de Castro.

Em novembro do ano passado, o instituto promoveu o  projeto cultural “As portas do passado abrindo as janelas para o futuro”, que, seguindo a mesma proposta, levou exposições, oficinas e intervenções teatrais em todo o perímetro da Praça Dom Pedro II, onde está localizado o Paço Municipal.

Além de promover oficinas de audiovisual, costura, dança, artesanato, pintura e manipulação de alimentos, curso de alfabetização para adultos e aulas de reforço para crianças também serão ministradas por universitários.

Arte para a comunidade

Papelão, isopor, pedaços de madeira, vidro, durepox, arame, palets e outros materiais recicláveis são as principais matérias primas das peças produzidas pelos artesãos do projeto.

“Nossa proposta é criar peças com uma iconografia amazônica, quebrando os estereótipos. A comunidade vai reproduzir as peças de vários artistas parceiros durante as aulas, que recriaram um novo estilo”, explica Mônica Bologna, arte-educadora e coordenadora das atividades do projeto.

Os alunos também reproduzirão em cerâmicas artes rupestres, catalogadas pela arqueóloga Arminda Mendonça no leito de Balbina, antes da inundação causada pela hidrelétrica. As peças serão vendidas em uma loja virtual, para ajudar na manutenção da casa.

O artista plástico Agnaldo Rezende está feliz em poder reproduzir o conhecimento adquirido. “Tenho certeza que também vou aprender muito com isso”. Munik Marie, que trabalha com arteterapia, diz que o projeto é desafiador.

“A arte muda a vida das pessoas. Acredito que a gente possa fazer um trabalho muito bonito com essas pessoas que não estão acostumadas a ter esse contato com a arte. Mas eu não vou ensinar arte, vou fazer com que essas pessoas se expressem, com liberdade, com suas palavras”, concluiu.

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