Quarta-feira, 01 de Abril de 2020
polo naval

Projeto de complexo de estaleiros no lago do Puraquequara segue travado

Representantes do setor naval em Manaus reagiram à possibilidade de instalar o polo em outro município, como Itacoatiara



naval.jpg Sem um polo naval estruturado, estaleiros se distribuem de forma desordenada na orla de Manaus. Projeto original prevê instalação do polo no Puraquequara (foto: Arquivo AC)
10/05/2016 às 10:29

Convidado a se manifestar sobre os avanços no projeto do Polo Naval do Amazonas, Thomaz Nogueira, que hoje lidera a Secretaria de Estado do Planejamento e Desenvolvimento Econômico, Ciência Tecnologia e Inovação (Seplancti), mencionou que, enquanto o projeto continua sendo visto como uma prioridade para o governo, Manaus não é o único lugar viável para sua implementação. “Nós temos diversos locais que reúnem condições [de receber o polo]. Pode ser em Itacoatiara, por exemplo”, declarou.

A afirmação foi proferida como uma provocação, como explicou o próprio secretário, a representantes de entidades civis e militares ligadas a navegação, que se reuniram no plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM) nesta segunda-feira (9) para uma audiência pública que objetivava justamente saber do governo em que estágio estavam as discussões para concretizar o projeto, que prevê a instalação de um complexo de estaleiros na área do lago do Puraquequara.



Alguns dos presentes, como Matheus Araújo, presidente do Sindicato da Indústria Naval, Offshore e Reparos do Amazonas (Sindnaval), mostraram incredulidade diante da sugestão de Itacoatiara como localização do polo naval, alegando que tal medida deixaria o empreendimento fora da área de abrangência da Zona Franca de Manaus, dificultando a importação de equipamentos. “O polo naval não precisa ser necessariamente pelo caminho da Zona Franca. Existem diversos outros mecanismos tributários com os quais podemos trabalhar”, retrucou o secretário.

Thomaz reiterou que o projeto não está parado, apenas passando por um processo de reavaliação. “Temos que ir além do Polo Industrial de Manaus, pois, se nós desconsiderarmos a exploração de petróleo [em Coari] e de cassiterita [na Vila de Pitinga], nós temos uma concentração de mais de 90% da atividade econômica do Estado no território de Manaus, que representa apenas 0,02% do território. Nós temos uma realidade geográfica que pode e precisa ser trabalhada”, disse o gestor.

Segundo ele, caso a reavaliação e os estudos técnicos constatem que Manaus é o melhor lugar para instalação do polo, a cidade será contemplada com ele. No entanto, Sinésio Campos (PT), deputado que convocou a audiência pública, lembrou que isso já foi averiguado previamente. “Foi feito, pelo próprio Governo de Estado, um estudo de locais e chegou ao entendimento da então Seplan, não o nosso aqui, que o local mais adequado para a implantação seria no Puraquequara”, retrucou Sinésio.

Crise pode favorecer implantação

A audiência pública foi convocada pelo deputado Sinésio Campos, que acredita que a pauta já era para ter sido resolvida há muito tempo e que o atual cenário econômico do País, mais especificamente do Estado, pode servir de força-motriz para a concretização do polo naval.

“Se esse debate não se efetivou pelo amor, vai ser pela dor. A crise está instalada no País e no Amazonas não é diferente. A Zona Franca, que sempre teve uma galinha de ovos de ouro no Polo Industrial de Manaus [PIM], não tratou de cuidar de outras vertentes”, declarou o parlamentar.

O evento contou com a presença de líderes de sindicatos que lutam para o projeto ir para a frente.

Matheus Araújo, do Sindnaval, disse que, do jeito que se encontra, a fabricação naval no Amazonas já é a segunda maior do Brasil, somente perdendo para o Rio de Janeiro e que, se instalado corretamente, o Polo Naval do Amazonas pode gerar o 60% do faturamento do PIM em 10 anos.

 


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