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Manaus
EDUCAÇÃO EXEMPLAR

Projeto de Ensino à Distância do Colégio Militar revela nomes para o ensino superior

Programa vem mostrando resultados significativos pela eficiência no uso das novas Tecnologias de Comunicação e Informação (Tics), assim como no ensino e aprendizagem dos seus alunos 26/08/2018 às 08:06 - Atualizado em 26/08/2018 às 13:34
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A sala de professores-tutores do Colégio Militar de Manaus: orientação fundamental para o sucesso do aluno / Foto: Antonio Lima
Paulo André Nunes Manaus (AM)

O Curso Regular de Educação a Distância do Colégio Militar de Manaus (CREAD/CMM) vem literalmente encurtando distâncias e fazendo uma importante ponte entre seus alunos e o sucesso profissional, mostrando a excelência do projeto e superando problemas logísticos. Atualmente, o programa de Educação a Distância vem mostrando resultados significativos não só pela eficiência no uso das novas Tecnologias de Comunicação e Informação (Tics), bem como no ensino e aprendizagem dos seus alunos.

Criado em 2002, o programa de EAD do CMM é único no Sistema de Colégios Militares do Brasil e tem pólos de Educação à Distância na capital Manaus e no interior do Amazonas visando atender às necessidades de crianças e jovens, filhos de militares da Marinha do Brasil, Exército e Força Aérea Brasileira em missões de paz pelo mundo, bem como civis a serviço do Brasil. A iniciativa está presente também em 40 países e utiliza a plataforma Moodle.

Um dos pólos é o de Tabatinga, que teve o aluno Heuber Moore Nunes aprovado ano passado para os cursos de Medicina da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e por Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para as faculdades de Picos e Parnaíba, ambas no Piauí - ele optou para a de Parnaíba, onde está fazendo o 1º ano.

Filho da dentista colombiana Patricia Del Carmen Moore Pantoja e do militar reformado do Exército Etevaldo Ferreira Nunes, Heuber nasceu em 1998 e estudou no EAD desde o sexto ano do ensino fundametal (5ª série) no polo de apoio Escola Thomaz Coelho, onde permaneceu 7 anos, concluindo em 2015. Após o baque da perda da mãe em 2015, ele, com a base que tinha adquirido do Ensino a Distância do Colégio Militar, passou a estudar em casa e entrou para um cursinho pré-vestibular. Tiro e queda: prestou vestibular em 2016 e em 2017 conseguiu as três aprovações em Medicina.


À dir. o acadêmico de Medicina Heuber Nunes em Tabatinga, nos tempos de EAD, junto aos pais Etevaldo e Patricia/Foto: Álbum de Família

“O ensino a distância do Colégio Militar de Manaus foi fundamental e imprescindível para que eu alcançasse o nível que eu tenho hoje pois me deu a base que não teria em qualquer pouyra instituição”, declara ele, que estudou com material impresso (apostilas).

Da capital

A acadêmica Acsa Sicsú Magalhães, 19, está no 6º período de Direito na Universidade do Estado do Amazonas e também estudou no EAD. Ela foi aluna do CMM até 2010; depois foi pro  Rio de Janeiro onde cursou EAD de 2011 a 2014 e em 2015 quando estava em São Gabriel da Cachoeira - seu pai, foi comandar o 5º Batalhão de Infantaria de Selva /Comando de Fronteira Rio Negro; sua mãe se chama Adriana Sicsú Magalhães Acsa fez a prova Macro da UEA antes de concluir o ensino médio, onde ficou na 3ª colocação – ela entrou com mandado de segurança pra garantir a vaga, e entrou na instituição em 2016.


A estudante Acsa Sicsú Magalhães está no 6º período de Direito na UEA e também estudou no EAD em São Gabriel/Foto: Álbum de Família

Ela comenta que no Ensino a Distância do Colegio Militar é “8 ou 80, pois é um método de ensino que varia de aluno pra aluno e não há uma cobrança física de sala de aula, fechada. É o aluno quem tem que dar a partida. Ou seja, a dedicação tem que  partir de você dando vazão aos estudos”, explica a jovem.

Para ela, a grande lição no CMM foi o aprendizado quase autodidata: “Quando se entra para a faculdade é diferente de escola, e pelo fato de estar estudando na UEA a adaptação foi tranquila e me preparou para o ritmo de faculdade. Por viver o EAD espcificamente em São Gabriel vi como é no papel a realidade. Esse é o Amazonas que a gente não vê, de uma realidade diferente. Foi muito válido e essencial. Se tivesse sido diferente não sei se teria sido aprovada”.

Comandante do CMM destaca particularidades do ensino a distância da instituição

No início, informa o comandante do Colégio Militar de Manaus, coronel Mario Anselmo Marszalek, o EAd começou com 65 alunos que eram filhos de militares que serviram na fronteira. Posteriormente, esse apoio foi ampliado para a Marinha e a Força Aérea e em 2004 passou a se atender, também, os militares que se encontravam em missões no exterior, seja diplomáticas ou na área de ensino, cujos filhos estavam em idade escolar compatível com o Colégio Militar, e esses filhos também passaram a estudar no ensino a distância, não perdendo, dessa forma, o vínculo com o ensino brasileiro. “Hoje temos cerca de 500 alunos, num efetivo que varia muito porque o pessoal do exterior apresenta demandas muito variáveis”, esclarece ele.

A didática especifica é feita por professores-tutores que interagem com os alunos no dia a dia, tirando dúvidas, postando matérias e materiais que os estudantes podem usufruir, e há um ambiente virtual de aprendizagem onde os alunos interagem com os professores. Além disso, os alunos recebem apostilas específicas que são confeccionadas para o ensino a distância, com cartão de memória com mídias, e executam as próprias tarefas, algumas delas online e outras escritas que são encaminhadas para correção.


O comandante Marszalek e os vários troféus do Colégio por ser referência em Educação/Foto: Antonio Lima

O apoio da família é fundamental, diz o comandante. “Os alunos estudam em casa e é fundamental para esse tipo de modalidade de ensino o apoio da família. Costumamos dizer que é uma tríade escola-família-aluno. E ao mesmo tempo que estudam em casa tem também oportunidade de interagir com nossos professores-tutores”.

O coronel destaca que o projeto mostra a excelência do programa: “a aprovação de alunos nos mais diversos cursos de difícil aprovação, como Direito, Medicina, Jornalismo e Engenharia nos seus mais diversos ramos, representa o sucesso reconhecido em função dos seus desempenhos”, conta ele.

O coronel Mario Anselmo Marszalek falou da satisfação que tem em dar prosseguimento ao trabalho iniciado por outros comandantes. “É uma satisfação muito grande porque eu estou dando prosseguimento àqueles que me antecederam. É um somatório de esforços que já vem de longa data, desde que o curso a distância iniciou em 2002, e nosso objetivo é sempre aprimorar, aperfeiçoar e produzir. Ficamos muito satisfeitos quando vemos o resultado de alunos que estiveram aqui nos visitando (o acadêmico de Medicina Heuber Morre Nunes (ver texto principal) e outros com certeza já passaram por aqui e isso realmente nos dá uma satisfação muito grande da missão cumprida”, comentou.

Oficial idealizava ser aluno do CMM e se transformou em mestre

A satisfação do trabalho desenvolvido no EAD do Colégio Militar deixa também os professores da instituição contentes, claro. Um deles é o oficial Reinaldo de Oliveira Pantoja, que usa o “codinome de guerra” Major Pantoja, atualmente responde pela coordenação pedagógica do Ensino à Distância do Colégio Militar e é professor de Língua Inglesa. 


Major Pantoja com o ex-aluno Heuber, que conheceu o CMM este ano/Foto: Reprodução

O mestre e oficial falou da satisfação que tem ao coordenar essa iniciativa em uma entidade tão tradicional quanto o CMM. “Como sou amazonense o sentimento é triplo, múltiplo, multiplicado até por 10, porque vemos em uma região como a nossa uma carência tão grande, com distâncias absurdamente grandes e com uma falta de recursos nas regiões mais distantes. A satisfação é saber que eu contribuo com uma pequena parcela para que esse companheiro meu, esse filho de um militar, amazonense ou não e que está em um local totalmente desprovido de um apoio educacional ele consiga superar obstáculos que às vezes seriam intransponíveis, como por exemplo ser aprovado no curso de Medicina de uma instituição pública, como a Universidade do Estado do Amazonas”, analisa o professor do CMM.

O major só lamenta não ter estudado no Colégio Militar. “Meu pai foi transferido para Porto Velho, onde fiz meus estudos, e retornei para fazer a universidade aqui em Manaus, em 1982. Infelizmente não tive essa oportunidade de estudar aqui, mas ‘matei’ essa vontade anos depois, onde consegui realizar esse sonho já como profissional”, conta ele.

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