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Manaus
MUDANÇAS

Projeto de intervenção visa transformar Hotel Cassina em estabelecimento 3 estrelas

Patrimônio tombado e que encontra-se em ruínas deve virar hotel 3 estrelas; projeto está sendo analisado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) 14/08/2018 às 07:21 - Atualizado em 15/08/2018 às 13:54
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O projeto arquitetônico básico, de autoria do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), com recursos do PAC Cidades Históricas, tem parecer aprovado junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), seccional Amazonas, mas com observações / Foto:
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Um projeto de intervenção pretende “ressuscitar” o antigo e histórico Hotel Cassina e transformá-lo, novamente, em um estabelecimento popular, só que ampliado, com uma nova estrutura sobre a antiga e em padrão 3 estrelas. Construído em 1899 e localizado entre as ruas Bernardo Ramos, Governador Vitório e Frei José dos Inocentes, a edificação é um dos maiores exemplos do auge e da decadência da época áurea da borracha, estando em condições lastimáveis. O projeto em si propõe mudanças na estrutura do prédio, que é tombado pelo Patrimônio Histórico.

O projeto arquitetônico básico, de autoria do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), com recursos do PAC Cidades Históricas, tem parecer aprovado junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), seccional Amazonas, mas com observações (ver vinculada nesta página). 

A iniciativa contempla a revisão de um projeto para o Hotel Cassina datado de 10/04/2018 e resgata o histórico do processo, que antes fora aprovado com o uso de hotel, porém, o projeto perdeu sua validade tendo em vista que o projeto prescreveu. 

A revisão justificou-se por, nesse lapso de tempo, a prefeitura ter que reanalisar a norma hoteleira  (Lei n° 11.771 de 11 de setembro de 2008 e portaria n° 100 de 16 de junho de 2016 - Mtur) e a legislação de proteção de incêndio para edifícios desse porte (IT 11/2014) e chegou-se a conclusão que, para ajustar o projeto de 2014 aos moldes destas legislações, precisaria aumentar as áreas de quartos, cozinha, vestiários, bem como escadas de incêndio e cisterna. 


Construído em 1899 por Andrea Cassina, hoje o prédio histórico do Centro Histórico está em ruínas

Ou seja, todos esses ajustes levariam a uma diminuição da capacidade do hotel, o que inviabilizaria o investimento demandado à reforma. Diante dessa situação, o projeto foi inteiramente revisado para poder manter uma atratividade econômica para concessão e tornar o Hotel Cassina um marco da revitalização e requalificação da região.

O novo conceito do Hotel Cassina 3 estrelas consiste basicamente na conservação das fachadas existentes, tirando partido da exuberância da vegetação na parte inferior com um pé-direito duplo e da inserção de uma estrutura central e independente que sustentará os pavimentos superiores acima do volume existente.

A CRÍTICA entrou em contato com o PAC Cidades em busca de valores e datas sobre a intervenção, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

Símbolo do auge e da decadência

Classificado como unidade de preservação histórica de primeiro grau (nº 7.176, de 10/01/2004) e em área de tombamento histórico, a edificação do Hotel Cassina é datada do ano de 1899, com influência de vários estilos arquitetônicos.

Segundo historiadores, o nome do hotel foi em homenagem ao seu proprietário, o italiano Andréa Cassina. Foi ponto de encontro dos barões do período áureo da borracha, grandes empresários, intelectuais, políticos e visitantes ilustres no início do século 20, sendo o hotel mais frequentado da época. Depois virou hospedaria, após sendo rebaixado para pensão até chegar a Cabaré Chinelo e, hoje, um prédio abandonado, em ruínas.

Iphan recomenda ‘nova proporção’

O projeto arquitetônico básico do novo Hotel Cassina tem parecer aprovado junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), seccional Amazonas. No entanto, o próprio Iphan recomendou que a prefeitura faça um “novo exercício, elaborando uma nova proporção vertical do conjunto arquitetônico”.

 

“Em relação ao gabarito (marcação feita com fios nos limites da construção antes do início das obras), não há objeções, e considera-se que a contextualização e justificativas para a intervenção são coerentes, fundamentadas e propõe-se resgatar a apropriação do local e seu entorno através, também, da relação afetiva das pessoas com o lugar, além de fazer parte de uma proposta geral de adensamento do Centro Histórico. No entanto, recomenda-se fazer um novo exercício, elaborando uma nova proporção vertical do conjunto arquitetônico”, analisa e orienta o Iphan, em conclusão do seu parecer técnico nº 49/2018.

A intervenção, de acordo com documento do parecer técnico nº 49/2018 do Iphan, encontra fundamentação legal em dois artigos do Decreto Lei nº 25, de 30 de novembro de 1937. O primeiro, o artigo 17, fala que “As coisas tombadas não poderão, em caso nenhum, ser destruídas, demolidas ou mutiladas, nem, sem prévia autorização especial do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ser reparadas, pintadas ou restauradas, sob pena de multa de cinqüenta por cento do dano causado”.

No artigo 18 da lei, lê-se que “Sem prévia autorização do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, não se poderá, na vizinhança da coisa tombada, fazer construção que lhe impeça ou reduza a visibilidade, nem nela colocar anúncios ou cartazes, sob pena de ser mandada destruir a obra ou retirar o objeto, impondo-se neste caso multa de 50% do valor do mesmo objeto”.

Enredo de Carnaval

O Hotel Cassina, depois Cabaré Chinelo, foi tema de enredo da escola de samba Sem Compromisso para o Carnaval de 1983 (“Hotel Cassina, apoteose e Boemia”, com letra de Aníbal Beça e música de Rinaldo Buzaglo sob interpretação do lendário Aroldo Melodia.

Em números

119 anos é a idade do imponente, mas infelizmente decadente há tempos, Hotel Cassina, ou Cabaré Chinelo para alguns amantes da Manaus antiga.

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