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Manaus
SAÚDE

Projeto de lei quer proibir comércio de óculos de grau em locais não credenciados

Óculos chegam a ser vendidos por até R$ 10 em bancas do Centro de Manaus, sem qualquer preocupação com eventuais prejuízos à visão dos clientes 19/09/2016 às 09:17
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Comércio gera lucro mensal de até R$ 1200 para vendedores que atuam no Centro da cidade / Foto: Antônio Lima
Alik Menezes Manaus (AM)

A comercialização de óculos de grau sem nenhuma prescrição médica ocorre de forma indiscriminada no Centro de Manaus há anos, sem qualquer tipo de fiscalização. Mas a prática pode estar com os dias contados, isso porque um Projeto de Lei quer proibir a venda em locais não credenciados. 

O Projeto de Lei  que pode proibir a comercialização de óculos de grau por estabelecimentos não credenciados é do vereador Ewerton Wanderley. No PL o vereador destaca que a prescrição, indicação e adaptação de óculos e lentes de contato de grau são procedimentos exclusivos da profissão médica. 

Os valores mais em conta, a variedade e a facilidade são alguns dos motivos que levam clientes  a recorrerem as bancas de camelôs localizadas, por exemplo, na Rua Guilherme Moreira, no Centro. Nessas “óticas” é possível comprar óculos de grau sem qualquer receita médica. 

Segundo os proprietários das bancas, basta o cliente experimentar qual grau fica melhor para enxergar, sem burocracia. Os óculos custam a partir de R$ 10 e o mais caro não passa de R$ 15. 

O comerciante Jair Bentes de Mendonça, 60, que há 25 trabalha vendendo óculos na esquina da rua Guilherme Moreira com a Sete de Setembro, disse que os clientes não correm riscos em comprar e usar esses tipos de lente, mesmo sem prescrição de um especialista. “Essas lentes que a gente vende aqui são para perto, são óculos para leitura, não prejudica nada, o problema seria se fossem óculos para longe, mas esses a gente nem vende aqui”, minimizou. 

Seu Jair disse que lucra cerca de R$ 1.200 por mês e é a única fonte de renda da família e não sabe o que fará se o PL for aprovado. “Nunca me vi fazendo outra coisa, nem passa pela minha cabeça isso”, disse. 

Outro vendedor de óculos é Antônio Rodrigo Castro, 23, que trabalha nesse segmento há oito anos. “Esse é meu trabalho, meu ganha pão, eu herdei de um tio que morreu, nossa família já está aqui nessa banca há mais de 15 anos”, contou. 

Antônio disse que não se abala e não teme a aprovação do PL e que continuará vendendo óculos no Centro. “Isso é besteira, não vai dar em nada, eles só querem botar medo na gente, não tenho medo não”, declarou o vendedor, que lucra de R$ 900 a R$ 1.200 por mês. 

A dona de casa Martha Araújo, 55, disse que não tem condições de comprar óculos para ela e para os filhos em óticas e a saída é recorrer aos camelôs. “Aqui eu gasto no máximo R$ 25 com um óculos (armação e lente), se eu fosse comprar em ótica não seria por menos de R$ 300. Eu espero que esse projeto vá para a gaveta e não saia mais”, disse.

Para o motorista José Elisson de Souza, 49, a economia é muito grande e faz diferença no orçamento. Mas diferente de muitas pessoas que procuram o óculos de grau, o motorista disse que compra apenas a armação e encomenda as lentes em óticas credenciadas. “Eu pago no máximo R$ 15 em uma boa armação e faço a lente em uma ótica. Se eu fosse fazer tudo lá, sairia muito caro, nem tem condições”, disse. 

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